[[legacy_image_333080]] Uma idosa, de 60 anos, diagnosticada com câncer de ovário, aguarda respostas para dar andamento ao seu tratamento, em Cubatão, cidade da Baixada Santista. Márcia do Santos recebeu seu diagnóstico após ser internada, em novembro de 2023, para tratar uma trombose. Segundo relato, enviado por um amigo da família, a idosa procurou atendimento médico em uma policlínica da cidade, pois estava com dor e inchaço em uma das pernas. No local, uma médica a encaminhou para o Pronto Socorro Municipal, com suspeita de trombose, que logo foi confirmada. Márcia então, ficou cinco dias internada no PS, até conseguir uma vaga no Hospital Municipal Dr. Luiz de Camargo da Fonseca e Silva. Entretanto, a mulher estava há cerca de um ano com um inchaço na barriga e uma anemia severa, por isso, procurava assistência em equipamentos municipais. Em março de 2023, ela chegou a ser atendida por um ginecologista da policlínica que pediu uma ultrassom de abdômen total. “Após mais de dois meses de espera foi detectada presença de líquido na cavidade pélvica. Mas a médica não conseguia descobrir a causa”, diz o relato. Também foi solicitada uma ressonância magnética, mas não havia previsão de realização do exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por isso a senhora realizou o exame particular. Mas, após realizar o exame e levá-lo à médica, Márcia foi tranquilizada, pois disseram que ‘não havia nada de errado, que era apenas um mioma e que ela seria encaminhada para uma cirurgia ginecológica’. TromboseApós o diagnóstico dado pela ginecologista, a mulher continuou aguardando sua vaga no SUS, até novembro, quando foi internada pela trombose. “Quando foi transferida, ela continuou o tratamento, sem avaliarem a causa da trombose. No dia da alta hospitalar, ela reclamou que não estava conseguindo ir ao banheiro fazer cocô. Foi somente nesse momento que a equipe médica pediu para ver seu abdômen, que estava extremamente inchado há meses”, comenta. A alta de Márcia foi suspensa e foi solicitada uma avaliação geral. Ela ainda ficou internada mais de 15 dias no hospital. No entanto, uma nova ultrassom do abdômen só foi realizada após muita insistência da família. “Para surpresa da família, a médica chamou algumas pessoas para conversar e explicou que ela tinha pouco tempo de vida, que estava com um câncer de ovário em estágio avançado e que o hospital poderia fazer muito pouco por ela”, afirma a testemunha. A médica também disse que daria alta à paciente sem a biópsia. E, de acordo com o amigo da família, a mesma médica também não solicitou nenhum exame de marcadores tumorais que poderiam agilizar o atendimento e tratamento. Alta e internaçãoMárcia ficou internada até o dia 23 de dezembro, mas seu problema não foi resolvido. Ela foi encaminhada para consultas ambulatoriais e passou por vários médicos no complexo anexo ao Hospital Municipal, sem um diagnóstico fechado. “Só no meio de janeiro ela conseguiu consulta com um cirurgião ginecológico que pediu os exames de marcadores tumorais, que deram positivo”, explica. Segundo a testemunha, o médico foi categórico e disse que ela está com câncer de ovário e precisa fazer a cirurgia para diminuição do tumor, que causa dor, dificuldade em se locomover e para comer. Ele também a encaminhou para a anestesista, já com o pedido de cirurgia. Porém, no último dia 25 de janeiro, Márcia foi até o hospital, para passar em consulta com o anestesista e lá descobriu que ele não havia ido trabalhar. Novamente, a perna de Márcia inchou e ela teve a suspeita de uma nova trombose. “Desde então ela está no hospital, sem que a equipe de ginecologia cirúrgica a avalie. O caso dela só se resolverá com uma cirurgia que, já não é mais eletiva e sim, de urgência”, confirma. O médico teria dito ainda que a operaria no hospital municipal, mas desde sua internação nada foi feito. No último dia 1º, ela se consultou com uma oncologista, que disse que ela não poderia operar, sem que fizesse sessões de quimioterapia - e agora, a família aguarda que ela seja encaminhada para o tratamento. Nesta segunda-feira (5), foi dito à Reportagem que a mulher contraiu covid-19 e está em isolamento. E a família ainda busca respostas sobre o seu tratamento, porém, não obtém nenhuma. Eles também estão em busca de encaminhamentos para o tratamento da idosa. “Estamos todos extremamente tristes e indignados. Como uma pessoa que está com uma doença que pode matar não recebe tratamento? Agora o hospital diz que ela não pode ser operada, que precisa, primeiro, fazer quimioterapia para diminuir o tumor, mas que não podem incluí-la no sistema sem biópsia, mesmo ela tendo feito ressonância magnética (particular) que detectou uma massa na pelve e ter feito os principais exames de sangue de marcadores tumorais, que indicaram que ela está com câncer. Eles dizem que não podem fazer isso lá e não dão nenhuma solução”. Outro ladoA Tribuna procurou um posicionamento do município e, em nota, a administração do hospital informou que “a paciente em questão deu entrada no Hospital Municipal de Cubatão em 8 de dezembro de 2023, com queixa de dor intensa em membro inferior esquerdo há mais de uma semana. Foi submetida à realização de exames e avaliada por equipe vascular e cirúrgica, que descartou a hipótese de intervenção invasiva e optou por tratamento clínico. Após importante melhora clínica, teve alta hospitalar no dia 23. Permaneceu com acompanhamento ambulatorial e passou em novas consultas com cirurgião geral e cirurgião ginecológico. No dia 26 de janeiro, ela foi novamente internada e, desde então, vem sendo acompanhada pela equipe clínica, cirúrgica e ginecológica. Foi solicitada transferência para Hospital de Alta Complexidade, está inserida no sistema CROSS e aguarda pela liberação de vaga adequada à sua condição de saúde para transferência pela rede SUS, permanecendo internada enquanto isso e sob os cuidados de todos os especialistas em nosso hospital”.