As pessoas que moram no local cobram uma solução para que o valor excessivo da parcela seja reduzido de acordo com o que cada família pode pagar (Alexsander Ferraz/AT) Moradores do conjunto habitacional Rubens Lara, em Cubatão, reclamam do valor das parcelas que estão sendo cobradas para a quitação de seus imóveis. De acordo com alguns moradores, o valor da parcela está aumentando todos os anos e os juros não param de crescer. A Tribuna conversou com pessoas que estão passando por esta situação e cobram uma solução para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Viviane de Alcântara, de 50 anos, trabalha com pets. Ela relata que o valor inicial da sua parcela era de em R\$225,00 e hoje está em R\$690,00. “Estamos abandonados. A CDHU vem junto com um oficial de Justiça, e retira os moradores que não conseguem pagar suas prestações, pois temos baixa renda”, reclamou. A moradora diz que o valor atual não é compatível com o salário de seu marido. “Todo ano eu entro em contato com eles, mas eles abaixam bem pouco o valor da parcela. Com isso, eu já tenho uma ou duas parcelas atrasadas e não consigo pagar”, disse. O caminhoneiro André Teixeira, de 47 anos, também está sofrendo com o mesmo problema.O valor que ele começou a pagar é bem mais baixo do que o atual. “Em 2021 eu pagava R\$340,00 e em 2024 estou tendo que pagar R\$957,00. As parcelas estão absurdas e abusivas”, desabafa. “Me revolta não conseguir acompanhar o aumento absurdo das parcelas. Um valor que está fora da realidade em que vivemos”, diz. O mesmo tipo de situação é vivido pela auxiliar de limpeza Cláudia Rodrigues Aguiar, de 49 anos. Segundo a moradora ainda há casos de pessoas que estão tendo que pagar mais de R\$ 3 mil nas parcelas. “A gente não tem renda. Não conseguimos pagar valores altos, e existem pessoas que estão sendo despejadas por não conseguirem”, reclamou. Cláudia disse ter conversado com a CDHU, mas não resolveu sua situação: “Quando eu fui fazer o acordo, a CDHU queria que eu pagasse R\$ 9 mil, e eu não tinha esse dinheiro”, contou. Parou de pagar A auxiliar de limpeza Erika Correia, de 47 anos, está indignada. “Quando eu vim para cá, o valor era R\$ 157 e a última vez, a parcela já estava em R\$ 600”. A mulher disse que parou de pagar as parcelas por não ter renda o suficiente para arcar com elas. Posicionamento A Tribuna entrou em contato com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) que informou, em nota, que a revisão no valor das prestações é feita com a finalidade de adequá-la à capacidade de pagamento dos clientes, desde que seja constatada baixa renda mediante a apresentação de comprovante de renda de todos os participantes do contrato. A companhia ressalta, ainda, que no caso da Baixada Santista essa revisão pode ser solicitada a qualquer momento pelo telefone (13) 2104-6900 ou pelo e-mail gr-santos-atendimento@cdhu.sp.gov.br. Os valores das prestações são apurados de acordo com o comprometimento de renda declarado à época da assinatura do contrato, sendo atualizado anualmente, conforme previsão contratual. A CDHU reitera que o mutuário paga o valor que a capacidade econômica permite e não o valor integral do financiamento, uma vez que parte é subsidiada por recursos públicos e que não há a aplicação de juros sobre juros, conforme previsto contratualmente. No caso da Cláudia Rodrigues Aguiar, a CDHU informa que, desde o começo do financiamento, em abril de 2013, apenas 14 prestações foram pagas. O financiamento se encontra na prestação 136. Em fevereiro de 2015, por exemplo, foi firmado um acordo entre a CDHU e Claudia, com parcelas no valor de R\$ 39,42, porém ele não foi cumprido. Por isso, após tentativas de acordo, o imóvel voltou para propriedade da CDHU. Sobre os outros dois casos apresentados, a gerência de mutuários da CDHU não conseguiu localizá-los.