[[legacy_image_278649]] Era manhã de sexta-feira, 23 de junho, quando a família de Stephanye Oliveira, de 24 anos, recebeu a pior notícia que uma família poderia receber: a cirurgiã-dentista foi reconhecida como vítima do acidente fatal que aconteceu na Rodovia Anchieta no início do dia. Ela voltava para casa em um carro de aplicativo com o motorista Caio Moralesquando ocorreu o acidente e o veículo foi esmagado entre dois caminhões. Em suas redes sociais, a mãe da dentista, Michelle Arruda, postou uma carta aberta emocionante. “Aqui está muito difícil sem você, você nem imagina o quanto... Só de pensar que você não vai mais entrar pela aquela porta e dizer: o que tem comida nessa casa? [...] Tá doendo tanto, mas tanto que chega rasgar o peito de tanta dor. Sabe, aquela frase não é clichê, ‘só sabe quem passa’, e não desejo essa dor pra ninguém”, escreveu. “Por onde passava contagiava com sua simpatia. Carinhosa, bondosa, humilde… Gostava de ajudar as pessoas e se visse alguém pedindo comida na rua , logo comprava um lanche, um refri e dava”, relembra com saudosismo. A mulher ainda relata que Stephanye até adotou um morador de rua, que ficava próximo de uma clínica em São Vicente. Também contou do desejo da filha de acolher outro morador de rua, na época do ensino médio, levando um cobertor para que ele não passasse frio. “Você era assim e quem conhece sabe, fazia amizade com todo mundo, porteiro, faxineiro ... Conversou uma vez e gostou, pronto já dizia que era seu amigo”. DorA família conta para a Reportagem que soube do ocorrido por meio de uma amiga, que dividia um apartamento com a dentista e que foi a primeira a saber da tragédia. “Essa amiga não tinha o costume de ir em nossa casa, então quando ela chamou, a gente sentiu algo estranho. Não tínhamos certeza do que era, mas sabíamos que algo tinha acontecido”, conta Nilton Oliveira, pai de Stephanye. Nilton diz que a família ainda não sabe o que a dentista estava fazendo em São Paulo e que o caso está sob investigação. Ele também conta que não gostava que a filha fosse à capital e que sempre ficava apreensivo. “Ela estudou e morou durante dois anos lá (SP), mas conseguimos trazê-la para concluir a faculdade aqui [...] Você pode até me perguntar o porquê de não querermos que ela fosse para lá. Olha, eu não sei te dizer. Era uma coisa nossa, só queríamos ela perto. Nosso medo se concretizou”. Para ele, a filha do meio era sinônimo de alegria, pureza e bondade. “Ela estava na flor da idade, tinha uma vida inteira pela frente, que infelizmente foi ceifada por esse acidente. Quer dizer, isso não foi um acidente, foi um crime”. Stephanye havia se formado há pouco mais de dois anos e tinha muitos sonhos e projetos. Ela estava chegando em Cubatão, cidade em que morava, quando o acidente aconteceu. “É difícil demais, demais, demais… Só quem passou sabe o que é e ainda continua sendo e eu não sei por quanto tempo irá durar, a gente tá tentando lutar, mas essa é uma coisa que consome as nossas forças. De tudo o que eu já passei na minha vida, esse é o tipo de fardo que é pesado de carregar”, diz Nilton. ProtestoA família e os amigos de Stephanye e também de Caio estão mobilizando uma paralisação para o próximo fim de semana, para reivindicar o direito dos dois jovens que morreram na Anchieta. De acordo com Nilton, o principal objetivo é chamar a atenção das autoridades, para que outras famílias não sofram o que sua família está sofrendo. O protesto partirá do bairro Fabril, local onde Sthehanye morou com os pais e os irmãos.