[[legacy_image_275831]] O judoca cubatense Marcus Vinícius Mota, de 14 anos, e sua mãe, a recepcionista Sandra Mota, de 49 anos, correm contra o tempo para que o atleta consiga disputar o campeonato Pan-americano de judô, que será realizado no mês de junho em Lima, no Peru. Isso porque, de acordo com Sandra, a família necessita levantar uma alta quantia de dinheiro para custear a viagem dentro de prazos apertados. Sandra conta que seu filho passou por várias seletivas antes da convocação para o Pan-americano, e que as viagens e inscrições até então eram custeadas pela própria família do judoca. No entanto, após Marcus passar pela seletiva do Pan-americano de Lima, realizada no último dia 2, no Rio de Janeiro, a família deparou-se com dificuldades financeiras. Na ocasião, o esportista conquistou o primeiro lugar no Campeonato Nacional de Judô na categoria sub-15 super pesado (+81kg), o que o credenciou para a disputa do torneio internacional. “Quando ele passou pela seletiva no início do mês, a gente recebeu a pancada referente aos valores e ao prazo”, relata, afirmando que o prazo para levantar o que segundo ela era um “montante expressivo” de dinheiro, com valores girando em torno dos 10 mil reais. Na mesma semana, logo após retornarem para Cubatão, Sandra diz ter agendado uma reunião com a Secretaria Municipal de Esportes de Cubatão (Semes) para verificar se existia alguma possibilidade de a administração municipal ajudar seu filho. Na reunião, ela ouviu do secretário de Esportes do município, Alessandro Bortolomasi, que a Secretaria não tinha condições de arcar com os custos do atleta. Na mesma reunião, foi levantada a possibilidade de que as despesas fossem pagas através de uma iniciativa que a cidade possui com empreendedores. Para isso, seria necessária a abertura de um processo para verificar se alguma empresa parceira estaria interessada em financiar o judoca. Entretanto, de acordo com Mota, a alternativa era inviável, pois a família teria que pagar as despesas de Marcus do próprio bolso a priori, para que depois ela fosse ressarcida pela empresa interessada. “Se eu tivesse condições de estar pagando, eu não estaria pedindo ajuda”, diz. Além disso, os prazos curtos para a realização da inscrição e do pagamento da taxa de adesão tornaram ainda mais complicada essa opção. Sandra revela que também tentou contato com o Prefeito Ademário Oliveira e com o Secretário de Governo, Cesar Nascimento, mas não obteve retorno em nenhum dos casos. “O que me chateia é não receber uma resposta. Mesmo que seja negativa, que dê uma satisfação”, desabafa. Bolsa AtletaEm fevereiro deste ano, Cubatão abriu inscrições para o programa Bolsa Atleta, o qual contempla esportistas de no mínimo 14 anos de idade que representam exclusivamente e residem no município, possuem alto rendimento em modalidades olímpicas e praticam esportes que constam no calendário anual do Estado. É o caso de Marcus Vinícius, que teve seu contrato assinado pela mãe no mesmo mês em que o programa foi lançado. “Assinei o contrato para começar a receber [o auxílio] em março. Até hoje, não caiu um centavo na conta”, alega Sandra. PrefeituraEm nota, a Prefeitura de Cubatão e o secretário de Esportes Alessandro Bortolomasi afirmaram que o Município não possui condições de arcar com os custos de Marcus Vinícius. “A taxa cobrada pela Confederação Brasileira de Judô, R\$ 10 mil, para que o atleta represente o Brasil na competição, está muito aquém da realidade dos esportistas brasileiros. A Prefeitura de Cubatão não possui condições legais de arcar com essa taxa por meio dos cofres públicos”, diz o Secretário. O comunicado ainda reconhece que o atleta é beneficiário do programa Bolsa Atleta da cidade e que o contrato dele, já assinado, está em processo de pagamento, o que deve ocorrer até o fim deste mês. Segundo a nota, o judoca receberia essa ajuda de custo durante um período de 10 meses. Corrida contra o tempoSem ajuda do município e sem patrocínio, Sandra decidiu recorrer a uma vaquinha para arrecadar os fundos necessários para pagar a inscrição e a viagem de Marcus. A princípio, era mais urgente o arrecadamento de R\$ 5 mil para pagar a taxa de adesão ao Pan-americano, que venceu na segunda-feira (19). Até o momento, a vaquinha conseguiu juntar apenas R\$ 2,1 mil. Contudo, a recepcionista afirma ter conseguido pagar a taxa após a tomada de um empréstimo bancário. Agora, a família do judoca corre contra o tempo para juntar mais R\$ 5000,00 para custear as passagens para Lima. Além da vaquinha, os familiares iniciaram também a venda de uma rifa valendo um Pix de R\$ 500. Segundo Sandra, ela tem até o próximo sábado (24) para arrecadar o valor. Essa data é o limite para arrumar toda a documentação necessária e efetuar a compra das passagens. Isso porque segunda-feira (26) é o prazo final para registrar esses documentos no sistema da Confederação Brasileira de Judô. VaquinhaPara colaborar com a vaquinha, o doador interessado em contribuir com qualquer valor deve acessar o link aqui.