[[legacy_image_227885]] O sonho de conquistar a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e poder exercer a profissão estava próximo de se tornar realidade na vida do morador de Cubatão Oscar de Lira, quando ele sofreu um acidente com ônibus e morreu na última terça-feira (7), em Santos. Após se formar em Direito, o jovem de 25 anos tinha passado na primeira fase do exame da OAB e faria a segunda prova no próximo domingo (11). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Só faltava esse teste para ele pegar a credencial da OAB, que era o sonho dele”, explica o técnico em logística e amigo pessoal do jovem, Flavio Augusto de Souza. Em entrevista para A Tribuna, ele conta que Oscar queria se tornar advogado para ajudar a família e poder estruturar as ações e projetos que ele fazia parte. Embaixador da ONG Madrugada do Bem da Baixada Santista, que ajuda a população em situação de rua, Oscar morreu na data seguinte ao Dia Internacional do Voluntário, celebrado na segunda-feira (5). Ele era muito engajado nas causas sociais e por meio do voluntariado, fazia amizades. Hoje, segundo os amigos, deixa um legado de amor ao próximo. Companheira de Oscar na ONG, Isabela Maria de Resende Cavalcante diz que o jovem se destacava nas ações. Ela o conheceu em um projeto no fim de 2019 e, desde então, criou um laço de amizade. “Ele era um ponto de luz, uma das pessoas mais fortes que já conheci na vida, me ensinou muito”, ressalta. Assim como Isabela, Flavio conheceu o amigo em uma ação social em 2019. Ele explica que viu um “um brilho no olhar e ternura no coração” de Oscar. “Mas o que me chamou mais atenção foi a idade dele”, relata, dizendo que o jovem foi nomeado embaixador de ONG com apenas 22 anos. “Não por status, mas porque ele tem virtude e características de um líder. Ele se preocupava com toda ação, independente de ter 50 ou 200 pessoas”. [[legacy_image_227886]] De acordo com Flavio, o jovem mobilizava apoiadores de Praia Grande a Bertioga em prol de fazer o bem. “Doar não em questão financeira. Mas, doar um pouco de si mesmo nas abordagens”. Isabela, por sua vez, diz que as pessoas em situação de rua perguntavam por Oscar e comemoravam sempre que o viam. “O Bem da Madrugada e, principalmente, o Oscar, não queria só dar o alimento, queria conversar, acolher, abraçar as pessoas. Ele os ajudava a tirar RG, conseguir médico, corria por eles. Costumava falar que Oscar era a voz deles. As pessoas eram invisíveis e ele tinha voz”, enfatiza a jovem. LegadoIsabela afirma que a morte do amigo a mostrou que a vida “é um sopro”, mas espera que toda a movimentação entorno do assunto gere inspiração para as causas sociais. "Enquanto estamos aqui, é importante darmos nosso melhor”, enfatiza. De acordo com ela, os coordenadores da ONG e os projetos parceiros seguirão com o trabalho, agora com ainda mais força, para honrar o legado de Oscar. Segundo Flavio, o amigo ensinava os voluntários a conversar com a população em situação de rua. “A gente tinha que se agachar e até mesmo sentar na posição em que pudéssemos olhar nos olhos daquelas pessoas para que eles não nos olhassem com superioridade, como se a gente tivesse em outro nível”, relembra, dizendo que procuravam agir de maneira humanizada. Ele ainda enfatiza que por diversas vezes, Oscar chegava do trabalho social de madrugada e levantava para trabalhar logo de manhã. “O corpo físico estava cansado, mas a mente e o espírito dele estavam satisfeitos. Sorriso no rosto sempre”, afirma. Para Flavio, os ensinamentos de Oscar jamais serão esquecidos, assim como as palavras que ele dizia antes de toda ação: “Podíamos estar em qualquer lugar do mundo, fazendo várias coisas, mas hoje estamos aqui, fazendo o bem por pessoas que nunca vimos antes. A ação de hoje nunca será igual a anterior ou até mesmo a próxima. O importante é que estamos aqui hoje e faremos nosso melhor por eles". [[legacy_image_227889]] OABSe não tivesse a vida interrompida, Oscar daria um passo importante rumo ao sonho de ser advogado no próximo domingo (11), com a última fase da prova da OAB. O exame acontece em duas fases, sendo a primeira com 80 questões de conhecimento geral. “Cai de tudo que aprendeu na faculdade”, explica o diretor-adjunto de Relações Institucionais da OAB-Santos, Cezar Hyppolito do Rego. De acordo com ele, o candidato precisa acertar metade da prova para avançar de fase, como Oscar já tinha feito. “A segunda fase é específica, então o candidato escolhe uma matéria, por exemplo, Direito Penal. Vai ser dado um problema para ser feito uma peça prático-profissional, como uma contestação ou apelação”. De acordo com ele, além desta peça, o candidato precisa responder também perguntas específicas sobre o tema escolhido. “Se for aprovado na segunda fase, de fato passou na prova da Ordem e tem o direito de obter a carteira dos advogados e atuar”, finaliza Cezar.