Isabela trabalha em causas sociais desde os 15 anos (Bárbara Silva de Souza/Divulgação) Uma jovem de 22 anos da Baixada Santista recebeu um prêmio internacional pelo trabalho em defesa da justiça social de gênero. A homenagem é denominada Girl Hero, entregue pela Fundação das Nações Unidas, vinculada à ONU, e pelo movimento Girl Up, do qual a ativista Isabela Cavalcante, de Cubatão, é membro. Ela será a primeira mulher da região a receber tal reconhecimento. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Isabela trabalha em causas sociais desde os 15 anos, quando, ainda no Ensino Médio, produziu um documentário sobre uma escavação submarina que ameaçava a fauna e a flora no mangue em Cubatão. Hoje, estuda Direito e Relações Internacionais e é a mais jovem das conselheiras municipais da Condição Feminina nessa cidade. “Foi no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia em Cubatão que entendi como as coisas funcionam e o porquê de algumas desigualdades. Isso me deixava superindignada”, relata. Sua paixão pela pesquisa a levou a publicar artigos em periódicos internacionais sobre direitos de mulheres e crianças. No curso técnico, seu trabalho de conclusão de curso foi uma pesquisa de campo sobre as delegacias da mulher na Baixada Santista. Nela, comparou quantos estavam presos por agressão e quantos por crimes patrimoniais, como furto de celular. No trabalho, constatou que, em Cubatão, apenas 3% dos agressores de mulheres foram presos, e mais da metade dos casos de crimes patrimoniais resultou em cadeia. “Percebi que a vida de uma mulher vale menos que um celular.” Dignidade e saúde Isabela também idealizou projetos de lei para que estudantes de escolas públicas da região tenham acesso a absorventes no período menstrual. Também em relação ao tema, criou uma organização não governamental (ONG) contra a Pobreza Menstrual, promovendo campanhas de conscientização e distribuição de absorventes. Trata-se de um assunto difícil de lidar, segundo a ativista, por dois motivos: a Câmara Municipal é quase toda formada por homens, e “houve muito preconceito” porque “as pessoas achavam que era algo supérfluo, justamente porque não estava na realidade delas”. Falar em dignidade menstrual impacta diretamente a vida das jovens. Segundo Isabela, uma em cada quatro alunas deixa de frequentar a escola quando está menstruada, porque não tem acesso a absorventes. “Já frequentei comunidades em Santos onde meninas usavam folha de papel de caderno para conter a menstruação. Quando garantimos a dignidade menstrual para essas mulheres ou meninas, garantimos também uma vida social digna, confiança e sentimento de liberdade com o próprio corpo.” O trabalho ocorre há quatro anos na região, e Isabela já vê os frutos dele: “Hoje, as meninas que atendíamos com 10 anos têm 14 e palestram nessas rodas de conversa que realizamos”. Espaços públicos Para Isabela Cavalcante, jovens podem se engajar em grêmios e coletivos formados por amigos para prestar atenção às condições de espaços públicos, como delegacias da Mulher e centros de Referência em Assistência Social. Em um horizonte mais amplo, ela está se formando em Relações Internacionais por perceber que problemas existentes no Brasil são enfrentados em outros países. E o prêmio Girl Hero destaca a importância da mobilização juvenil na luta por direitos e justiça em escala internacional, de acordo com ela. “É um incentivo para continuarmos lutando por um mundo mais justo e igualitário, onde meninas são protagonistas”, declara Isabela, que diz esperar ver cada vez mais garotas em posições de liderança nos próximos anos.