Nas imagens mais recentes, a área aparece ainda mais tomada pela natureza (Reprodução/Youtube) Marcada pelo abandono, pela natureza em meio ao concreto e por histórias de festas que circulam nas redes, em contraste com a vida cotidiana de uma cidade industrial. Assim é a chamada “Ilha de Cubatão”, que possui uma mansão aparentemente abandonada e registros noturnos de encontros e raves à beira da maré. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em algumas das imagens que circulam nas redes sociais, casas e estruturas escuras em meio à vegetação servem de cenário para festas informais, luzes e música. Ao contrário do que muitos podem imaginar, no entanto, não existe oficialmente uma “ilha isolada” administrada como território próprio dentro da cidade de Cubatão. O que é popularmente chamado assim por moradores e visitantes estaria relacionado à região conhecida como Ilha Caraguatá, um bairro com cerca de 8 mil moradores que surgiu a partir de antigas áreas de manguezal e terrenos entre canais de água, e não uma ilha completamente isolada no sentido geográfico clássico. História da região e transformação urbana A Ilha Caraguatá tem uma história longa dentro da formação urbana de Cubatão, na Baixada Santista. Fundada por volta de 1968, hoje é um bairro consolidado da cidade, com ruas, comércio, residências e presença de equipamentos públicos, além de eventos tradicionais, como a Festa do Peixe, que reúne famílias e atrações musicais. Parte dessa região ainda dialoga com áreas mais naturais, manguezais e canais que se conectam com o sistema hidrográfico da Baixada Santista, e ali surgem espaços menos vistoriados e pouco utilizados, inclusive algumas construções que caíram em abandono ou são pouco documentadas oficialmente. Esse limbo urbano entre infraestrutura e natureza facilita que locais sejam usados informalmente para encontros e festas, muitas vezes sem qualquer autorização ou estrutura de segurança. Entre raves e realidade Os registros que circulam na web mostram cenas que parecem saídas de uma narrativa paralela de Cubatão: uma espécie de mansão tomada pela natureza, com paredes marcadas pelo tempo e festas cheias de luzes. Especialistas em exploração urbana e moradores informais apontam que lugares como esse podem virar espaços de cultura alternativa fora do circuito turístico ou oficial das cidades grandes, e seus registros circulam mais em vídeos amadores do que em relatos oficiais. Desafios e perigos Apesar da atmosfera “cool” que esses encontros podem sugerir, há riscos. Regiões alagadiças, com acesso precário e sem infraestrutura de emergência representam perigo real para frequentadores, além de dificultar a fiscalização policial e sanitária. Casos de acidentes e resgates em canais e rios em torno da Ilha Caraguatá já foram noticiados, inclusive com buscas de equipes de bombeiros por pessoas desaparecidas nas águas do entorno. O que resta hoje Nas imagens mais recentes, a área aparece ainda mais tomada pela natureza ou em estado de abandono, sem grandes sinais de atividade humana regular. Alguns trechos sugerem uma atmosfera quase pós-industrial, com construções semidilapidadas e uma sensação de isolamento, que alimenta tanto o fascínio dos exploradores urbanos quanto a preocupação de moradores pela segurança do local.