[[legacy_image_284411]] O homem que matou a ex-namorada a facadas no ano passado em Cubatão, na USAFA onde ela trabalhava, foi condenado a 21 anos de prisão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe. O julgamento ocorreu no final da tarde desta quinta-feira (27). O crime aconteceu em abril do ano passado. Andreia Ribeiro da Silva trabalhava com a vítima e foi uma das testemunhas de acusação no julgamento. Para ela, o crime foi premeditado. "Ele ficou a tarde inteira conversando com ela e esperou todo mundo sair. Eu era controladora de acesso e não podia ficar lá fora, ficava lá dentro. Ele esperou que eu entrasse r para cometer o crime na parte de fora da unidade", contou para a TV Tribuna. Minutos antes de morrer, a jovem teria falado para a colega de trabalho que o ex, Edson Batista da Silva, de 36 anos, era muito possessivo e por esse motivo ela tinha terminado o relacionamento. Ele, porém, não aceitava e queria reatar. "Ele se mostrava uma coisa pra gente na unidade. Ia lá, dava uma de que era totalmente apaixonado, só que a realidade era outra. A Ana Paula estava muito fechada para falar que estava sendo abusada. Só que a achei meio estranha e comecei a conversar com ela. Perguntei o que estava acontecendo. Foi aí, que ela me contou", explicou. Ana Paula Trajano, de 29 anos, namorou com Edson por apenas dois meses. Ele não aceitou o fim da relação e cometeu o crime. Edson foi preso em flagrante e assumiu o assassinato. Ele está preso há um ano e quatro meses. A vítima era professora de formação mas trabalhava na área da saúde na Unidade de Saúde da Família (USafa) da Vila Natal. Ela entregava remédios aos pacientes e sonhava em cursar Farmácia. A família dela não se conforma e seus irmãos acompanharam o júri com sua foto estampada no peito. Elvis Trajano Firmo Barbosa, um dos irmãos, contou à TV Tribuna que ela era uma menina pacata e trabalhadora, muito querida. "Fazia o bem pra muita gente. Todo mundo gostava dela no bairro, era muito querida pela família". João Vieira Barbosa, que também é irmão de Ana Paula, reforça que, agora, só ficam a saudade e a raiva pelo que aconteceu. Ele afirma que o responsável pelo crime "não aparentava ser o que foi". "Convivemos com ele por pouco tempo, a gente deu trabalho para ele na loja do meu pai. Aparentemente era um cordeirinho, uma pessoa bem sociável. Não aparentava que ia agir dessa forma, essa crueldade. Foram nove facadas, ele não deu direito a ela de lutar pela vida". O promotor chegou a mostrar a faca usada no crime para os pais da vítima e as testemunhas, pessoas que trabalhavam com Ana Paula na unidade de saúde. O réu vai responder pelo crime de homicídio triplamente qualificado, quando a vítima não tem condições de defesa, é por motivo torpe e também por ela ser mulher. Para o pai da vítima, Eduardo Firmo Barbosa, o crime não deveria ter defesa. "O que eu vi ali é uma pessoa que se sair na rua faz tudo de novo", desabafou. Ana Paula deixou um filho, que hoje tem cinco anos de idade e vive com a mãe dela, Maria José Trajano. Em entrevista para a TV Tribuna, ela afirma que é o menino que lhe dá forças para aguentar. "A partir do momento que acordo já estou com o pensamento nela. É muito difícil. Criar o filho dela depois de tudo isso pra mim é uma benção, porque eu olho e vejo que é um pedaço dela".