[[legacy_image_121331]] Os pontos de ônibus de Cubatão amanheceram cheios nesta segunda-feira (8). Isso porque os motoristas da Viação Fênix, responsável pelos transporte público municipal, estão de braços cruzados. Eles também fazem o transporte escolar na Cidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quem precisou sair de casa teve de se virar. Foi o caso da estudante Paloma Carolina da Silva Gonzaga, 18 anos, saiu cedo de casa para verificar documentação do Bolsa Família. Sem ônibus, teve de usar serviço de aplicativo para sair do Casqueiro até o Centro. "Gastei R\$ 16,00. A passagem custa R\$3,40. E agora tenho que pagar mais R\$ 16,00 para voltar". [[legacy_image_121332]] Com orçamento apertado, o motorista Eduardo Machado Bonfim, 43 anos, caminhou quase uma hora e meia para não perder a consulta médica. "Vi na internet que não tinha ônibus. Moro no Bolsão 9 e vim andando. Ia ficar muito caro vir de Uber e precisava passar pelo médico". Já o aposentado Justino Alves Teixeira, 73 anos, tem isenção de tarifa por conta da idade. Mas nesta segunda ficou sem a opção de utilizar o transporte de graça. "Precisava pagar uma conta. Se não fizesse, teria multa. Então, paguei um carro desses aplicativos. Fazer o quê? É a opção que tinha". [[legacy_image_121333]] Detalhes Os 120 motoristas da Viação Fênix decidiram paralisar as atividades porque a empresa não pagou o reajuste de 7,59% acordado em maio. O índice deveria ter sido repassado aos salários quitados em junho. Mas até agora nenhum centavo dessas diferenças salariais foi depositado na conta dos trabalhadores. "A empresa disse, em agosto, que pagaria parcelado. A gente aceitou e até agora nada. Esperamos demais", disse um motorista que não quis se identificar. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santos e Região, Carlos Evangelista, diz que, até por volta das 10h30, não havia sido procurado pela empresa e nem pela Prefeitura. [[legacy_image_121334]] "Estamos aguardando um contato deles. A empresa se comprometeu desde maio a pagar o reajuste. Fizemos acordo para o parcelamento, porém nada ocorreu até agora". Em nota, a prefeitura informa que o motivo da paralisação se dá exclusivamente por reivindicações trabalhistas do sindicato à empresa Fênix. Já as solicitações feitas pela empresa à Administração Municipal, referentes às clausulas contratuais, estão correndo sob os trâmites administrativos e processuais. A Prefeitura já comunicou o Judiciário sobre a greve. Já a empresa Expresso Fênix Viação, concessionária de transporte coletivo de Cubatão, reforçou em nota que a greve atinge 100% das linhas, mas que trabalham para garantir a operação nos percentuais determinados pela lei, principalmente nos horários de pico. Confira a nota na íntegra: "A Expresso Fênix Viação, concessionária de transporte coletivo de Cubatão, vem através desta, informar à população cubatense que na data de hoje, 8 de novembro de 2021, se deflagrou o movimento grevista, organizado pelo Sindicato de Motoristas. Informamos que a greve deflagrada pelo sindicato atinge 100% das linhas. Informamos, ainda, que já acionamos nosso departamento jurídico, buscando garantir a operação nos percentuais determinados pela lei, principalmente nos horários de pico. A greve se dá por razões pertinentes à classe trabalhadora, no que tange a não concessão de reajuste salarial pleiteado pela entidade. Infelizmente, sem o reequilíbrio do contrato de concessão (Direito da Concessionária e Dever da Prefeitura), restamos impossibilitados de atender o pleito da classe trabalhadora. Alertamos a Administração Municipal desde o início da concessão, ainda em 2019, que o número de passageiros realizado, sempre foi diferente daquele estimado no edital de licitação. Buscamos a racionalização do sistema, a fim de que se obtivesse equilíbrio econômico, garantindo aquilo que a constituição prevê como essencial: transporte público de passageiros. Mesmo após o cumprimento da decisão judicial, que julgou ilegal a atuação do transporte alternativo, o equilíbrio não se instalou. Embora a demanda tenha crescido, a oferta também cresceu. E em momento algum, houve equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão, conceito e premissa prevista em lei. Reiteramos, por dezenas de protocolos, que o prejuízo apurado mensalmente deveria ser reparado, e que o sistema de transporte coletivo estava à beira do colapso. Depois de 20 meses, se esforçando para manter o transporte coletivo de pé, infelizmente, hoje se registra a primeira paralisação das atividades, desde que nos instalamos na cidade, em Cubatão. Importante destacar que a evolução de custos no transporte coletivo, envolve uma série de fatores, os quais destaca-se o óleo diesel, que desde o início da pandemia, já acumulou aproximadamente 75 % de reajuste. Destacamos que, mesmo não tendo receitas suficientes para custear a operação como um todo, jamais, nossos funcionários ficaram sem receber salários e benefícios, os quais estão em dia, sem atrasos. A responsabilidade para com nossos funcionários e colaboradores, se mantém, e sempre se manterá durante o exercício das atividades. Embora diversas reuniões tenham sido realizadas com a Prefeitura, inclusive com a presença do sindicato dos motoristas, até o presente momento, nenhuma tornou-sefrutífera. A velocidade e urgência dos atos da Administração Municipal, infelizmente não acompanhou a velocidade e urgência que o sistema de transporte coletivo necessita. Por fim, frisa-se que o desequilíbrio contratual pela Prefeitura Municipal de Cubatão para conosco, aproxima de R\$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais)."