Júlia, Maria Luiza e Priscilla propuseram exercícios físicos como complemento ao tratamento do HIV (Carlos Abelha/TV Tribuna) Três estudantes de Medicina de uma universidade de Cubatão foram selecionadas para apresentar uma pesquisa na 26ª Conferência Internacional sobre Aids, o maior evento do mundo dedicado à saúde, à ciência e aos direitos humanos relacionados ao HIV. O encontro será entre os dias 26 e 31, no Rio de Janeiro. As alunas da Universidade São Judas Júlia Costa Gusmão, de 20 anos, Maria Luiza Junqueira de Lima, de 21, e Priscilla Rodrigues Gonçalves, de 23, estão no quarto semestre e desenvolveram um trabalho que propõe a prática de exercícios físicos como complemento ao tratamento de pessoas que vivem com HIV. O projeto foi orientado pela professora Fabiana Estrela e recebeu convite da Sociedade Internacional de Aids (IAS), organizadora da conferência. Elas foram as únicas do Brasil a ter uma pesquisa afiliada aprovada. A proposta surgiu durante uma atividade em sala de aula. A partir de uma discussão sobre HIV e aids, as estudantes decidiram investigar como a atividade física poderia contribuir para a qualidade de vida dos pacientes. No estudo, se constatou que a prática regular de exercícios pode reduzir os efeitos da inflamação crônica provocada pelo HIV, diminuir riscos cardiovasculares, alterações metabólicas e perda de massas muscular e óssea. Também há benefícios para a saúde mental. “Pensamos em trazer o esporte para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, de forma mais humanizada”, relembrou Júlia. “Sabemos que o tratamento com antirretroviral é de suma importância. Porém, o exercício, por não ser uma terapia medicamentosa, às vezes, não é muito abordado”, comentou Priscilla. Foram três meses até o resultado final. “Não esperávamos que fôssemos selecionadas, mas estamos muito felizes, realizadas e orgulhosas de o projeto ter atingido essa importância, que ele merece", disse Maria Luiza. Além das estudantes, outros alunos da instituição participarão do evento como voluntários. Fabiana Estrela orientou projeto; Evaldo Stanislau coordena curso (Carlos Abelha/TV Tribuna) Antes, sentença Quase cinco décadas após os primeiros casos de Aids serem identificados, a doença deixou de representar uma sentença de morte. Desde 1996, o Brasil oferece gratuitamente medicamentos antirretrovirais pelo SUS, permitindo que pessoas com HIV tenham expectativa e qualidade de vida semelhantes às de uma pessoa não infectada, desde que o diagnóstico seja precoce, e o tratamento, seguido. “Mas o melhor é viver sem o vírus. Precisamos reforçar essa mensagem porque a infecção continua crescendo entre os jovens”, afirmou o médico infectologista e coordenador do curso, Evaldo Stanislau. Estatísticas locais Prefeituras da região apontam menos registros de aids entre janeiro e maio, na comparação com igual período de 2025. Santos registrou queda de 67% nos casos; São Vicente, de 55,6%; Peruíbe, de 43%, e Itanhaém, de 28%. Outras cidades apresentaram dados de forma diferente. Em Bertioga, houve 31 casos em 2024, 35 em 2025 e 14 até maio último. Mongaguá informou quatro casos de janeiro a maio deste ano, após registrar 12 em 2024 e 16 em 2025. Dois termos HIV É o vírus que ataca o sistema imunológico. Aids É a síndrome que pode se desenvolver quando a infecção pelo HIV não é tratada e compromete as defesas do organismo. Além do tratamento gratuito, o SUS oferece testagem rápida, profilaxia pós-exposição (PEP) e profilaxia pré-exposição (PrEP), medidas consideradas essenciais para reduzir a transmissão do vírus. João Geraldo Netto, que vive com HIV há 24 anos e é embaixador do evento (Carlos Abelha/TV Tribuna) Conscientizar Entre os participantes da conferência, estará João Geraldo Netto, que vive com HIV há 24 anos e é embaixador do evento. Em redes sociais, desde 2008, compartilha informações contra o preconceito. “Atrelado a isso, também tem outras coisas, que são a questão do preconceito, das populações-chave, outras infecções sexualmente transmissíveis e hepatites virais.”