[[legacy_image_344464]] Em meio à regulamentação do mercado de carbono no Brasil, as empresas vivem uma mudança de paradigma ao migrar de matrizes energéticas poluentes para fontes de energias renováveis. No Polo Industrial de Cubatão, o tema é tratado como prioridade desde o início das suas atividades, com a energia gerada de hidrelétricas. No entanto, com o crescimento da produção, há um olhar cada vez mais amplo para a sustentabilidade ambiental e social. O resultado é uma evolução constante, de forma a atender as exigências dos clientes, que também buscam operações mais limpas e conscientes. “Com o passar do tempo, outra fonte de energia limpa foi introduzida para auxiliar no aumento da demanda: o consumo de gás natural. Para geração de energia solar e consumo específico, também foram instalados painéis fotovoltaicos, principalmente destinados a atividades de apoio. O Polo de Cubatão sempre está na busca de alternativas para composição de sua matriz energética. Há, por exemplo, a possibilidade de empresas da região investirem em fazendas de energia eólica, mesmo deslocadas geograficamente do local de consumo, mas que incorporem a geração na rede de distribuição de energia”, destaca o diretor-executivo do Centro de Integração e Desenvolvimento (Cide), Ricardo Salgado. De acordo com a Prefeitura de Cubatão, o Município está em condição privilegiada quando se trata da transição energética. “Qualquer investimento que for realizado na Cidade, tanto no polo petroquímico verde quanto em amônia verde, hidrogênio verde, o investidor encontra no próprio Município a prospecção de possíveis 38 clientes de grande porte: refinaria, siderúrgica e tantas outras empresas importantes para a produção brasileira”, diz o prefeito Ademário Oliveira (PSDB). As ações desenvolvidas pelas indústrias se mostram essenciais, pois o setor energético bateu novo recorde de emissões de dióxido de carbono no ano passado, conforme o relatório CO2 Emissions in 2023, da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Os estudos mostram que a geração hidrelétrica foi prejudicada por secas severas, devido ao fenômeno El Niño, aliado às mudanças climáticas. O documento revela que a situação poderia ter sido pior, se não fossem a expansão das fontes renováveis de energia e o aumento da participação dos veículos elétricos nos transportes. “As formas de obtenção e uso de energia estão entre as principais origens dos impactos ambientais mais significativos da humanidade. Exemplos são as emissões oriundas dos veículos, da geração de vapor e operações industriais, da geração de eletricidade etc. Assim, buscar formas de menor impacto ambiental para produzir e usar a energia é parte fundamental da estratégia da sustentabilidade nas empresas”, afirma o doutor em Ciência Ambiental e mestre em Energia, docente e pesquisador do programa de pós-graduação stricto sensu em Direito da Unversidade Católica de Santos (UniSantos), Flávio de Miranda Ribeiro. Ribeiro destaca haver urgência para que sejam mínimas as emissões de gases de efeito estufa, com menos poluentes primários e que colaborem com a preservação da biodiversidade, promovam a inclusão social e gerem mais empregos na cadeia da economia verde. “Algo, para ser mais sustentável, deve estar associado a aspectos como quantidade de consumo de recursos naturais, se as fontes de energia são renováveis ou não; em quais e quanto de emissões temos os impactos (negativos ou positivos) à população do entorno dos empreendimentos”, exemplifica. [[legacy_image_344465]] Metas de transiçãoCom a previsão de que o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) seja introduzido em seis anos a partir da aprovação do projeto de lei do mercado de carbono, prevista para este ano, as indústrias também estabeleceram metas de transição energética. A Unipar espera migrar, até 2025, para 60% de energia elétrica de fonte renovável e 65% do volume de produtos fabricados com energia elétrica renovável. També pretende, no curto prazo, reduzir em 10% as emissões de CO2 (escopos 1 e 2) e ter 100% de toda a energia que abastece as fábricas no Brasil de origem renovável. Do total, 80% serão via autoprodução, etapa a ser concluída já neste ano. Os 20% restantes são adquiridos via contratos de longo prazo de energia renovável no mercado livre. Os investimentos da empresa incluem a construção de três parques de energia solar e eólica. No Parque Eólico em Tucano (BA), a Unipar atua diretamente como acionista em sociedade com o parceiro com o qual constituiu a joint venture. Inaugurado em outubro, o parque foi o primeiro grande projeto de energia limpa com participação da companhia a entrar em operação, ainda em abril do ano passado. O projeto contribuirá para evitar a emissão anual de 57,6 mil toneladas de gases de efeito estufa. O Complexo Solar Lar do Sol, em Pirapora (MG) entrou em operação comercial também em abril de 2023 e já fornece energia renovável para a fábrica da indústria de Cubatão. Os dois, juntos, respondem por um volume de energia de autoprodução correspondente a 59% da capacidade de geração dos três parques de energia renovável, que contam com a participação da Unipar — incluindo o Complexo de Cajuína (RN), outra joint venture de energia eólica com outro parceiro, em fase pré-operacional. Está em construção uma nova planta, no Polo Petroquímico de Camaçari (BA), que será a primeira da empresa no Nordeste e o primeiro projeto greenfield (iniciado do zero) da estratégia de expansão geográfica da Unipar. A Yara tem como meta reduzir as próprias emissões em 30% até 2030 e tornar-se neutra para o clima até 2050. Para isso, possui iniciativas voltadas a promover transição energética em suas operações e ajudar na descarbonização das cadeias agroalimentar e industrial, como o uso de biometano no Brasil, parcerias com cooperativas agrícolas para a comercialização do fertilizante verde e acordos com a indústria de alimentos. Entre os principais projetos em Cubatão, está a incorporação de fontes de energias limpas e renováveis na fabricação de amônia de baixa intensidade de carbono. O biometano será a matéria-prima da amônia verde, que servirá como combustível de baixo carbono para a indústria de transporte marítimo, permitindo descarbonizar o setor de transporte e possibilitar a produção de fertilizantes de baixo carbono.