Em Cubatão, a Yara é pioneira na produção de amônia renovável no Brasil (Vanessa Rodrigues/AT) Pioneira na produção de amônia renovável no Brasil, em seu Complexo Industrial de Cubatão, a Yara, multinacional do setor de fertilizantes, passou a utilizar o biometano em sua operação, dentro dos investimentos em energia limpa para aumentar a sustentabilidade. Trata-se de um biogás purificado e originado com resíduos de cana-de-açúcar, uma fonte de energia limpa com potencial para, gradativamente, substituir o uso do gás natural. “Nossa unidade de Cubatão é, hoje, a principal produtora de amônia do país e está pronta para trabalhar com o biometano em substituição ao gás natural como matéria-prima para a produção de amônia renovável. Estamos muito orgulhosos por liderar essa transformação”, afirma o gerente do Complexo Industrial da Yara em Cubatão, Claudio Santos. O gerente afirma que o Estado de São Paulo possui grande potencial para a produção de biometano. “Precisamos apenas da resposta do mercado sobre fatores como o preço e a regulação, além de fomen<CF70></CF><CW-21>tar investimentos em infraestrutura para viabilizar a chegada do biometano ao grid de distribuição e, assim, escalar a produção. É o momento, portanto, de o Brasil fortalecer seu potencial na ampliação da oferta de energia limpa e sustentável”, projeta. Cadeias de valor A partir da amônia renovável, que apresenta uma redução em torno de 75% em sua pegada de carbono quando comparada a de origem fóssil, a Yara descarboniza sua operação e, consequentemente, impacta toda a cadeia que faz uso de seus fertilizantes nitrogenados e suas soluções industriais, que têm amplo uso nos setores alimentício, de mineração, de transporte marítimo, entre outros. “Este passo representa um avanço significativo na construção de cadeias de valor baseadas em energias renováveis. O nitrogênio é utilizado em inúmeras indústrias. Para o agronegócio, por exemplo, o impacto é enorme. Ao combinar esta nova geração de fertilizantes com menor pegada de carbono ao nosso conhecimento agronômico, traremos ainda mais valor para o agricultor – abrindo novos mercados e fontes de receita. Na cadeia do café, a expectativa é de uma redução de até 40% na pegada de carbono do grão colhido”, explica Santos. Experiência positiva com amônia renovável vem de outros países Globalmente, a Yara tem trabalhado em outras fontes para a produção da amônia renovável, devido às peculiaridades de acesso a matérias-primas nas regiões - como energia eólica na Holanda, energia solar na Austrália e energia elétrica hídrica na Noruega, além do modelo de CCS (captura e armazenamento de carbono). “Em junho deste ano, foi inaugurada nossa primeira unidade de produção de amônia renovável na cidade de Porsgrunn, na Noruega. Mas os investimentos também compreendem outras plantas de produção, buscando substituir parte da matriz fóssil por fontes renováveis para a produção de hidrogênio, matéria-prima essencial para a síntese de amônia (NH3) e, consequentemente, fabricação de fertilizantes nitrogenados", explica o o gerente do Complexo Industrial da Yara em Cubatão, Claudio Santos. Uma das principais premissas da empresa, segundo Santos, é a de buscar alternativas para sua matriz energética responsável pela produção de fertilizantes e soluções industriais, colaborando para a descarbonização das indústrias onde está inserida. “Isso faz parte de um compromisso global que a Yara tem de construir um futuro positivo para a natureza e, para atingir essa premissa, utiliza seu conhecimento centenário para o desenvolvimento de soluções nutricionais e industriais que possibilitem a transformação da indústria com foco na proteção da natureza. A Yara tem como meta se tornar neutra para o clima até 2050”, projeta o gerente. Reduções Nos últimos anos, o Complexo Industrial da Yara em Cubatão já vem reduzindo as emissões de gases do efeito estufa (GEE) com a instalação de uma tecnologia pioneira de catalisadores, que filtram o óxido nitroso (N2O), além de projetos de eficiência energética nas fábricas e a aquisição de contratos de energia elétrica renovável. “A Yara investe continuamente no Polo Industrial de Cubatão e acredita que a cidade - considerada símbolo mundial de recuperação ambiental – tem todo o potencial para liderar também a transição energética que o Brasil precisa”, finaliza Santos. Entregas As primeiras entregas de amônia renovável e fertilizantes lower carbono no Brasil foram iniciadas neste ano pela Yara. Os lotes iniciais da produção nacional de Cubatão foram destinados para a Ajinomoto, que adquiriu 600 toneladas no primeiro ano de contrato. “A Yara é parceira da Ajinomoto do Brasil há cerca de 20 anos e a amônia renovável será utilizada nos processos fermentativos da Ajinomoto, contribuindo para uma redução na pegada de carbono de seus produtos finais”, explica o gerente do Complexo Industrial da Yara em Cubatão, Claudio Santos. Além desta parceria com a Ajinomoto, segundo Santos, a Yara assinou com a Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) a primeira parceria para fornecimento de fertilizante lower carbon no Brasil e, no início de novembro, fez a entrega do primeiro lote importado da Europa, que integra o portfólio Yara Climate Choice. “Os produtos mantêm a mesma entrega de eficiência e produtividade no campo, com o diferencial da redução da pegada de carbono em até 90% se comparado ao mesmo produto de origem fóssil”, afirma.