[[legacy_image_64837]] Os 72 anos de Cubatão acontecem sob a perspectiva de apreensão e luto, como define o prefeito Ademário Oliveira. A pandemia da covid-19 instalou uma crise sanitária e econômica, obrigando o direcionamento dos esforços para a área da Saúde, na tentativa de se salvar vidas. Porém, na cidade que já foi a mais poluída do mundo – chamada de Vale da Morte –, mas conseguiu se transformar em símbolo de recuperação ambiental, a esperança de dias melhores e o poder de renovação fazem parte do DNA. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Não há um calendário de vacinação bem definido no País. Temos autonomia para comprar vacina, mas ainda não é possível fazer isso. Toda essa situação nos deixa apreensivos”, afirma Oliveira. Além disso, a politização de temas que ele classifica como “antecipação” do pleito de 2022 acaba atrapalhando a luta contra o novo coronavírus, principalmente, na ponta: os municípios. “Há a necessidade de trabalhar a conscientização, porque há pessoas que não acreditam (no cenário da pandemia)”, lamenta. Apesar de mais um ano de pandemia e de uma segunda onda mais letal, o prefeito de Cubatão ressalta que, agora que há vacina, é possível manter a esperança de que dias melhores estão para chegar. Enquanto isso, ele diz que a palavra de ordem é enxugar gastos. “Como a cidade sobrevive do ISS e ICMS, nossa receita caiu muito. Cubatão tem sua maior fonte de arrecadação na indústria, diferente dos outros municípios da região. Assim, muitos dos nossos contratos foram suspensos e outros mantivemos, mas em partes. Tudo para suplementar a Saúde. Enquanto não há vacinação em massa, é isso que temos feito”. Oliveira garante que o município adotou uma política de austeridade arrochada e que, com isso, tem conseguido manter contratos e contas no azul. “Hoje, não há nada atrasado e estamos conseguindo a manutenção de serviços essenciais e canalizando todas as energias para salvar vidas”. Segundo o prefeito, apesar de não ter um hospital do Estado, como em outros municípios da região, o equipamento municipal tem uma capacidade importante de 280 leitos, além de uma estrutura de retaguarda que tem sido fundamental no atendimento à população, inclusive, recebendo pessoas de outras cidades no momento mais crítico da pandemia. Ele salienta que a cidade não tem a gestão da quantidade de vacinas, mas vem antecipando etapas de imunização por conta de um sistema de logística funcional e uma rede robusta e descentralizada de unidades de saúde. “Estamos conseguindo fazer o enfrentamento da pandemia”, acrescenta. Desafio “Quando olhamos de fora, ainda temos uma receita per capita importante. Mas há os bastidores”, alerta o prefeito de Cubatão sobre as condições financeiras do município, que tem sua base de arrecadação na atividade industrial, mas ainda encontra dificuldades em fazer com que esse dinheiro se transforme, de fato, em qualidade de vida para a população. Isso tem exigido um planejamento pensando na diversificação de atividades. Cubatão, por exemplo, liderou, em 2017, a renda per capita na Baixada Santista (PIB dividido pelo número de habitantes), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Mas é importante lembrar que Cubatão foi considerada área de interesse para a segurança nacional (as eleições foram suspensas e o regime militar indicava prefeitos interventores). E quando a pessoa é nomeada sem receber sequer um voto, ela não se compromete com a população. Assim, aconteceram muitas desapropriações que geraram precatórios altíssimos. Alguns conseguimos estancar”, justifica Oliveira. Apesar da vocação industrial, o prefeito afirma que o desenvolvimento da cidade passa pela diversificação de atividades. “Temos que buscar nosso potencial turístico-ecológico, mas não dá para pensar nisso a curto prazo. Por isso, temos que investir na infraestrutura que deve acompanhar essa questão. Tanto do ponto de vista urbano como também no atendimento direto ao turista, como uma rede hoteleira”, exemplifica.