Refinaria Presidente Bernardes simbolizou crescimento industrial. Houve desafios ambientais, contornados (Vanessa Rodrigues/AT) Cubatão celebra nesta quarta-feira (9), os 76 anos de emancipação político-administrativa. De lá para cá, viveu altos e baixos relacionados ao meio ambiente e à industrialização. Contudo, a história do Município começa muito antes, no século 16. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o historiador Welington Borges, o primeiro ponto importante na história cubatense se deu em 10 de fevereiro de 1533, quando o nome Cubatão apareceu pela primeira vez em um documento oficial. “Cubatão está inserido no processo de colonização. Há 492 anos, houve a divisão de terras feita por Martim Afonso de Sousa para o colono Rui Pinto. E foi ele que começou a colonizar. Então, comemoramos duas datas importantes: o 9 de abril, data da emancipação, e o 10 de fevereiro, quando Cubatão passou a ser reconhecido como uma localidade oficial”, explica. Armando Cunha, primeiro prefeito (Ilustração de Jean Luciano) Emancipação e indústria O marco da emancipação político-administrativa ocorreu em 24 de dezembro de 1948, com a aprovação da Lei 233 pela Assembleia Legislativa. Em 1º de janeiro de 1949, Cubatão estava emancipada. No entanto, ainda não tinha um prefeito. Após as primeiras eleições municipais, em março, assumiu, em 9 de abril, Armando Cunha como primeiro gestor. A data tornou-se o dia oficial do aniversário da Cidade. A partir de então, Cubatão cresceu, principalmente a partir da década de 1950, quando foi escolhida para abrigar a primeira refinaria de petróleo do Brasil — a Presidente Bernardes. Foi apenas o início de um processo que transformaria a cidade no maior Polo Industrial da região, com destaque para a instalação do Polo Petroquímico e da Companhia Siderúrgica de Cubatão (Cosipa). Desafios da evolução A industrialização acelerada de Cubatão trouxe desafios ambientais. Entre as décadas de 1960 e 1980, a Cidade foi considerada a mais poluída do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tornou-se conhecida como Vale da Morte. “O maior problema foi a falta de planejamento para acomodar a grande quantidade de imigrantes que chegaram em busca de emprego nas indústrias, gerando condições de vida precárias, com áreas de moradia em locais insalubres, como as encostas das serras, no meio das fábricas”, relata Welington Borges. Eram 23 indústrias e mais de 300 prováveis fontes de poluição do ar, da água e do solo. Elas descarregavam cerca de mil toneladas de poluentes atmosféricos por dia no meio ambiente. O historiador, um mineiro que se mudou para a Cidade aos 7 anos, lembra que, “na década de 1970, sentíamos o cheiro de querosene no ar o dia inteiro. Havia casos de crianças nascendo com doenças, e a Cidade se via num quadro de degradação extrema”. Natureza e paisagem, cotidiano possível após recuperação ambientall (Alexsander Ferraz/AT) Transformação em menos de uma década Nos anos seguintes, a Cidade passou por uma transformação radical. Entre 1985 e 1992, Cubatão iniciou um processo de recuperação ambiental que incluiu o fechamento de indústrias poluentes e investimentos em projetos de reabilitação. Houve recuperação da Mata Atlântica e replantio de árvores, para restabelecer a vegetação nativa e trazer de volta espécimes que haviam desaparecido com a devastação. “Cubatão foi reconhecida internacionalmente, inclusive durante a ECO 92 (Conferência sobre o Meio Ambiente da ONU), como um exemplo de recuperação ambiental. O Município reduziu quase 100% das fontes de poluição e recebeu o título de símbolo da ecologia”, afirma Wellington Borges. Em 2012, na Rio+20, a Cidade teve um estande no qual pôde mostrar a todos os países ali representados as mudanças significativas que viveu e servem de exemplo para o planeta. Nova Realidade Hoje, Cubatão experimenta uma nova fase. A poluição foi drasticamente reduzida e, segundo o historiador, o ar que se respira na cidade é incomparavelmente mais limpo. “Não se sente mais o cheiro de querosene no ar”. Para ele, o maior avanço de Cubatão é a mudança na percepção dos próprios habitantes. “Nos anos 70, os moradores não se viam como cubatenses. Sentiam vergonha. Hoje, há orgulho em ser cubatense. A Cidade realmente prosperou”.