Antiga comunidade, formada por casas de madeira, foi incendiada após 700 mil litros de gasolina vazarem em Cubatão (Arquivo/ AT) A Câmara de Cubatão aprovou, na terça-feira (6), projeto de lei que institui o Dia Municipal da Memória, Verdade e Justiça pelas vítimas do incêndio da Vila Socó. A data será celebrada anualmente em 25 de fevereiro, em memória das vítimas da tragédia, em 1984. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na noite de 24 de fevereiro daquele ano, a antiga comunidade, formada por casas de madeira, foi incendiada após o vazamento de aproximadamente 700 mil litros de gasolina de um duto da Petrobras que passava pela região. A tragédia deixou 93 mortos oficialmente reconhecidos. A Vila Socó, atualmente chamada Vila São José, abrigava milhares de pessoas. De autoria do vereador Guilherme dos Santos Malaquias, o Guilherme do Salão (PSB), o projeto tem como objetivo preservar a memória histórica da tragédia, combater o revisionismo histórico e garantir o direito à verdade sobre os fatos. Durante a discussão da proposta, o parlamentar destacou que, por mais de quatro décadas, a versão oficial apontou 93 mortes. Em 2024, porém, um trabalho da Comissão da Verdade, Memória e Justiça da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Cidade, em conjunto com os ministérios públicos Federal (MPF) e do Trabalho (MPT), identificou, a partir de documentos sigilosos, indícios de que o número de vítimas foi muito superior ao oficialmente reconhecido. Ao comentar a tragédia, o vereador também criticou as indenizações concedidas às vítimas e aos familiares. “A gente sabe que nenhuma família aqui volta, nenhuma criança, nenhum adulto, mas foi muito pífia (a indenização), foi vergonhosa para a época. E, ainda mais, pela proporção que tomou a informação desse acidente”, disse. O projeto foi aprovado em primeira e segunda discussões e aguarda sanção do prefeito César Nascimento (PSD) para se tornar lei. A Prefeitura informou que a proposta ainda não havia sido enviada ao Executivo.