Cubatão pode se tornar a primeira cidade da Baixada Santista a zerar o número de moradores em áreas de risco. A meta depende da construção de um novo empreendimento habitacional voltado a famílias em regiões classificadas como de alto perigo, nos bairros Pilões e Vila Noel. Segundo a Secretaria de Habitação, 2.165 pessoas moram neles: 1.681 em Pilões e 484 na Vila Noel. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em outubro, reassentaram-se 150 famílias que viviam no Morro da Mantiqueira para novos apartamentos no Jardim São Francisco. Conforme a secretária de Habitação e vice-prefeita, Andrea Castro (MDB), os resultados são fruto de trabalho contínuo. A secretária também cita a urbanização da Vila Esperança, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para transformar a maior comunidade da região em um bairro estruturado. Vivem ali 19.283 pessoas. Outras frentes avançam, como a requalificação da Vila dos Pescadores, com foco na integração urbana e ambiental, e o retrofit do Edifício Castro, apontado pela Administração como o primeiro do tipo em um programa habitacional federal no País. Apesar disso, há desafios a serem enfrentados: “O principal, como em todo lugar, é o recurso (dinheiro). Habitação é cara. Só na Vila Esperança, se pegarmos os recursos destinados pelos governos Municipal, Estadual e Federal, já foram quase R\$ 500 milhões”, detalhou Andrea Castro. Próximo passo Além de buscar zerar a quantidade de moradias em áreas de risco, a secretária de Habitação ressaltou que também está prevista a entrega de 852 títulos de regularização para moradores da Vila Harmonia e da Ilha Caraguatá ainda este ano. A medida deve garantir segurança jurídica às famílias e consolidar o processo de urbanização nessas regiões. Rios, nascentes e biodiversidade rica: renascer da Cidade resulta de mudanças que deramfim ao estigma de mais poluída do mundo (Alexsander Ferraz/AT) Uma referência ambiental Conhecida como Rainha das Serras, Cubatão é abraçada pela Mata Atlântica, na encosta da Serra do Mar. Há rios, nascentes e uma biodiversidade rica. No Píer do Casqueiro, a paisagem traduz essa relação com a natureza. Entre manguezais e o movimento das marés, é possível observar guarás-vermelhos e o ecossistema local, como crustáceos que habitam o mangue. Nem sempre foi assim. A industrialização acelerada trouxe desafios ambientais. Nas décadas de 1970 e 1980, a Cidade foi considerada a mais poluída do mundo, o que impulsionou mudanças. “Não podemos esquecer isso, porque ajuda a cuidar mais da Cidade”, disse o secretário de Meio Ambiente e Segurança Climática, Cleiton Jordão. Hoje, o Município se consolida como referência em recuperação e preservação ambiental, com programas de controle da emissão de poluentes e recuperação de áreas degradadas. Pelo segundo ano consecutivo, foi reconhecido por organismos ligados à Organização das Nações Unidas (ONU) como cidade verde, título que reforça o compromisso com práticas sustentáveis e políticas ambientais eficazes. E, no ano passado, integrou a Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), destacando-se como única cidade paulista ativa na área oficial de negociações, a Blue Zone. Percepção Iniciativas ligadas ao turismo sustentável e à inclusão têm ganhado força. Projetos conduzidos por organizações independentes promovem atividades como canoagem no Rio Cubatão e visitas monitoradas a pontos turísticos naturais, como o Lago Azul e a cachoeira Véu da Noiva. As ações atraem visitantes e ajudam a mudar a percepção sobre a Cidade. Para consolidar uma imagem associada à preservação ambiental, ao turismo sustentável e ao protagonismo nas discussões do futuro climático, Cubatão fortalece sua legislação ambiental. “Quando conseguimos dar uma resposta com qualidade técnica e empoderamento de quem participa nos bastidores, temos resultados”, afirmou o secretário Cleiton Jordão.