[[legacy_image_326330]] A redução em até 95% da poluição gerada pelo Polo Industrial de Cubatão no ar, no solo e na água evidencia o avanço obtido pelo Município desde 1983, quando foi iniciado o Programa de Controle de Poluição Ambiental. Está em prática até hoje, com atuação e fiscalização de Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), comunidade e iniciativa privada. Ao todo, foram investidos US\$ 3 bilhões (R\$ 14,57 bilhões), segundo o Centro das Indústrias do Estado (Ciesp). Números da Cetesb mostram que as emissões de materiais particulados pelas empresas diminuíram de 363.353,7 toneladas por ano para 3.806,6. A redução foi possível por meio da melhor tecnologia prática disponível para cada caso, que inclui filtros de tecidos (mangas), lavadores de gases e precipitadores eletrostáticos, por exemplo. “O principal problema da década de 1980 era no ar. Atacamos com equipamentos de controle e mudança de matriz energética. Antes, se queimava óleo combustível com alto teor de enxofre, e mudamos para gás natural. (...) O número de reclamações era bastante acentuado, com relação ao odor de amônia e ao material particulado. Eram cerca de mil por ano. Fechamos o último ano com 30 reclamações. Cubatão é a única com três estações medidoras de poluição do ar, duas na área industrial e uma na urbana”, diz o gerente de agência na Cetesb, Marcos Cipriano. Um relatório apresentado pela companhia também aponta que, desde 1995, não acontecem episódios de alerta e emergência, algo recorrente entre o início e meados dos anos 1980, quando chegaram a ser registradas, em 1984, 17 ocorrências. Em meio ao processo de transformação conquistado com a união de esforços, uma mudança no cenário de Cubatão pôs a Cetesb em alerta: o surgimento da fonte móvel de poluição, com queima de combustível acentuada, devido à instalação de pátios de caminhões. “Antes de 2005, tínhamos apenas fontes fixas, ou seja, as industriais, com emissões oriundas das chaminés das indústrias. Porém, muitas empresas deixaram de existir e passaram a ser estacionamento de caminhões ou contêineres, causando a ressuspensão de material particulado pelo movimento de carretas e queima de combustível. Temos, agora, uma mistura das fontes de poluição”, explica o gerente. Segundo ele, a estação telemétrica da Cetesb, que monitora a qualidade do ar, não distingue fonte fixa (de chaminé) de fonte móvel (caminhão em circulação). “Ressuspendeu o pó, o medidor está lá monitorando isso. Ele não consegue identificar qual o percentual de cada um. Essa separação não conseguimos fazer.” Controles e testesApesar de o volume de caminhões que segue em direção ao Polo Industrial e ao Porto de Santos ser elevado, conforme apontam os constantes congestionamentos no trecho, as medidas adotadas têm mantido o reconhecimento de Cubatão em relação à preservação do meio ambiente. A Usiminas é um exemplo de indústria responsável por uma série de controles e testes para garantir que os veículos inseridos em suas operações estejam em harmonia com os parâmetros de emissões e segurança exigidos pela legislação brasileira (veja destaque). A Cetesb também conta com outras ações quando os índices estão mais elevados, como a Operação Inverno, de maio a setembro, para evitar episódios críticos de poluição do ar. “Há uma estiagem maior com uma inversão térmica bastante importante e propícia à dispersão de poluentes. Entramos, então, com ações emergenciais mitigadoras coordenadas pelo Ciesp, como limpeza das vias, internas e externas, umectação depois de limpo”. Nesse sentido, a Prefeitura de Cubatão chegou a apontar uma lei municipal inédita na região envolvendo o transporte de cargas. A norma estabelece normas para transporte, armazenamento e higienização dos veículos que oferecem serviços em ferrovias e rodovias e disciplina a destinação dos resíduos sólidos perigosos e não perigosos. “Hoje é feito um controle ambiental dinâmico, com ferramentas pedindo melhoria contínua. Desde 2002, as empresas também passaram a ter que renovar as licenças de operação a cada dois anos, e temos o acompanhamento disso. Novas tecnologias vão atualizando as exigência técnicas nessas licenças. Temos uma rotina permanente de fiscalização, acompanhamento das fontes, prazos, adoção de melhorias”, complementa Cipriano, ressaltando ganhos ambientais que estão por vir. Um deles está relacionado à Unipar, cuja atuação principal envolve a fabricação de cloro, derivados de cloro e soda cáustica. De acordo com o gerente da Cetesb, a empresa produz cloro e soda a partir de uma tecnologia antiga de mercúrio, mas a partir de 2025 substituirá essa metodologia por outra com menos poluentes. “Todos esses fatores acabaram resultando nesse ganho ambiental no Município, lembrando, ainda, da recuperação da Serra do Mar. Na década de 1980 tínhamos emissões de amônia por fábrica de fertilizantes que danificaram a vegetação, causando deslizamentos. Com as ações de controle nas empresas e mais um plantio, temos o resultado que enxergamos atualmente, com a Serra do Mar totalmente recuperada”, compara.