A arborização urbana deixou de ser apenas uma questão paisagística e passou a ser tratada como infraestrutura para enfrentar eventos climáticos extremos. Esse foi o centro do debate entre prefeitos da Baixada Santista e de outras regiões do País durante a abertura do 2º Simpósio das Cidades Brasileiras – Árvores do Mundo, nesta quarta-feira (19), em Cubatão. Gestores apresentaram ações locais e defenderam a troca de experiências como caminho. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A escolha de Cubatão para receber o evento foi relacionada à trajetória ambiental do Município. O presidente da Arbor Day Foundation, Sérgio Chaves, destacou que a Cidade passou “da morte para a vida” e se tornou referência em recuperação ambiental. Anfitrião, o prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), também destacou a transformação ambiental do Município, que recebeu pelo segundo ano consecutivo o certificado de Cidade Árvore do Mundo. Segundo ele, a recuperação começou na década de 1980, com a atuação conjunta de Poder Público, sociedade civil e iniciativa privada. Cubatão tem mais de 5 mil árvores cadastradas na área urbana. Após as ventanias, que derrubaram mais de 30 exemplares, Nascimento pretende substituir espécies consideradas mais vulneráveis, como o fícus, por árvores nativas, como ipês e manacás-da-serra. Segundo o prefeito, é preparado um contrato para plantio de 3 mil árvores em três anos, com investimento superior a R\$ 3 milhões. A ideia é também criar “florestas urbanas” em praças e terrenos para ampliar o conforto térmico (reduzir a sensação de calor). Nascimento: 3 mil em três anos. Audrey Kleys: “ilhas de chuva”. Chaves: exemplo de recuperação (Alexsander Ferraz/AT) Ações em rede A prefeita em exercício de Santos, Audrey Kleys (PSD), destacou que as ações de arborização são desenvolvidas “em rede” na Baixada Santista. Entre as iniciativas estão as “ilhas de chuva”, que transformam áreas de asfalto, como rotatórias e outros pontos pouco arborizados, em espaços com árvores, jardins e pisos permeáveis, para aumentar a absorção da água da chuva e reduzir a impermeabilização e a aridez. Há projetos para Campo Grande, Pompeia e Ponta da Praia. Segundo Audrey, a ideia é superar 10 mil mudas de árvores da Mata Atlântica. Já se plantaram quase 3 mil em áreas identificadas como mais quentes, como Marapé e Campo Grande. Outras 5 mil mudas devem ser obtidas em parceria com a Ecovias. Prefeitos apresentam ideias e experiências Para o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), a adaptação climática depende também da participação da população. Ele defendeu a ampliação de áreas permeáveis em obras públicas para reduzir alagamentos e medidas como reciclagem. “Não dá só para cobrar o Poder Público, porque, quando a sociedade não quer, não acontece”, avalia. O prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Pode), destacou a criação de parques com “refúgios climáticos” para proteger a população do calor extremo e a participação da Cidade no CoopClima, projeto desenvolvido para subsidiar um plano municipal de mudanças climáticas. “Se a gente não pode controlar o vento e a força da chuva, que a gente possa reagir mais rápido quando o problema vier.” Ao semiárido O prefeito de Patos (PB), Jacob Souto, disse que veio ao encontro conhecer experiências que possam ser adaptadas ao semiárido nordestino. Para Souto, apesar das diferenças entre as regiões, a troca de informações entre municípios pode ajudar na busca por soluções para melhorar a qualidade de vida geral. Mourão sugere áreas permeáveis. Amado cita “refúgios climáticos”. Souto: ideias para o semiárido (Alexsander Ferraz/AT) Programação O simpósio prossegue até sábado, com debates ambientais e visitas técnicas a áreas de preservação e infraestrutura. As atividades são gratuitas, e as inscrições podem ser feitas pelo site.