Enzo tem 14 anos, e começou no esporte aos 11 (Rochelle Ciuti) Enzo Lugli, de 14 anos, é de Cubatão e se dedica diariamente ao fisiculturismo. Ele começou a pratica no esporte aos 11, ainda na pandemia de covid-19, em setembro de 2020. O adolescente já foi premiado e sonha com concursos internacionais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Enzo conta que sua inspiração nasceu ao assistir vídeos na internet sobre o esporte. “Me deparei com vídeos do Arnold (Arnold Schwarzenegger) de quando ele competia nos anos 70, e vídeos de bodybuilders dos anos 90. Aquilo brilhou meus olhos para esse esporte. Ví a qualidade dos músculos daqueles atletas. Pareciam até de outro planeta”, conta. O atleta mirim disse que o esporte foi estímulo para ele: “Grande parte da motivação com certeza foi minha vontade de querer ter um corpo melhor, pois eu sempre fui muito 'gordinho' e nunca gostei disso”, explica. Enzo diz que sua trajetória no início foi bem difícil, pois ele não tinha qualquer orientação ou direcionamento. “Nunca desisti. Sempre procurei vídeos e artigos sobre treinamentos e dietas”, revela. Ele diz que aprendeu a calcular sozinho a própria dieta e a montar os treinos. “O segredo para eu chegar onde estou foi nunca ter desistido ou desanimado”, ressalta. Suplemento Perguntado sobre suplementação, o adolescente diz que come arroz e frango para seguir sua dieta. “O meu sonho é conquistar o Pro Card (documento que permite ao atleta competir em torneios profissionais), e me tornar um Mr. Olympia. Quero me tornar um grande campeão e construir um grande legado nesse esporte”. Enzo Lugli conquistou o primeiro lugar no 1° Grand Prix São Paulo, Fbbf (Rochelle Ciuti) Enzo conta que não se inspira somente em esportistas estrangeiros, e que vê o cenário brasileiro crescendo cada vez mais no esporte. “Hoje, para mim, as maiores inspirações no bodybuilder brasileiro são Rafael Brandão e Ramon Dino”, diz. O atleta irá participar de campeonatos, entre eles o 'caça-talentos', na categoria Classic Physique até 175cm, que acontece em Guarujá. Na mesma cidade, ele também participará do Paulistão na categoria Juvenil (até 23 anos). “(É uma) Grande animação e felicidade por estar hoje vivendo o que sempre tanto orei para acontecer, e hoje vivo um sonho”. Família A gestora Elaine Lugli, de 48 anos, é mãe do adolescente e diz que embarcou no sonho do filho. “O Enzo começou a extravasar a ansiedade naquele final de pandemia e me pediu para treinar. Achei engraçado, mas fui junto. Só não imaginava o quanto ele, com 11 anos, realmente queria aquilo”, explica. A mãe disse que acompanha o filho de perto e que eles conversam muito sobre o tema. “Gravo, alimento e pago tudo por enquanto, mas estamos procurando uma parceria, algum suporte de marcas sérias para ele”. Ela conta que até faz treinos de fortalecimento para poder estar junto do filho. “Ele foi super bem acolhido na academia onde treina desde o início. Teve um suporte do atleta Diego (Cunha), que é seu treinador, e já começou o sonho participar de campeonatos”, disse. Treinador O professor de educação física Diego Cunha, de 30 anos, treinador de Enzo, o prepara para as competições. “O Enzo foi com a mãe dele até a academia, e ela disse que escolheram o local por conta do ambiente, e que se encantaram com os troféus e fotos de competições”, relembra. Diego disse que estava se preparando para um campeonato e decidiu chamar Enzo para treinar algumas poses com ele. Foi quando notou que o menino tinha um diferencial. “Percebemos que ele era fora da curva para um adolescente de 14 anos. Enzo tinha uma musculatura muito desenvolvida e uma desenvoltura grande para as poses, sinal que ele ficava treinando em casa”. Ao perceber a dedicação e a paixão do adolescente pelo esporte, ele fez um convite para iniciar um projeto e subir no palco. “Ele seguiu tudo à risca, fez todo o processo com uma paixão que poucas pessoas possuem e o resultado veio. Foi campeão do Gran Prix SP, em São Paulo, na categoria Classic Juvenil (13 a 17 anos), batendo o atual bicampeão paulista da categoria”, disse. O treinador diz que se Enzo quiser competir mundialmente daqui a alguns anos, ele terá que utilizar suplementação e remédios que os atletas mundiais já utilizam. “Não tem jeito, pois estamos falando de 130kg de músculos. Mas, um campeonato Mundial, Sul-Americano onde há categoria por peso, existe sim a possibilidade de chegar sem esses recursos”, explica. Cunha ressalta que seu trabalho é fundamental para o atleta, assim como sua dedicação. “Eu sou o treinador dele, 'esculpimos' o corpo através da musculação. No fisiculturismo, deve ter volume, definição e simetria, e esse é meu trabalho: realizar um treinamento específico onde o corpo humano não é simétrico. Então, trabalhamos mais os pontos fracos e menos os pontos fortes, a fim de deixar tudo o mais próximo da perfeição. Na categoria dele, é necessário ter uma cintura escapular e pernas largas, e é isso que buscamos durante o treinamento”, finaliza.