O número de brasileiros morando sozinho aumentou, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, 19,7% dos domicílios do País eram ocupados por apenas um habitante, percentual superior aos 12,2% em 2012 — movimento que impulsiona, na Baixada Santista, a procura por imóveis compactos, segundo especialistas do mercado imobiliário. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana, a demanda por imóveis para moradores sonhos tem sido crescente desde a pandemia. “Houve um crescimento significativo na taxa de emprego e, naturalmente, a pessoa empregada quer ter a sua própria vida”, afirma. Por esse motivo, um dos públicos que impulsiona a procura por imóveis compactos é o de 25 a 35 anos. Segundo o gerente-geral de vendas da Família Imóveis, Ricardo Novoa, esse movimento tem se intensificado entre os mais jovens. “Hoje, pessoas de 20 a 25 anos já estão saindo para morar sozinhas. Isso não era comum alguns anos atrás, quando o sonho desse público costumava ser o carro”. Sem filhos O diretor-geral da R3 Imóveis, Sthefano Lopes, ressalta que o público que impulsiona essa demanda é diverso. Além dos mais jovens que buscam independência, há também compradores mais envelhecidos. “São pessoas que buscam mais praticidade, já que os filhos saíram de casa, então não faz mais sentido morar em um apartamento grande. Eles procuram mais praticidade e um custo de vida mais baixo”, diz. Segundo Lopes, há ainda uma presença relevante de investidores interessados nesse tipo de imóvel. “Também existe uma demanda importante de investidores que compram unidades para locação, justamente pela facilidade de ocupação e boa liquidez”, acrescenta ele. Entre esse público, os imóveis mais procurados são os de menor metragem. De acordo com o presidente do Creci-SP, predominam apartamentos de um dormitório, com 40 a 45 metros quadrados. “Esse tipo de imóvel atende bem quem mora sozinho, porque tem um custo mais acessível e uma manutenção mais simples”, comenta José Augusto Viana. Cai o percentual de moradias com casais Conforme o IBGE, o “arranjo domiciliar” mais frequente no País no ano passado era o nuclear, equivalendo a 65,6% do total. Essa expressão se refere à família formada por um casal (com ou sem filhos ou enteados) ou monoparental (mãe ou pai e filhos). Já os moradores sozinhos eram responsáveis por 19,7% das unidades domiciliares no ano passado, bem acima dos 12,2% em 2012. Mas no caso do arranjo nuclear recuou – eram 68,4% em 2012. Segundo os analistas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, o aumento do morador sozinho está relacionado em grande parte ao envelhecimento e também a mudanças comportamentais, que levam cada vez mais mulheres a optarem por viver só. Na análise por sexo, os números revelam que, no ano passado, as mulheres representavam 45,1% dos moradores sozinhos, enquanto os homens correspondiam a 54,9%. A pesquisa também revelou que a maior parcela da população que mora sozinha se situa na faixa etária dos 30 aos 59 anos, seguida dos idosos, com 60 anos ou mais, que representam 40%. “Em boa parte dos domicílios unipessoais vivem pessoas com mais de 60 anos. Nesta fase, os filhos já saíram de casa e muitos ficaram viúvos”, analisa o pesquisador do IBGE William Kratochwill. “Não por acaso, nos estados onde vivem mais idosos, como Rio de Janeiro, essa porcentagem é maior”. No entanto, há variações importantes entre os gêneros – 56,4% dos homens em domicílios unipessoais tinham de 30 a 59 anos. Entre as mulheres, a maioria se situava na faixa dos 60 anos ou mais de idade (55%). “Isso acontece porque até os 59 anos tem muito mais homem morando sozinho. Eles viajam, mudam de emprego, se separam e vão morar sozinhos”, diz o demógrafo e economista José Eustáquio Alves Diniz. “Porém, entre a população com mais de 60 anos, a maioria é de mulher vivendo sozinha. As mulheres costumam se casar mais cedo que os homens e vivem em média sete anos a mais do que eles”, completa Diniz. Novos estúdios e antigas quitinetes Os estúdios têm ganhado espaço nos lançamentos mais recentes, segundo o gerente-geral de vendas da Família Imóveis, Ricardo Novoa. “De três a quatro anos para cá, começaram a surgir muitos lançamentos desse tipo em Santos. Antes, o que existia eram quitinetes usadas”. As antigas quitinetes seguem com boa procura, principalmente pelo preço mais acessível, o que mantém esse tipo de unidade relevante no mercado, especialmente entre compradores de renda intermediária, afirmam profissionais do mercado. De olho nesse movimento, o mercado imobiliário passou a investir em empreendimentos com unidades compactas e áreas comuns que compensam o espaço reduzido, como lavanderia, coworking e academia. “Os empreendimentos são desenvolvidos para oferecer soluções que vão além do espaço interno, com áreas compartilhadas que facilitam o dia a dia”, diz o diretor-geral da R3 Imóveis, Sthefano Lopes. Conforme ele, a venda desses imóveis é acelerada. “É um mercado em crescimento e muito promissor. Em muitos casos, mais de 50% das unidades são vendidas ainda no lançamento”. Os preços variam conforme o tipo de imóvel e a localização. Em Santos, uma quitinete sai entre R\$ 250 mil e R\$ 450 mil, enquanto estúdios ficam, em média, entre R\$ 400 mil e R\$ 600 mil. Apartamentos de um dormitório podem chegar a R\$ 900 mil. Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana, no segmento de quitinetes, os valores costumam variar entre R\$ 250 mil e R\$ 380 mil, especialmente em unidades voltadas à renda intermediária. Hábitos mudaram A valorização dos compactos acompanha o aumento da demanda, conforme o gerente-geral de vendas da Família Imóveis, Ricardo Novoa. “É um tipo de produto que passou a ser mais procurado nos últimos anos, o que influencia diretamente os preços”. Outro fator é o uso desses imóveis como segunda residência. “No Litoral, esse tipo de imóvel também é muito procurado por quem busca uma opção para veraneio”, diz o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana. Além das mudanças no perfil do público, especialistas apontam novos comportamentos do comprador. Segundo o diretor geral da R3 Imóveis, Stephano Lopes, há uma busca maior por praticidade, boa localização e custos mais baixos de condomínio e IPTU. “O comprador está mais racional e atento ao potencial de valorização do imóvel”, diz. Para ele, a escolha por imóveis compactos está cada vez mais ligada ao estilo de vida. “Hoje, o comprador busca mais eficiência no dia a dia e um imóvel que faça sentido para a rotina dele”.