[[legacy_image_136316]] Aumentou 70,04%, do ano passado para cá, a emissão de carteiras nacionais de Habilitação (CNHs), na Baixada Santista, com o acréscimo da sigla 'EAR - Exerce Atividade Remunerada'. Ela é obrigatória para motoristas de aplicativo, taxistas, motoristas profissionais, condutores de ônibus e caminhões e para motofretistas e mototaxistas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com a pandemia de covid-19 e a consequente crise econômica, que fizeram subir a taxa de desemprego, uma opção de renda foi se tornar motorista ou entregador por aplicativo. Em números absolutos, São Vicente passou a ser a cidade da região com mais CNHs contendo a indicação de EAR: de 7.548 para 13.977 habilitações de um ano a outro (85,17%). Em termos percentuais, o maior aumento foi em Cubatão, de 108,22%, passando de 1.168 pedidos para 2.432. Santos foi de 8.280 para 12.766 de um ano para o outro (+54,18%). Bertioga teve o menor crescimento proporcional (28,72%), de 1.365 para 1.757 habilitações. Em Praia Grande, houve alta de 5.701 para 10.068 habilitações com autorização para atividade remunerada (76,60%) e, em Guarujá, de 5.785 para 10.092 (74,45%). No Litoral Sul, Itanhaém teve números mais expressivos: em um ano, as emissões de EAR passaram de 1.668 para 2.767. Em Peruíbe, de 1.424 para 2.287 (60,60%). Em Mongaguá, de 1.215 para 1.930 (58,85%). Formado em Engenharia de Automação e Controle em meados de 2020, ano em que começou a pandemia, Lucas Salvador, de 25 anos, não foi efetivado no estágio após se formar e encontrou nas corridas uma forma de ter uma renda. "A pandemia me dificultou um pouco a busca por um emprego. Quando as coisas começaram a ser mais flexibilizadas, comecei a fazer corridas para ajudar a pagar as contas de casa", contou. O motorista César Augusto de Oliveira Almeida, de 37 anos, morava e trabalhava no Paraná, mas precisou sair do emprego e voltar para Cubatão com sua esposa e filha. Após entregar vários currículos, mas não ver as portas se abrirem no mercado devido ao início da pandemia, decidiu arriscar a sorte nos aplicativos de transporte de passageiros. [[legacy_image_136317]] "Acabei comprando um carro sem entrada e me arrisquei para ver se daria certo. Os três primeiros meses foram complicados, porque eu ainda era um motorista cru, não tinha alguns macetes, então foi bem sofrido. Depois, contudo, a coisa começou a funcionar bem, gostei de fazer as viagens e passei a me dedicar mais. Sabendo se planejar, você tira seu sustento sem muitos problemas", relatou ele, que em pouco tempo conquistou uma nota alta nos aplicativos. Segundo o Superintendente Regional do Detran na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, Robson Bianchi, o número vem crescendo em cidades de maior população e sobe desde 2019. "A gente tem percebido isso de 2019 para 2020 e, novamente, de 2020 para 2021", apontou. Para Bianchi, com a pandemia, muitos evitaram o transporte coletivo, aumentando a demanda por aplicativos de viagem aumentou. Ele acredita que obter a CNH com EAR foi a saída para ter uma atividade remunerada para se manter ou recolocar no mercado de trabalho, como é o caso de motofretistas e entregadores. Há tendência de crescimento, considera. "Acho que vai continuar crescendo sim. Isso já não é da primeira crise economica. O crescimento vem desde a primeira crise, em 2014. De lá pra cá, muitos municípios regulamentaram a atividade de motofretismo e mototaxismo. Então, é uma tendência de crescimento mesmo. Talvez diminua um pouco esse incremento de ano a ano, em função da retomada da economia, mas haverá uma demanda maior de motoristas profissionais nas empresas, motoristas particulares ou para dirigir veiculos pesados. As empresas sempre solicitam essa observação (de EAR na CNH)." Para solicitar a inclusão do EAR na habilitação, é preciso acessar o portal do Detran ou o aplicativo do Poupatempo, nas abas Serviços e CNH. Bianchi reforça que não é preciso comprovar que está empregado ou ter a profissão de motorista no momento da solicitação. Porém, no caso de habilitados apenas na categoria A, de motocicletas, é preciso ter 21 anos completos e estar habilitado há pelo menos dois anos. "O motorista vai ter que emitir uma segunda via da CNH para que venha nas observações a sigla EAR. O exame psicológico com um profissional credenciado pelo Detran é de R\$ 112, pagos diretamente ao profissional. A emissão da CNH já com a sigla custa R\$ 107. A CNH é entregue na residência do interessado, mas, assim que ela é emitida, ele consegue usar o aplicativo Carteira Digital de Transito, válida em todo o País e que tem força documental", esclarece Bianchi.