[[legacy_image_129883]] Um único comprimido para tratar o HIV. O anúncio da Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa) trouxe motivos para pacientes e entidades comemorarem no Dia Mundial de Combate à Aids, celebrado nesta quarta-feira (1º). A novidade representa um avanço para o tratamento de pessoas portadoras do vírus que causa a Aids, afirmam infectologistas. Mesmo assim todos alertam que não é momento para baixar a guarda, apesar de a maioria das cidades da Baixada Santista ter apresentado redução no número de infectados. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Elias do Carmo da Silva, 46 anos, descobriu que tinha HIV em 2010. A informação foi considerada por ele, na época, “uma sentença de morte”. Mas, aos poucos, conta que foi aceitando e entendendo a situação. Depois, começou o tratamento. Hoje a três. “Mas o efeito colateral é forte. Tem que estar bem alimentado, se não você passa mal. Minha carga viral é indetectável”. Agora, com a possibilidade de ingerir apenas um comprido ao dia, ele ficou mais animado. “Era um sonho, porque vai gerar menos desconforto. Você pode sair sem precisar carregar remédio. Vou fazer o exame este mês, quem sabe já posso mudar a medicação”. Para ele, a mudança vai elevar a autoestima dos portadores de HIV e aumentar a adesão ao tratamento. “Tem que fazer o tratamento direito e não relaxar. Quando recebi a notícia, achei que fosse morrer. Hoje estou vivo, feliz e faço um trabalho de conscientização, principalmente, com os jovens. Falo de prevenção, distribuo preservativo, lubrificante e muita informação”. [[legacy_image_129884]] Como vai funcionarDe acordo com a Anvisa, o medicamento combina, em uma dose diária, dois antirretrovirais - lamivudina e dolutegravir sódico - que não estavam disponíveis em um só comprimido. A agência informa que o novo medicamento reduz a quantidade de HIV no organismo, mantendo-a em um nível baixo. Promove ainda aumento na contagem das chamadas células CD4, tipo de glóbulo branco do sangue que ajuda a manter um sistema de defesa saudável, auxiliando no combate a infecções, destaca a Anvisa. O comprimido poderá ser usado por adultos e adolescentes acima de 12 anos com pelo menos 40 quilos. “Esse remédio é uma simplificação do tratamento. Você está tirando três drogas e as pessoas passarão a tomar só duas. É menos toxicidade”, diz o infectologista Marcos Caseiro. Ele explica que havia ainda um outro componente, chamado de tenofovir que já vinha sendo descontinuado. “Com o uso prolongado, ele tem sido relacionado com lesão renal e osteoporose. Por conta disso, nós já estamos tirando essa substância”. [[legacy_image_129885]] Mas o infectologista ressalta que a novidade só poderá ser prescrita exclusivamente em pacientes que tenham carga viram indetectável. “Então essa troca só é possível no paciente que faz o tratamento certinho e que a carga viral do HIV no sangue esteja indetectável. Isso é superimportante”.