É tempo de pesquisa, mas há quem se antecipe, afirma comerciante (Alexsander Ferraz/AT) O comércio da região está otimista para a Páscoa deste ano, a ser celebrada em 5 de abril. A expectativa é de crescimento de até 5% nas vendas em comparação às do ano passado, conforme pesquisa feita pelo Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista, entre 9 de fevereiro e 2 de março, com 150 empresários e consumidores. De acordo com o levantamento, 30% dos lojistas esperam aumento entre 3% e 5% nas vendas, enquanto 15% acreditam que o crescimento pode ultrapassar os 10%. Entre os consumidores, 33% planejam gastar de R\$ 251,00 a R\$ 500,00. Outros 27% pretendem desembolsar entre R\$ 501,00 e R\$ 1 mil, e 22% estimam gastar até R\$ 250,00. Dezoito por cento afirmam que devem investir mais de R\$ 1 mil. Na semana passada, A Tribuna visitou lojas, chocolaterias e redes de supermercados e encontrou grande variedade de ovos de Páscoa. O movimento ainda é tímido e deve ganhar força no fim do mês. Os preços variam bastante: é possível encontrar ovos de 120 gramas por cerca de R\$ 30,00, enquanto versões maiores, com brindes, bombons ou recheios especiais, podem ultrapassar R\$ 120,00. Para o presidente do sindicato, Omar Abdul Assaf, o comércio mantém perspectiva positiva, apesar das tensões internacionais recentes. Segundo ele, a leve queda do dólar em relação a 2025 ajuda na importação de produtos tradicionais da data. Ele afirma que as famílias não devem abandonar o costume de presentear com ovos de Páscoa, embora parte dos consumidores possa optar por opções mais econômicas. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Santos-Praia, Nicolau Miguel Obeidi, também prevê crescimento. “Em valor absoluto, a expectativa é de melhora em torno de 10%, principalmente porque os preços dos ovos aumentaram”, considera. Atender à demanda A empresária Éllade França tem cinco lojas de uma franquia — uma em Santos, uma em Guarujá e três em São Vicente — e aposta em mais vendas. “A gente sempre faz projeções de crescimento e trabalha para alcançar esse resultado. Compramos mais produtos do que no ano passado justamente para atender à demanda. A expectativa é vender mais de 10% acima do ano passado. (...) Temos de lembrancinhas a partir de R\$ 9,99 até ovos mais elaborados, com brindes, principalmente para as crianças, que podem chegar a R\$ 199,99”, detalha Éllade. Há ovos de 120 g por cerca de R\$ 30,00; maiores superam R\$ 120,00 (Alexsander Ferraz/AT) Procura tende a subir perto do dia É tempo de pesquisa, mas há quem se antecipe, afirma comerciante Mesmo com a variedade, muitos consumidores deixam as compras para a última hora. “Agora é um período de muita pesquisa. Os clientes vêm ver modelos, novidades e sabores. Mas também há quem compre antes porque, em anos anteriores, deixou para perto da data e acabou não encontrando o produto que queria, como os ovos licenciados (temáticos). Alguns deles já se esgotaram e já repusemos”, relata Éllade França. Entre os consumidores, a dona de casa Maria Luciene Santos Santana, de 48 anos, acredita que o preço pode pesar e as vendas podem ser menores. “Os ovos estão muito caros, mais do que no ano passado. Acho que as pessoas vão comprar mais para as crianças.” A desempregada Glória Maria Oliveira Santos Drudi, de 47 anos, acredita que a tradição deve falar mais alto. “O ovo realmente está caro, mas todo ano aumenta, e a gente não deixa uma criança sem nada. Nem que seja um ovinho. Eu mesma vi diferença de quase R\$ 30,00 em relação ao ano passado.” Feirante de temperos, Marcus Vinicius Vasques Coin de Oliveira, de 26 anos, prefere uma alternativa. “Eu não sou consumidor de ovos de Páscoa. Prefiro fazer os meus próprios, porque o quilo do chocolate fica bem mais caro só por estar no formato de ovo. Mesmo assim, se as vendas aumentarem, é algo positivo. Significa que as pessoas estão com mais dinheiro para comemorar.”