[[legacy_image_284190]] Uma das entidades de classe mais tradicionais da Baixada Santista, o Sindicato dos Empregados no Comércio da Baixada Santista (Sindcomerciários) caminha para os seus 100 anos, que serão completados no dia 24 de agosto. A tarefa da entidade é resgatar a representatividade da instituição, que soma 19 mil associados em oito municípios da região. Para isso, o trabalho junto ao chamado ‘chão de loja’ – os funcionários do comércio –, tem sido intensificado. Essa é a visão do presidente da entidade, Washington Vicente da Fonseca. Para ele, o futuro do sindicato passa pela capacidade de entender as novas demandas de quem atua no segmento. “A ideia é preservar a história, a construção da instituição. A partir de agora, é pensar nas novas demandas. Visitar os comércios, mostrando o que temos a oferecer, além da representatividade na luta por melhores salários e condições de trabalho. E algumas necessidades sociais. Nosso piso hoje é o maior do Estado (R\$ 1.905,00)”. Fonseca acrescenta que a capacitação dos profissionais é uma necessidade, mas precisa ser programada de forma adequada e viável, reunindo diversos segmentos. “Se a gente for pensar: o trabalhador da cidade está qualificado para atender um turista, por exemplo? Falar inglês ou espanhol? As entidades não se unem nesse aspecto, e essa harmonia representaria a melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores, porque serve hoje para o comércio, mas o empregado pode levar para a vida toda”, explica, enquanto defende políticas públicas de empregabilidade. “Precisa ter programas municipais, estaduais e federais ligados às classes patronais, empregadoras, para que todos consigam manter o comércio ativo”. [[legacy_image_284191]] Novos TemposA explosão do e-commerce, especialmente na pandemia, mudou as relações de trabalho, na visão do presidente do Sindcomerciários. Mas, mesmo a incorporação das vendas on-line, a partir de lojas físicas, é vista como vitórias da atuação sindical. “O funcionário atende na loja faz do computador um grande mostruário – mas é ele que faz a venda. Isso foi uma conquista sindical. Nosso verdadeiro propósito é resgatar a credibilidade do trabalhador de comércio para com os sindicatos”. O mundo do trabalho não admite quem quer “deitar em berço esplêndido”, sem lutar por dias melhores. No caso de Cleidson Paulo Ferreira, gerente de uma loja de colchões no Gonzaga, em Santos, a admissão, há cerca de um ano, representa uma mudança de vida. O vendedor de doces pelas ruas, que antes havia trabalhado por anos na velha Cosipa, se reinventou graças ao comércio. “Eu sempre trabalhei em siderurgia. Devido à crise, acabei migrando para o comércio na rua. Virei trabalhador informal e, há um ano, recebi uma proposta de um rapaz que trabalhava aqui, se não queria fazer parte da equipe. Eu estava vendendo doce na rua. Respondi que nunca tinha vendido colchão, e ele me respondeu que era apenas questão de estudar”, conta. Ele lembra do período de adaptação ao novo modelo de comércio, quando trocou saladas de frutas e outros doces por colchões de variados tamanhos e intensidades. O profissionalismo e a dedicação foram armas na mudança de vida, testemunhada de perto pela esposa, que é arquiteta, além do filho de 14 anos. A dura rotina que começava às 6 horas e terminava à noite, na compra de mais material para a produção das iguarias, era sacrificante. Agora, ele vê o trabalho com carinho especial. “Foi uma virada de chave, Porque não é fácil, não: lá fora, a rua é complicada. Mas posso dizer que o comércio está me transformando, e só tenho a agradecer pela oportunidade”, emenda. [[legacy_image_284192]] Trinta anos, mesmo sorrisoPerto dali, em um armarinho, a quantidade de produtos à venda é enorme. Mais ou menos do tamanho do sorriso da gerente Joana D’Arc Santos dos Anjos, de 53 anos. Todos os dias, ela sai de casa, na Área Continental de São Vicente, para receber, ao longo de décadas, clientes que, muitas vezes, se tornaram amigos. “Trabalhei em tapeçaria, em loja de R\$1,99, e me encontrei aqui. Gosto de mexer com coisas de costura”, conta, quando é interrompida por uma cliente: “E nós gostamos dela. Sentimos falta até quando tira férias”. Joana é atenciosa com os clientes. Garante esforços para buscar até artigos que estão em falta: afinal, promessa é dívida. Na pandemia, com contato pessoal escasso com os clientes, tempos bicudos. Mas, no momento em que o comércio pôde iniciar sua retomada, o reencontro foi marcante para ela. “A gente trabalhou internamente, até tivemos férias. Mas, depois da pandemia, a gente começou a trabalhar e ouvia dos clientes ‘Que saudade de vocês, de entrar na loja’. E era recíproco”, resume, enquanto abre um sorriso. A cordialidade do trato de balcão é sempre soberana.