[[legacy_image_340125]] Pelo menos 103.848 imóveis já foram vistoriados em mutirões de combate ao mosquito Aedes aegypti realizados em cinco cidades da Baixada Santista: Cubatão, Guarujá, Peruíbe, Praia Grande e Santos. Os números foram divulgados pelas prefeituras a pedido de A Tribuna e foram computados até a última sexta-feira. Com relação aos criadouros encontrados nos imóveis, a região já identificou 24.379 focos durante as ações em sete municípios: Bertioga, Cubatão, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. Ao todo, a Baixada Santista soma 1.875 casos de dengue e conta com seis óbitos sob investigação. Isso significa um aumento de 565% nos casos registrados em relação ao mesmo período de 2023, quando o número foi 281. Já com relação à chikungunya, outra doença transmitida pelo Aedes aegypti, são 41 casos nas cidades da região. Até o momento, nenhuma computou casos de zika vírus. Em comparação ao ano passado, o maior salto nos casos foi registrado em Praia Grande, com 1.733%. Isso porque, de janeiro a fevereiro de 2023, a cidade registrou apenas seis casos de dengue, enquanto em 2024 já foram 110. Bertioga também teve alta expressiva, de 1.382%. Neste ano, já são 830 casos, enquanto no mesmo período do ano passado foram 56. Dengue (2024)Bertioga: 830 casosCubatão: 19 casos e 1 óbito em investigaçãoGuarujá: 544 casos e 1 óbito em investigaçãoItanhaém: 86 casos e 1 óbito em investigaçãoMongaguá: 8 casosPeruíbe: 31 casosPraia Grande: 110 casos e 1 óbito em investigaçãoSantos: 171 casos e 1 óbito em investigaçãoSão Vicente: 76 casos e 1 óbito em investigação Dengue (jan a fev de 2023)Bertioga: 56 casosCubatão: 4 casosGuarujá: 72 casosItanhaém: 69 casosMongaguá: 1 casoPeruíbe: 6 casosPraia Grande: 6 casosSantos: 35 casosSão Vicente: 32 casos Principais errosDe acordo com a chefe do Departamento de Vigilância em Saúde de Santos, Ana Paula Valeiras, os bairros da cidade com mais infestação do mosquito e casos da doença são Ponta da Praia, Embaré e Aparecida. Ela explica que os principais erros encontrados durante as vistorias dos agentes são o descuido com ralos externos e interno, materiais inservíveis no quintal que acumulam água e bebedouros de animais com falta de higienização. “É importante orientar que quando o agente de endemias visita as casas, ele não faz a limpeza, apenas orienta o que deve ser feito. Então, não espere o agente passar para cuidar do seu quintal, mantenha-o sempre limpo, higienizado e sem materiais que possam acumular água”. Nos edifícios, Ana Paula afirma que a principal dificuldade que os agentes enfrentam é a resistência. Nesses locais, muitos moradores, síndicos e funcionários acabam barrando a vistoria. “Entendo que muitos ficam receosos, mas nossos agentes sempre estão uniformizados e com crachás de identificação. É muito importante que os condomínios também sejam vistoriados, pois neles sempre encontramos focos em ralos e piscinas sem tratamento da água. Precisamos da colaboração de todos”. Ana Paula ainda alerta que qualquer pessoa pode contribuir para o combate ao Aedes aegypti se dedicar ao menos 10 minutos por semana para olhar todos os pontos da casa e eliminar possíveis criadouros do mosquito. “É necessário não apenar retirar a água, mas também lavar com sabão e deixar completamente seco, pois só assim as larvas e ovos serão completamente eliminados”. Ações intensificadasEm Guarujá, a gerente de controle e combate às endemias, Ana Lúcia Gama da Cruz, conta que os principais bairros com alta de casos de dengue são Jardim Boa Esperança, Morrinhos, Astúrias e Enseada. No entanto, ela afirma que, para conter o aumento da doença, as ações estão sendo intensificadas em toda a cidade. “O Poder Público tem feito a lição de casa, mas a gente depende que a população também faça a sua. Muita gente ainda insiste em ter vasos de planta com pratinhos cheios de água. Outros erros são ralos sem tratamento, calhas obstruídas, bandejas de geladeira que acumulam água. Nos prédios, o que a gente mais vê são focos nas canaletas e em fossos de elevadores e em bombas de piscinas que estão com problema”. A gerente afirma que toda segunda-feira ocorrem mutirões nos bairros. Além disso, em mais de 150 pontos que são considerados berçários do mosquito, o município mantém vigilância quinzenal. Em imóveis com grande circulação de pessoas, a vigilância é mensal. Em Santos, Ana Paula conta que, quando um caso é notificado, uma equipe realiza ação de bloqueio nas imediações da residência do paciente, em até nove quadras. “Para termos uma eficácia maior dessas ações, a gente precisa da ajuda a população. Muito acham que isso não vai acontecer com a família, e só vai ter dimensão do quão grave é, quando alguém da casa fica doente”. Dicas para conter o mosquito da dengue- Verifique se há água parada em vasos e pratos de plantas;- Pias: verificar vazamentos e manter ralo vedado;- Ralos no chão: tampá-los com tela, caso não sejam do tipo abre e fecha. Aplicar água sanitária duas vezes por semana;- Bandeja externa de geladeira: verificar se há acúmulo de água, limpar e manter seca;- Vaso sanitário e caixas de descarga: manter tampados;- Calhas e lajes: caso não seja possível verificar se acumulam água, procurar identificar sinais de umidade. Em caso afirmativo, providenciar a resolução do problema;- Caixas d'água: verificar a condição das tampas. Solicitar a reposição daquelas ausentes ou quebradas;- Fontes ornamentais, bebedouros de animais domésticos, piscinas: verificar a presença de organismos vivos dentro da água. Fazer limpeza regularmente. No dia a dia, cuidado redobrado com mosquito transmissorA ajudante de cozinha Célia Maria Marques Faria, de 56 anos, mora na Vila Natal, em Cubatão e diz tomar todos os cuidados para fugir da dengue. “Tenho dois cachorros e sempre higienizo as vasilhas de água deles para evitar a proliferação do mosquito. Além disso, passo repelentes nas pernas e braços para me proteger”. Ela, que já teve dengue três vezes, afirma que sempre conversa com os vizinhos sobre os cuidados que devem ter para evitar a água parada. “A gente tem que se cuidar e cada um deve fazer sua parte”.Morador do Pae Cará, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, o aposentado Joselito dos Santos Marques, de 60 anos, nunca teve dengue e vem se prevenido ao máximo. “Eu procuro não deixar nada com água e mantenho os ralos com cloro. Na planta que tenho em casa, coloco pouca água, para não empoçar”.A aposentada Aldeides Alves Azevedo, de 62 anos, já trabalhou como enfermeira e sentiu de perto a gravidade da doença ao atender os pacientes, além de também ter sido infectada em 2001. Por isso, ela, que mora no Embaré, em Santos, toma todos os cuidados. “Tenho poucas plantas, mas as que tenho não possuem pratinho, o bebedouro do cachorro eu lavo diariamente e jogo cloro nos ralos. Faço a minha parte prezo pela conscientização de todos. Agora é rezar para não pegar”.