[[legacy_image_52312]] Responda rápido: que lugar do planeta é responsável pela produção de mais da metade do oxigênio existente na atmosfera: a Floresta Amazônica ou os oceanos? Acertou quem escolheu a segunda opção, embora à floresta ainda seja atribuída a classificação de ‘pulmão do planeta’. Terça-feira é o Dia Mundial dos Oceanos, e o tema vem ganhando relevância nos debates Brasil afora porque 2021 marca o início da Década do Oceano, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma forma de ampliar o conhecimento sobre a importância dos oceanos para a sobrevivência do Planeta. Em Santos, a semana contará com várias atividades para marcar a data e também o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado neste sábado (5). Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Relação próxima “O oceano influencia nossas vidas, e nossas vidas influenciam os oceanos”, diz o professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-Baixada) e coordenador do Programa Maré de Ciência, Ronaldo Christofoletti. O Maré de Ciência é um projeto que se baseia no conceito de construção do conhecimento unindo academia e sociedade, em benefício do melhor uso e conservação do ambiente. Desde 2018, Christofoletti é membro do Comitê de Assessoramento para a Década do Oceano do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, e do Comitê de Assessoramento de Comunicação para a Década do Oceano da Unesco. Apenas 30 especialistas brasileiros, de diferentes áreas do conhecimento, compõem os comitês. Segundo o professor, o objetivo da ONU ao estabelecer essa década (2021 a 2030) é, entre outros, “unir esforços de todos os setores da sociedade para reverter o ciclo de declínio da saúde do oceano e concretizar o desenvolvimento sustentável”. Os oceanos ganharam um capítulo à parte para a ONU, que já havia proposto uma agenda de sustentabilidade até 2030, com 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável, também conhecidos como 17 ODS. A urgência em devolver a saúde aos oceanos está intimamente ligada ao ODS 14 (‘vida na água’). Ampliar o debate Ao criar os comitês, a ONU quer ampliar o debate sobre o tema, unindo ciência, políticas públicas e sociedade. Além disso, tornar o conhecimento um domínio público por meio da comunicação ampla e acessível a todos. “Qualquer programa com essa amplitude só funcionará se a comunicação se fizer presente. O conhecimento científico precisa alcançar a sociedade”, diz o professor Christofoletti. Para a ONU, ainda há muito o que se pesquisar sobre os oceanos. Estima-se que apenas 0,04% dos gastos em pesquisa no mundo todo estão voltados a conhecer o oceano. “Conhecemos mais sobre a Lua do que sobre tudo que tem no fundo do mar”, diz Christofoletti. Observatório vai centralizar ações Santos lançará na próxima terça-feira (8), com a presença de representantes da Unesco, o Observatório da Interface entre Ciência e Políticas Públicas para o Desenvolvimento Sustentável. Segundo Alessandra de Sousa Francisco, chefe do Departamento de Articulação da Secretaria Municipal de Governo, o objetivo do observatório é unir poder público, universidade, pesquisadores e sociedade para estabelecer um plano de ação efetivo no cumprimento das metas de sustentabilidade previstas até 2030. “Essa iniciativa nasceu antes de ser criada a Década do Oceano, mas é um observatório que agora se consolida como um espaço de gestão para essa década. Assim como proposta pela ONU, ele reconhece o papel central do oceano e da zona costeira para discutir a sustentabilidade do oceano”. Alessandra acredita que a criação desse observatório, que também terá a participação da Unifesp-Baixada Santista, possa inspirar outros municípios, principalmente os costeiros. O lançamento do observatório será feito de forma virtual, às 15 horas, pelos canais digitais da Prefeitura de Santos e pelo canal do YouTube Década da Ciência Oceânica Brasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. [[legacy_image_52313]] Oceano do futuro Que oceano queremos para o futuro? Foi para responder a essa pergunta que a Década do Oceano estabeleceu sete objetivos a serem alcançados até 2030: um oceano limpo;um oceano saudável e resiliente;um oceano previsível;um oceano seguro;um oceano produtivo e explorado de modo sustentável;um oceano transparente (acessível aos dados coletados);um oceano conhecido e valorizado. Para que os objetivos sejam alcançados até 2030, dez desafios foram lançados pela ONU: combater a poluição, envolvendo não apenas campanhas e movimentos para diminuir a geração de resíduos, como pesquisas sobre as origens dos poluentes e soluções possíveis;reduzir os impactos das atividades humanas e promover a conservação do oceano;alimentar o planeta, ampliando a oferta da pesca e organismos marinhos, de forma sustentável; ampliar a ‘economia do mar’, com atividades limpas que gerem recursos, desde exploração de petróleo e minérios até as atividades de lazer e recreação; ampliar o conhecimento sobre a relação entre o oceano e o clima do planeta; ampliar a capacidade de observar o oceano, obtendo informações de suas mais variadas partes; combater os perigos do oceano para salvar vidas; mapear o fundo do mar, para explorar suas riquezas e conhecer e preservar a biodiversidade marinha; compartilhar informações entre países, cientistas e sociedade; aproximar o oceano das pessoas e tornar claro de quais formas ele influencia a vida e de quais formas a vida influencia o oceano.