Concessionária Acqua Vias SP assumirá operação das travessias em 9 de novembro, sob supervisão (Alexsander Ferraz/AT) Filas, atrasos e dificuldades para atravessar de balsa entre Santos e Guarujá fazem parte da rotina de quem depende do serviço para trabalhar ou estudar. Com a chegada do verão e a mudança na gestão do sistema, usuários esperam que a concessão à iniciativa privada reduza o tempo de espera e melhore as condições da travessia. Conforme noticiado por A Tribuna, em 9 de novembro, a concessionária Acqua Vias SP assumirá a operação das travessias de balsas e barcas do Estado. A concessão terá duração de 20 anos e prevê cerca de R\$ 2,5 bilhões em investimentos. Nos três primeiros meses, período que coincide com a alta temporada, o serviço ficará sob supervisão da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e da Agência de Transporte do Estado (Artesp). Enquanto isso, motoristas continuam enfrentando filas. Na última quarta-feira, por volta do meio-dia, a espera chegou a cerca de 50 minutos no lado de Santos, em razão de variações na maré e de um acidente na Rodovia Cônego Domênico Rangoni. “É equivocado acreditar que os problemas da travessia acontecem apenas nos feriados ou durante a alta temporada”, ressalta Glauber Silva, de 35 anos, gerente de uma administradora de loteamento. Silva utiliza a balsa seis vezes por semana. Ele avalia que a quantidade de embarcações pode ser insuficiente para a demanda e defende melhorias nas cabines de cobrança do lado de Guarujá, com mais opções de pagamento e leitores de tags. Encarregado financeiro em uma empresa de Guarujá, Rogério Marques Burnir, de 62 anos, conta que atravessa o canal diariamente há mais de três décadas. Durante esse tempo, ele acompanhou diferentes fases do serviço, mas considera que a qualidade piorou nos últimos anos. “As filas agora, em média, são de 60 minutos, principalmente das 18 horas em diante.” Para quem viaja de moto, a espera também interfere na rotina. Paulo Sergio Matos, de 44 anos, que trabalha com manutenção, usa a balsa seis vezes por semana e relata demoras de 15 a 30 minutos. “Na alta temporada, tenho receio de que aumente”, conta. A auxiliar administrativa Bárbara Marzagão, de 20 anos, atravessa de segunda a sexta-feira, de moto, para estudar em Santos. Ela costuma utilizar a balsa no horário de pico, por volta das 18 horas. Já foi atingida por um carro cujo motorista não notou sua passagem. Bárbara também defende a ampliação das formas de pagamento. Atualmente, a tarifa, de R\$ 6,20, é cobrada em dinheiro, o que exige que motociclistas deixem o valor separado antes de chegar à cabine. Para ela, a cobrança no modelo atual costuma causar atrasos e transtornos. O estudante Gustavo Protazio, de 24 anos, utiliza a travessia principalmente pela manhã. Ele relata que, em dias de neblina intensa, a fila chega a ultrapassar horas. Contrato e fiscalização A Artesp informou que o contrato também estabelece equipes de prontidão para reforçar a operação em períodos de maior demanda e planos de manutenção preventiva e de resposta a tempestades, ressacas e variações de maré. “O cumprimento dessas obrigações é fiscalizado pela Artesp, com monitoramento operacional em tempo real e avaliação mensal da qualidade do serviço”. O contrato prevê, ainda, reforço da frota em feriados e períodos de alta temporada. Enquanto isso, motoristas continuam enfrentando filas para viajar (Alexsander Ferraz/AT) Balsas elétricas e pagamento em Pix, cartões e tag O contrato de concessão prevê 45 novas embarcações, das quais 41 serão elétricas, nas 14 linhas do sistema estadual. Ainda não foi divulgado quantas serão destinadas à ligação entre Santos e Guarujá. Conforme a Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos (SPI), as primeiras embarcações novas devem operar a partir do terceiro ano do contrato, e a renovação completa da frota deverá ocorrer até o sétimo ano. Até lá, a frota atual receberá manutenção, e a oferta do serviço deverá ser mantida ou ampliada conforme a demanda. Na travessia Santos-Guarujá, há até oito embarcações simultâneas, quantidade que a concessionária prevê manter disponível neste primeiro momento. O projeto inclui 20 terminais novos ou ampliados, três centros de controle operacional, mais de dez cabines automáticas de cobrança e novas oficinas de manutenção. Nos primeiros seis meses da concessão, estão previstas melhorias nos terminais. Na ligação Santos-Guarujá, haverá a modernização dos terminais de passageiros nas duas margens, melhorias nos acessos viários e nas estruturas de atracação, adequações no flutuante e na rampa de acesso do lado de Santos. Também estão previstas melhorias no estaleiro de Guarujá e nos sistemas de informação aos usuários. Além de dinheiro Outra mudança será a ampliação das formas de pagamento. Usuários também poderão pagar por Pix, cartões de crédito e débito e tags de pagamento automático. Segundo a SPI, a concessão não provocará reajuste nas tarifas e manterá os valores e as gratuidades atuais. E todos os pedestres, mesmo sem usar bicicletas, viajarão de graça na travessia Santos-Guarujá