Comércio da região prepara liquidações de janeiro e consumidor deve ter cuidado

Especialistas em Economia e Direito do Consumidor alertam sobre riscos de se endividar logo no início do ano

Promoção, saldão, queima de estoque. Os nomes são variados e a tentação é grande, já que está aberta a temporada das liquidações de janeiro. Muitas lojas prometem descontos de até 70%, e quem pesquisa pode fazer boas compras. Mas, atenção: segundo especialistas em Economia e Direito do Consumidor, é importante calcular tudo, porque depois de Black Friday, Natal e todos os boletos que chegam neste mês, o risco de se endividar é grande.

“Essas promoções valem a pena para o consumidor que tiver uma reserva econômica”, diz a coordenadora de atendimento do Procon-SP, Renata Reis. Isso porque, explica ela, em janeiro sobram despesas fixas, como IPVA, IPTU e material escolar. 

“Com tanta coisa para pagar, pode ser que o consumidor opte por uma linha de crédito ou parcelamento com juros, e isso não será favorável”. Por isso, a palavra-chave é planejamento. Que, aliás, já deveria ter começado. 

“Fazer compras agora depende muito do quanto você já gastou no fim do ano anterior. Se tiver condições, vale a pena. Mas algumas coisas eu acredito que sejam falsas. Por isso, se você realmente quer comprar, tem que pesquisar durante um tempo. Quando eu quero, analiso por um mês”, aconselha o analista de exportação Matheus Felipe Antonio Vitoratto, de 27 anos, morador da Vila Mathias, em Santos.

E ele está certo. Segundo Renata, é essencial saber qual o valor do produto após o Natal, por exemplo. Isso ajudará a fugir de armadilhas.

À vista

A economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, orienta que, mesmo nessa época de liquidações, o consumidor que tiver dinheiro para pagar à vista deve usar esse argumento para pechinchar. “Não aceite o desconto como última alternativa”.

E não só pechinchar. Pesquisar também. Ainda que os lojistas falem de promoção, o mesmo produto pode ter preços diferentes de uma loja para outra. Assim, bater perna em busca do melhor preço pode render vantagens. 

“Eu acredito que é válido, principalmente para quem não comprou no Natal e agora aproveita para ver se tem liquidação. Acho que os empresários devem reduzir mais os preços para vender mais”, torce o encarregado Pedro Ramos da Costa, 62 anos, morador do Morro São Bento, em Santos.

No entanto, para a economista do Idec, é muito importante o consumidor se perguntar se realmente precisa daquele produto, ainda que ele esteja em promoção. “Temos que ter essa responsabilidade em relação ao consumo também”, sintetiza Ione.

* Colaborou Rhauanny Silva Queiroz.

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