Primeiro turno das eleições será em 4 de outubro; já o segundo turno está marcado para o dia 25 do mesmo mês. (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Embora 2026 seja um ano de eleições, é a partir deste mês que a disputa começa, de fato, a fazer parte da rotina dos brasileiros. Agosto concentra etapas decisivas do calendário eleitoral, como o fim das convenções partidárias, o encerramento do prazo para registro de candidaturas e o início da propaganda eleitoral, marcando a transição das articulações internas dos partidos para a campanha voltada ao eleitor. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece a próxima quarta-feira como prazo final para as convenções partidárias, quando são definidos os candidatos e alianças. Já no dia 15, termina o período para o registro oficial das candidaturas. A partir do dia 16, passa a ser permitida a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Entre 28 de agosto e 1º de outubro, será exibido o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. A partir do dia 6, emissoras de rádio e TV também passarão a seguir regras específicas, com restrições à programação para garantir equilíbrio na disputa. Largada Para o cientista político Fernando Chagas, agosto representa a largada da corrida eleitoral porque é quando o eleitor passa a perceber que a eleição realmente começou. Segundo ele, até então as discussões ficam concentradas nas negociações internas dos partidos e na definição de candidaturas e alianças. “É dada a largada para a campanha. O eleitor começa a tomar conhecimento de que teremos eleição, passa a se interessar e inicia a escolha dos candidatos”, afirma. Na prática, esse movimento já começa a ser percebido por parte dos eleitores. O aposentado José Carlos diz que mantém o hábito de assistir ao horário eleitoral gratuito na televisão. “Gosto de ouvir o que cada candidato tem a dizer antes de decidir meu voto. Também procuro acompanhar as notícias para entender o que é promessa e o que pode realmente acontecer”, comenta. Já o estudante Lucas Santos afirma que as redes sociais são o principal meio pelo qual acompanha a política. “Vejo muita coisa no Instagram e no YouTube, mas sempre tento conferir as informações em sites de notícias antes de formar uma opinião”, ressalta. O cientista político e professor universitário Rafael Moreira destaca que é justamente nesse período que o chamado eleitor médio percebe que precisará tomar uma decisão nas urnas. “É a partir de agosto que o processo eleitoral se acelera. O eleitor lembra que haverá eleição e começa a acompanhar mais de perto quem são os candidatos e quais valores eles representam”. Já o sociólogo e presidente do Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial (Iria), Marcelo Senise, define agosto como o mês em que “tudo é sacramentado”. Segundo ele, após as convenções e os registros, os candidatos passam a conhecer oficialmente seus aliados, adversários, tempo de propaganda e estrutura de campanha. Especialistas Destacam Importância da Internet Os especialistas em política concordam que as redes sociais ocupam hoje um espaço central na comunicação política, embora façam ressalvas sobre o papel do horário eleitoral. Redes sociais se tornaram a principal ferramenta de divulgação (Alexsander Ferraz/AT) Para Fernando Chagas, a internet já superou a campanha tradicional de rua e se tornou a principal ferramenta de divulgação das candidaturas, especialmente nos grandes centros urbanos. “Hoje, sem a internet, você não ganha uma eleição. A televisão continua importante, principalmente para públicos mais idosos e regiões mais afastadas, mas a rede social passou a ter papel predominante”, avalia. Marcelo Senise também considera que o horário eleitoral gratuito perdeu força diante das plataformas digitais. Segundo ele, cada rede social exige uma estratégia específica de comunicação, já que públicos e formatos variam entre YouTube, Instagram, TikTok, Facebook e outras plataformas. Rafael Moreira, por outro lado, pondera que ainda não há dados suficientes para afirmar que a internet substituiu a televisão como principal influência sobre o voto. Segundo ele, parte significativa da população continua consumindo informação por meio do rádio e da TV, especialmente em regiões onde o acesso à internet ainda é limitado. Atenção às propostas Com o início oficial da campanha, os especialistas recomendam que o eleitor aproveite o aumento das informações para analisar as propostas apresentadas pelos candidatos. Fernando Chagas afirma que o debate deve priorizar projetos concretos, deixando de lado ataques e ofensas entre adversários. Para ele, o eleitor deve avaliar quais propostas atendem às necessidades do país e da sua própria realidade. Rafael Moreira acrescenta que este é o momento de buscar informações em fontes confiáveis, como órgãos oficiais e veículos de imprensa, para que a escolha nas urnas seja feita de forma consciente e baseada em dados.