Cidades da região registram menos doenças respiratórias devido ao uso de máscaras

Uso de máscaras e isolamento social motivado pela pandemia de covid-19 são os principais motivos

A maior parte das cidades da Baixada Santista registrou queda no número de internações por doenças respiratórias neste ano, em comparação com 2019. São Vicente, Santos e Mongaguá tiveram menos pessoas internadas, sendo esta última a que registrou a maior redução: 68% em relação ao ano passado. Bertioga teve alta de 17%. Guarujá é a que mais teve aumento de casos, com 112% de registros de internações a mais do que em 2019. As prefeituras de Praia Grande e Cubatão e o Hospital Regional de Itanhaém não responderam até o fechamento da edição.

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Especialistas dizem que as quedas podem, sim, estar relacionadas às medidas de isolamento social, mas reforçam também que pode haver uma mudança na onda de contágio, desde o início do inverno. No caso de Guarujá, que viu seus números explodirem, é preciso lembrar que a cidade foi uma das primeiras a relaxar as medidas de isolamento mesmo antes do Plano SP, autorizando mais atividades comerciais, como os salões de beleza, antes de outras cidades da região fazerem o mesmo. 

Para o médico pneumologista José Rodrigues Pereira, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, as mesmas medidas impostas para se proteger do novo coronavírus valem para não contrair infecções respiratórias típicas do período mais frio do ano.

“Com certeza as medidas (de isolamento) ajudaram a reduzir as internações. Elas ajudam a evitar uma doença respiratória, uma pneumonia viral. Não estamos só nos protegendo do coronavírus, mas para todas as infecções que são pegas pelo ar”, diz ele.

O fato de usar máscaras o tempo todo também ajuda, além de outras medidas, como lavar as mãos e fazer higienização com álcool em gel. 

Para o médico pneumologista Mauro Gomes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, o inverno mais “brando” que tivemos neste ano também contribuiu para a redução. “Os vírus respiratórios se beneficiam do frio, quando ocorre maior concentração de poluentes e as pessoas ficam em ambientes fechados, facilitando a transmissão deles”, explica.

Sem relaxar

Com a flexibilização das atividades comerciais, pode haver certo abandono de algumas medidas, como já foi visto nas praias lotadas nos fins de semana, com muitas pessoas sem máscara, por exemplo. Os especialistas reforçam que tanto para o coronavírus quanto para as doenças respiratórias, como asma, rinite e a própria pneumonia, é muito importante continuar se protegendo.

“Quando a gente fala de proteção das infecções respiratórias, mesmo a pior máscara é melhor do que nenhuma máscara. Vale, sim, para a proteção”, diz José Rodrigues Pereira, que acredita numa naturalização ainda maior, daqui em diante, do acessório. 

“Minha impressão é que as máscaras, nos próximos anos, sejam mais naturalizadas, como acontece em países como China e Japão. Não digo que a maioria vai aderir, mas não será mais uma coisa estranha. Muitos irão adotar”, observa.

Fique atento

Para não esquecer, o médico reforça as doenças para ficar de olho: infecções virais, como influenza A, cujo maior representante é o H1N1; H3N2, influenza B e rinovírus, que é responsável por 60% a 80% das descompensações asmáticas. 

“Todos devem ficar atentos às infecções respiratórias. Há os grupos de risco, como quem tem asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), fibrose pulmonar, idosos e pessoas que possuem outras doenças crônicas, como cardiovasculares, obesidade, uso de medicações (corticoides) e em quimioterapia. Há uma preocupação maior nesses casos porque as infecções podem levar às complicações mais sérias. Então, o melhor é se manter em isolamento o máximo possível”, finaliza o médico Mauro Gomes.

Casos podem vir a aumentar fora do inverno

Ainda que haja uma queda no número de internações neste ano, o médico José Rodrigues Pereira alerta para uma possível onda de doenças respiratórias fora do inverno, agora que as pessoas estão circulando mais após a abertura parcial de diversos setores da economia. As pequenas viagens, os profissionais que retomaram o trabalho presencial e até mesmo quem está mais confiante de fazer uma refeição fora de casa são fatores que podem alavancar a transmissão de doenças respiratórias.

“Cada vez mais, a gente tem visto as pessoas circulando mais, falando em alugar casas na praia para feriados, buscando refúgio e um pouco de lazer. E, com isso, abrem mão um pouco das medidas de segurança, porque começam a relaxar pela sensação de refúgio”, diz.

Pereira se preocupa com isso, pois as indicações médicas de prevalência do coronavírus não garantem um escape para mais ondas de alta nos casos de covid-19 e também de doenças respiratórias.

“Os casos de coronavírus ficaram estáveis por conta das preocupações. Estamos longe de melhorar. Estudos de prevalência mostram que, na Espanha, 5% da população contraíram o vírus. Na Islândia, 3%. Num país como o nosso, gigante, seriam milhões de pessoas ainda suscetíveis”, conclui.

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