[[legacy_image_256194]] As cidades da Baixada Santista engatinham na oferta de redes públicas de internet. Restrita a órgãos, espaços públicos, escolas e transporte coletivo, as redes de Wi-Fi gratuitas não estão presentes em todos os municípios, mostrando a ineficiência das prefeituras em suprir uma demanda essencial no conceito de cidade inteligente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para Guilherme Passos de Souza. professor de Redes de Computadores da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e diretor de operações da Consuldata, faltam planejamento e investimento públicos. “Todas as iniciativas públicas na região que eu conheço, ao longo do tempo, foram se deteriorando. O que se ouve são reclamações de que não há acesso em locais que precisariam ter e que é muito difícil pegar o sinal, porque a qualidade da internet é muito precária”, aponta. Souza vê a região distante da modernidade que o mundo, cada vez mais tecnológico, exige. “Quando falamos em cidade inteligente, tem duas coisas importantes: uma é a internet dos humanos, que é o acesso à população, e a outra é a internet das máquinas, a IoT. Tem uma rede de sensores, uma ultrainternet, para coletar dados, fazer estatística, comandar equipamentos. Isso é um pedaço da cidade inteligente.” O professor esteve em Doha, no Catar, na Copa do Mundo do ano passado, e atestou a eficiência da conectividade nessa capital. “Você não fazia praticamente nada lá se não estivesse conectado. Para entrar no metrô, para pegar o ingresso do jogo, que recebi 20 minutos antes, para não ter (risco de) clonagem, para ir a um restaurante.” São Paulo, na opinião de Souza, tem a rede gratuita de Wi-Fi mais eficiente do País. Mesmo assim, com limitações. “Uma grande parcela da população tem acesso ao 3G e ao 4G. E tem uma parcela que não tem ou tem de forma limitada. Acho que a internet pública gratuita poderia fazer uma inclusão social maior, porque a parte social é muito importante e, hoje, está sendo negligenciada.” Na visão do especialista, a solução para que as cidades da Baixada propiciem um serviço gratuito de qualidade é as prefeituras investirem na implantação e na manutenção da rede ou uma parceria com o setor privado. “Na parceria, poderia haver uma troca de serviços, para que a população possa, como faz no YouTube, assistir a um videozinho, algum tipo de comercial, mas tem a internet disponibilizada por aquela operadora”. SegurançaOutro ponto destacado pelo professor é a segurança nas redes públicas. Para Souza, falta também uma política pública unificada, com um cadastro nacional, onde o cidadão pudesse entrar com seus dados (CPF, por exemplo) e usar o serviço em qualquer cidade do País, podendo ser identificado caso cometesse algum delito ou crime virtual. A confiabilidade nos serviços de Wi-Fi gratuito também é essencial. “As pessoas têm que ter certeza de que aquela rede gratuita é oferecida oficialmente, porque pode ter alguém roteando aquele ponto. Se a pessoa entrar nesse ponto (roteado por alguém), tudo o que ela fizer na internet estará sendo monitorado, e a probabilidade de perder senha e credenciais é muito grande”, alerta. ConceitoDe acordo com a FGV Projetos, unidade de assessoria técnica da Fundação Getulio Vargas, a União Europeia define como smart cities (cidades inteligentes) “sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida”. Segundo o Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha, as dimensões que indicam o nível de inteligência de uma cidade são governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, meio ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e economia. Santos é a que mais tem opçõesNa região, Santos é a cidade com mais locais de pontos gratuitos de internet. Em julho de 2014, de acordo com a Prefeitura, Santos se tornou a primeira cidade brasileira a ter acesso gratuito à internet em todos os ônibus coletivos municipais. Dentro do programa Santos do Futuro, com investimento de R\$ 6,2 milhões, a Prefeitura concluiu a melhoria da infraestrutura de internet e a oferta de sinal de Wi-Fi nas 86 unidades municipais de ensino (incluindo as creches) para o acesso dos alunos a tablets e lousas digitais nas atividades pedagógicas. O sinal gratuito de internet sem fio está disponível no Poupatempo (Rua João Pessoa, 246, Centro), em parceria com o Governo do Estado, e em órgãos e logradouros públicos. Estes são os pontos: Estação Rodoviária (Praça dos Andradas, 45, Centro); Vila Criativa da Penha (Rua Brigadeiro Newton Braga, 39); Vila Criativa da Vila Nova (Praça Rui Ribeiro Couto, s/nº); Vila Criativa da Vila Progresso (Rua 3, s/nº); Biblioteca Mario Faria - Posto 6 (Av. Bartolomeu de Gusmão, s/nº, Aparecida); Gibiteca Marcel Rodrigues Paes (Av. Bartolomeu de Gusmão, s/nº, Boqueirão); e nos trechos a seguir da Ponta da Praia — Praça Luiz La Scala x Rua Dr. Isidoro José Ribeiro de Campos; Praça Luiz La Scala x Rua Roberto Sandall; Av. Bartolomeu de Gusmão x Rua Afonso Celso de Paula Lima; Av. Almirante Saldanha da Gama x Praça Almirante Gago Coutinho, e Rua Rei Alberto I x Praça Gago Coutinho. O Município planeja instituir, a partir de 2024, mais de 70 pontos de Wi-Fi em praças, espaços e equipamentos públicos em todas as regiões da Cidade, incluindo Morros, Zona Noroeste e Área Continental. Para isso, a Prefeitura está captando financiamento internacional no Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Outras cidadesEm Praia Grande, a população tem Wi-Fi gratuito no atendimento das secretarias de Finanças e de Urbanismo. Ainda, nos conjuntos habitacionais Vila Helena (Canto do Forte) e Tupiry I (Tupiry) e no transporte coletivo municipal. Na Educação, todas as salas das 78 escolas municipais têm a tecnologia durante as aulas. Em Guarujá, a Diretoria de Tecnologia da Informação está finalizando o projeto de oferta de Wi-Fi livre em todos os prédios públicos. A rede Conecta Guarujá está em testes e estará disponível em todos os imóveis públicos em breve. Em São Vicente, a Secretaria de Planejamento e Governança estuda a adoção de Wi-Fi em regiões da Cidade, mas o maior desafio é ampliar a cobertura de fibra óptica, cujo processo está em andamento. Cubatão não oferece o serviço à comunidade, mas estuda fazê-lo no píer do Jardim Casqueiro. A Administração está contratando uma empresa especializada para ajudar na construção do Plano Diretor da Tecnologia da Informação e Comunicação. A ideia é analisar parceria com operadoras para oferecer internet gratuita aos usuários. No transporte coletivo, há Wi-Fi de graça. Em Mongaguá, há acesso gratuito à internet na Praça Fernando Arens, no Centro, e na Biblioteca Municipal (3º andar do Espaço Cidadão), na Avenida São Paulo, 1.580, Centro. No transporte coletivo, o serviço está disponível na região central, nas praças Jacob Koukdjian e Ramiro Borges. A Administração estuda outros pontos em equipamentos turísticos. Pontos disponíveis nas praças Jacob Koukdjian e Fernando Arens resultam de parceria. A Prefeitura de Itanhaém estuda ter Wi-Fi nos principais órgãos públicos, praças e na orla. No ano passado, o Departamento de Tecnologia estruturou a rede dos prédios públicos municipais com fibra óptica. No transporte público, o serviço está disponível em toda a frota. Em Peruíbe, há 120 pontos de conexão via Wi-Fi social ou livre. A maioria dos prédios municipais e parte das praças (Flórida, Parque Turístico, Boulevard do Centro, Ponto I e Boulevard do Guaraú) já tem o serviço. Há um projeto para parceria com empresas de telecomunicações. A Prefeitura de Bertioga não enviou as informações solicitadas pela Reportagem.