Especialista indica evitar gastos com compras supérfluas (Alexsander Ferraz/AT) Com valor médio das dívidas de R\$ 5.959,39, o litoral de São Paulo possui mais de 744 mil pessoas inadimplentes, conforme revela o Mapa de Inadimplência e Renegociação de Dívidas do Serasa. Entre as principais dívidas feitas pelos munícipes estão empréstimos com bancos, faturas de cartões de crédito e contas básicas, como água, luz e telefone. Santos é a cidade com maior valor médio das dívidas, com a média totalizando R\$ 6.793,00 por pessoa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em 2025, o Brasil registrou o valor médio de R\$ 5.617,00 por pessoa em dívidas. Santos está pouco mais de mil reais acima deste valor, com R\$ 6.793,00 por pessoa, 20,94% a mais do que a média nacional. No Estado de São Paulo, 48,97% dos moradores estão endividados e, de acordo com dados fornecidos pelo Serasa, houve um aumento na inadimplência em todas as cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista em 2024. Este aumento deve crescer ainda mais este ano. Esse crescimento pode estar relacionado a diversos fatores, conforme explica a especialista da Serasa em Educação Financeira, Bianka Amaral. “A inadimplência é um processo complexo, que envolve uma série de variáveis econômicas, como a taxa de desemprego, a inflação, a taxa de juros, e pagamentos de início de ano, como IPVA, IPTU e matrículas estudantis”, explicou. Para a especialista, fatores comportamentais são essenciais para a compreensão deste fenômeno. Ela afirma que a falta de educação financeira também pode ser um fator que contribui para a inadimplência e é tão importante quanto os impactos da economia. A dependência do turismo, que leva a oscilações na renda da população, e o elevado custo de vida em algumas cidades litorâneas provocam esse volume de dívidas. Além disso, a região conta com um alto número de trabalhadores informais e autônomos, que têm maior vulnerabilidade financeira. Dívidas Segundo dados do Mapa de Inadimplência, as principais dívidas feitas pelos usuários são com bancos e cartões (29,58%) e contas básicas (27,64%). O valor médio das dívidas na região é de R\$ 5.959,39, média acima do estado de São Paulo, que é de R\$ 5.617,00. Em termos financeiros, a região possui um alto montante de dívidas em aberto, com um total de R\$ 4,36 bilhões. Santos é a cidade com maior número de inadimplentes e o maior valor médio de dívida, chegando a R\$ 6.793,79. Enquanto isso, a cidade com a menor média é Cubatão, com R\$ 5.121,76. Confira o número de inadimplentes por cidade: Santos – 157.478 São Vicente – 145.575 Praia Grande – 136.212 Guarujá – 122.386 Cubatão – 44.930 Itanhaém – 44.206 Bertioga – 26.788 Peruíbe – 24.921 Mongaguá – 23.389 Confira o valor total de dívidas por município: Santos – R\$ 1.069.017.969,64 Praia Grande – R\$ 871.048.835,51 São Vicente – R\$ 799.012.544,03 Guarujá – R\$ 705.243.313,36 Itanhaém – R\$ 261.746.499,96 Cubatão – R\$ 230.115.100,50 Bertioga – R\$ 150.466.573,39 Peruíbe – R\$ 139.832.359,59 Mongaguá – R\$ 137.077.268,48 Renegociação De acordo com o Serasa, em janeiro de 2025, foram fechados 4.149.415 acordos por meio do programa Serasa Limpa Nome. A empresa afirma que muitos consumidores estão aderindo à renegociação de dívidas, com um valor médio de acordo fechado de R\$ 676,00. O programa já concedeu mais de R\$ 10,27 bilhões em descontos. Dicas para uma vida financeira saudável A especialista Bianka Amaral destaca conselhos para evitar dívidas. “Anote todas as suas dívidas: relacione o valor total e o valor das parcelas, taxas de juros, bancos e empresas credoras. Além disso, atente-se para a data de vencimento das parcelas e o prazo total de quitação da dívida.” A educadora explica que o ideal é separar as contas em três categorias. A primeira, essenciais, inclui gastos com contas básicas, como aluguel, energia, higiene e medicamentos. A segunda, necessárias, abrange despesas importantes para manter a qualidade de vida, como plano de internet e de saúde. Por fim, as supérfluas estão relacionadas ao lazer, como delivery, restaurantes e assinaturas de streaming. Bianka Amaral indica que os usuários avaliem seu endividamento. “Existem casos em que o endividamento se dá por conta de gastos excessivos e desorganização financeira. Por isso, responda: quais foram os motivos das suas dívidas? O que pode ser feito para evitar que novos débitos sejam contraídos? O objetivo da avaliação é não retomar a situação incômoda no futuro”, reforça a especialista.