Quando eles passam pelas ruas, é difícil quem não olhe para eles com um ar de admiração. O barulho do motor é digno dos melhores autódromos do mundo. Mas eles estão por aqui, parados no semáforo ao lado dos demais veículos: os esportivos vieram para ficar e têm um público cativo no Brasil. De acordo com levantamento de junho da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), somando os nove primeiros colocados no ranking de emplacamentos, 1,6 mil veículos desse segmento ganharam as ruas este ano. O líder é o Porsche 911, com 677 veículos emplacados, seguido pelo Ford Mustang, com 222, e a BMW M3, com 128. A lista traz ainda, na sequência, o BMW M2 (121); GM/Corvette (114); MG Cyberster (64); Porsche Boxster (64); Dodge Challenger (45) e Porsche Cayman (36). Os valores também impressionam. Para se ter uma ideia, o líder Porsche 911 zero quilômetro, na versão Turbo S Coupé 3.6 24V, pode chegar a R\$ 2,6 milhões, de acordo com a Tabela Fipe. Já o Ford Mustang, na versão Dark Horse, com motor 5.0 V8 de 507 cv, tem preço sugerido de R\$ 649 mil. A toda velocidade As velocidades máximas destes bólidos, embora não possam ser exploradas na plenitude nas ruas por razões de segurança, também impressionam. O Mustang GT Dark Horse, por exemplo, chega a 250 km/h — velocidade limitada eletronicamente. Já o Porsche 911 chega à velocidade máxima de 296 km/h. A capacidade de aceleração (0 a 100 km/h) é outro dado destacado. No Mustang, são necessários apenas 4,1 segundos (com câmbio automático de 10 marchas). Já no Porsche 911, são necessários apenas 3,7 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Há ainda os superesportivos, com produção limitada e velocidades ainda maiores — e valores também. Ferrari, Lamborghini e McLaren estão no rol de possibilidades, mesmo que não sejam zero quilômetro. Um Aston Martin Vantage F1 Edition ano 2021/2022 pode custar R\$ 1,590 milhão. Já uma Ferrari 812 GTS, ano 2023, pode custar R\$ 5,7 milhões. Já o modelo 849 da fábrica italiana pode chegar a R\$ 8 milhões, enquanto uma Lamborghini Temerario 0 km tem preço cotado em R\$ 5,3 milhões. Legislação Enquanto isso, um projeto de lei, de autoria do deputado Fred Linhares (Republicanos/DF), aguarda parecer na Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados. Ele propõe alteração no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), para dispor sobre os requisitos mínimos e específicos para condução de veículos e motocicletas de alta potência. Em sua justificativa, o deputado afirma que a proposta “(...) conceitua o que são veículos e motocicletas de alta potência e determina os requisitos para a permissão da condução deste tipo de veículo/motocicleta, como a idade mínima de 25 (vinte e cinco) anos e 5 (cinco) anos de habilitação, sem infração”. O comprador de um carro esportivo deixou de buscar apenas velocidade Hoje procura uma experiência, uma recompensa pelo próprio sucesso e um veículo que represente seu estilo de vida. É o que avalia o empresário do setor automotivo e proprietário da Doin Motors, Christian Doin. “Há alguns anos, era comum encontrar compradores entre 50 e 65 anos. Hoje, principalmente nas marcas premium, a faixa predominante está entre 35 e 55 anos, formada predominantemente por empresários, profissionais liberais, investidores e executivos que já construíram a estabilidade financeira e formação de patrimônio”, afirma. “O carro deixou de ser símbolo de riqueza, está muito mais relacionado a sentimento de merecimento.” Christian entende que se trata de uma compra muito mais emocional do que racional. “São clientes que não se apegam à desvalorização e apreciam design e tecnologia. Isso pesa mais que potência. Muitos nunca utilizarão todo o desempenho do veículo por conta das nossas leis de trânsito e limites de velocidade.” Critérios Hoje, o comprador prioriza: painel totalmente digital; assistentes de condução; integração completa com smartphone; câmeras 360°; suspensão eletrônica; sistemas de áudio premium. “Quanto mais raro o modelo, maior o interesse. Séries limitadas, cores exclusivas, opcionais diferenciados e configurações personalizadas despertam enorme desejo. O cliente quer dirigir algo que poucos possuem. Além disso, o mercado percebeu que um esportivo premium com dois ou três anos oferece excelente relação entre custo e benefício”, complementa.