Atitudes podem evoluir e colocar a vida da vítima em risco (Adobe Stock) Foi “só” um xingamento, “só” um tapa, “só” um empurrão, “só” ciúme. São situações como essas que mulheres em situação de violência enfrentam diariamente. Essas atitudes podem evoluir e colocar a vida da vítima em risco. Por isso, diante de qualquer sinal, é essencial denunciar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como forma de conscientização, foi criada a campanha Agosto Lilás, que reforça a importância da luta contra a violência contra mulher. O mês foi escolhido em alusão à Lei Maria da Penha, sancionada em agosto de 2006. A campanha tem o objetivo de orientar a população a identificar e reagir a casos de violência contra as mulheres. Hoje, o Brasil apresenta um cenário preocupante dentro desse tema. Segundo o Mapa da Violência da Segurança Pública, o País registrou, em 2024, o maior número de feminicídios desde 2020. Foram 1.459 casos, ou seja, uma média de quatro mortes por dia. O levantamento mostra que eles acontecem geralmente em contextos de violência doméstica ou por discriminação de gênero. No Estado de São Paulo, o número de feminicídios também aumenta. Foi de 124 para 129, comparando os seis primeiros meses de 2024 com os de 2025. Já nas tentativas, o crescimento foi um pouco maior: de 598 para 655, também na comparação entre os primeiros semestres. Não têm padrão A delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Praia Grande, Lyvia Bonella, afirma que crimes como o feminicídio não seguem um padrão e muitas vezes a vítima não possui boletim de ocorrência registrado. Além disso, ela explica que há comportamentos e sinais que o agressor começa a apresentar antes da escalada da violência. “Começam com pequenas agressões, que às vezes nem são identificadas pela mulher como tais — como ofensas verbais, ameaças, algum tipo de violência psicológica ou moral. Depois, vêm os empurrões. É algo que vai crescendo até chegar à agressão física. E, quando ultrapassa essa barreira do psicológico para o físico, a situação se torna muito perigosa, pois se aproxima da possibilidade para que haja um feminicídio”, alerta a delegada. Ela destaca ainda o impacto emocional e psicológico que impede muitas mulheres de se afastarem do agressor. Segundo Lyvia, o ciclo da violência é difícil de romper, ainda mais porque a vítima não costuma ter uma rede de apoio efetiva. “Geralmente começa com uma fase de ‘lua de mel’, onde tudo parece bem. Depois, o clima começa a ficar tenso até ocorrer uma agressão. Em seguida, o agressor pede perdão e a vítima é envolvida novamente em uma nova fase de aparente tranquilidade. Assim, o ciclo se repete: tensão, agressão, arrependimento. Isso aprisiona a mulher emocionalmente.” Formas de Proteção Existem algumas maneiras das mulheres se protegerem e terem ajuda. Uma delas é ir à DDM e registrar boletim de ocorrência contra o agressor. Lá, a mulher também pode solicitar uma medida protetiva. Caso o homem descumpra, ele pode ser preso. Outra forma que a delegada DDM cita são recursos tecnológicos que estão disponíveis para auxiliar as vítimas. Um deles é o aplicativo SP Mulher Segura. “Através dele, é possível registrar boletim de ocorrência, solicitar medida protetiva e encontrar as delegacias mais próximas. Para as mulheres que já possuem medida protetiva, há ainda a opção de acionar diretamente a Polícia Militar em caso de emergência — o chamado botão do pânico”. Ela reforça que também é possível denunciar de forma anônima, pelos telefones 100 e 180. Delegacias De acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública, na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, há 10 DDMs, localizadas em Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Registro, Praia Grande, São Vicente, Guarujá, Cubatão, Jacupiranga e Santos. A unidade santista é a única que conta com atendimento 24 horas. Também há 12 salas DDM 24h, instaladas nos municípios de Guarujá, Bertioga, Cubatão, Praia Grande, São Vicente, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Registro, Miracatu, Iguape e Jacupiranga. Municípios preparam programação especial Prefeituras da região terão ampla programação em alusão à campanha Agosto Lilás. Santos, por exemplo, contará com mensagens de conscientização em eventos esportivos, iluminação especial em equipamentos públicos, oficinas, comemoração pelos seis anos do programa Guardiã Maria da Penha, dentre outras atividades. Em São Vicente, destaque para o Ônibus Lilás, iniciativa que oferece atendimentos psicossociais e assistência jurídica a mulheres vítimas de violência. Guarujá oferecerá o curso especial “Agosto Lilás: a atuação policial no combate à violência doméstica”. O evento, gratuito e parte da campanha, acontece quinta-feira, das 8h às 17h, na Unaerp (Avenida Dom Pedro I, 3300, Enseada). Inscrições podem ser feitas pelo link doity.com.br/agostolilasguaruja. Em Praia Grande, o Grupamento Guardiã Maria da Penha participará de uma capacitação promovida pela Secretaria de Saúde Pública (Sesap), voltada às equipes das Usafas. O tema será “Cuidar e Proteger: Enfrentando a violência contra a mulher”, terça e quarta-feira, às 8h30 e às 14h, no Auditório da Secretaria da Educação (Rua José Borges Neto, 50, Bairro Mirim). Cubatão, por sua vez, fará diversas ações educativas e de conscientização, como panfletagens, cartazes em pontos estratégicos e pedágios educativos.