(Fabrício Costa/AT) Termômetros marcando mais de 40ºC, umidade relativa chegando aos 15% e qualidade do ar classificada como 'ruim'. Esse foi o cenário na Baixada Santista nesta quinta-feira (12). A junção de todos esses fatores é prejudicial à saúde de moradores da região e, segundo especialista, pode ser reflexo das queimadas que assolam o País (veja detalhes mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com uma estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) instalada em Bertioga, a máxima atingiu 39ºC às 15 horas. Neste mesmo ponto, a umidade relativa do ar chegou a 20%, considerado um número de estado de alerta para a população em geral. Calorão O Instituto Climatempo divulgou que a temperatura chegou aos 40,2C nesta quinta (12) na Ponta da Praia, em Santos, também às 15 horas. Neste mesmo horário, a umidade chegou aos 15% no Município. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indicou que nenhuma estação de qualidade de ar atingiu a classificação ‘boa’. Santos teve um registro de ‘moderada’ no Boqueirão e ‘ruim’ na Ponta da Praia. Enquanto Cubatão tem ‘muito ruim’ na Vila Parisi (área industrial), ‘moderada’ no Vale do Mogi e ‘moderada’ no Centro. Com base na Cetesb, o Climatempo também explicou que, em Santos, a maior concentração de poluentes, que está em nível ruim, é de mp10 (ou seja, poeira grossa). Com a qualidade do ar ruim, é indicado que a população reduza o esforço físico pesado ao ar livre, principalmente pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares, idosos e crianças. “Nos últimos dias tem sido observado de forma abrangente, um número alto de estações com qualidade Ruim e Muito Ruim por partículas inaláveis finas. Esta situação é influenciada pelos focos de incêndio no estado, agravado pelas condições meteorológicas desfavoráveis à dispersão de poluente, devido atmosfera estável, pouca ventilação e ausência de chuvas", diz a gerente da divisão de qualidade do ar da Cetesb, Maria Lúcia Guardani, em nota. Entretanto, o Climatempo destacou que atualmente se observa uma situação de subsidência do ar (um movimento do ar de cima para baixo, atuando como uma ‘tampa’) mais acentuada. Esse movimento acaba dificultando a mistura do ar perto da superfície, o que faz com que a concentração de poluentes aumente, segundo o instituto. O que dizem as prefeituras? A Prefeitura de Santos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, orientou a população a procurar uma das três Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nos casos de urgência. Segundo o secretário de saúde de Santos, Denis Valejo, a orientação é ingerir bastante água, especialmente as crianças, idosos e mulheres que amamentam; evitar atividades físicas ao ar livre; evitar exposição em horários de pico; usar umidificadores, baldes ou bacias para deixar o ambiente menos seco e, principalmente as pessoas que têm doenças crônicas, realizar lavagem nasal com soro fisiológico. Cubatão divulgou que, do dia 1 a 11 de setembro deste ano, o Pronto-Socorro Central e Pronto-Socorro Infantil, atendeu 531 pessoas, sendo 234 com tosse, 95 com infecção aguda das vias superiores (não especificadas), 185 com nasofaringite aguda (resfriado comum) e 17 com influenza (gripe) com outras manifestações devido ao vírus não identificado. A Prefeitura destacou ter acompanhado de perto os relatórios sobre a qualidade do ar elaborados e monitorados pela Cetesb e disse que, por ora, não há relatos de impacto na qualidade do ar na área urbana, ficando o índice restrito à área industrial por conta do material particulado no ar (poeira), o que é diferente de poluição industrial. Outro fator apontado pela Administração é que, durante o período de inverno, as condições meteorológicas, como ar mais seco, falta de vento, nuvens baixas e infrequentes chuvas, desfavorecem a dispersão desses poluentes que ficam concentrados junto ao solo. Por isso, destacou a importância da hidratação, especialmente aos mais vulneráveis - idosos, crianças, pessoas com comorbidades e fotoproteção. Também citou a Operação Inverno, promovida pela Cetesb, que conta com a contribuição das indústrias por meio do Cide-Ciesp Cubatão e demais órgãos, para promover a umectação diária em avenidas e nos pátios de estacionamento do Polo, feita diariamente. Atenção à saúde Apesar da previsão do tempo indicar um clima mais ameno já na sexta-feira (13) e a chegada de uma frente fria no domingo (15), é importante se atentar para o clima seco não afetar sua saúde. De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, quando o ar está seco, as mucosas das vias respiratórias se ressecam, facilitando a irritação e inflamação, principalmente em quem já sofre de doenças respiratórias, como asma e rinite. “Há um aumento do risco de desidratação, especialmente entre crianças e idosos, além do ressecamento da pele. Para aqueles que têm doenças crônicas, como asma, bronquite crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca e diabetes, o impacto pode ser ainda mais intenso. O ar seco pode se tornar um inimigo silencioso da respiração, aumentando os riscos, especialmente para os mais vulneráveis”, ressalta o especialista. Os sintomas mais comuns, segundo o médico, são: irritação nos olhos, nariz e garganta; tosse seca e espirros; ressecamento da pele; cansaço e dificuldade para respirar. Esses sintomas podem ser mais intensos em pessoas com doenças respiratórias preexistentes, como asma ou bronquite crônica. “Pessoas com condições crônicas de saúde, como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), insuficiência cardíaca ou diabetes, podem sofrer uma piora mais acentuada em sua condição devido à desidratação e à inflamação nas vias aéreas. O corpo sente a secura no ar e responde com tosse, irritação e cansaço”, explica. Por isso, é importante procurar um médico quando os sintomas se agravam, especialmente se houver dificuldade persistente para respirar, dor no peito, tosse com secreção (especialmente amarelada ou esverdeada) ou sintomas gripais acompanhados de febre e mal-estar. Doenças crônicas Weissmann também destacou que pacientes com doenças crônicas devem ficar ainda mais atentos, pois suas condições podem se desestabilizar rapidamente nessas situações. “Quando a respiração se torna difícil ou a tosse se agrava, é hora de buscar ajuda médica”, informa. “Com a qualidade do ar variando entre 'moderada' e 'muito ruim', há maior concentração de poluentes, o que pode agravar os sintomas respiratórios causados pela baixa umidade. Entre os sinais estão o agravamento de doenças como asma, bronquite crônica e DPOC, além de dores de cabeça, irritação nos olhos e nariz, e uma sensação de fadiga. Pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares crônicas devem redobrar os cuidados, pois sua condição pode se agravar consideravelmente. A combinação de poluição e ar seco forma um cenário perfeito para o surgimento de problemas respiratórios”, conclui. Demais cidades Guarujá advertiu que a questão climática é uma preocupação do Município, visto que, já foram investidos mais de R\$ 250 milhões em políticas públicas e melhorias, sendo a qualidade do ar, uma responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo. Também indicou que o Município já plantou mais de 1.400 árvores e incluiu a Segurança Climática ao nome da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), passando a chamar Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Segurança Climática. Além disso, a Administração citou que realiza estudos sobre o assunto, como o ‘Atlas da Poluição’, desenvolvido entre os anos de 2019 e 2020, com bromélias. E, em parceria com a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) – Campus Guarujá, desenvolve novo estudo que observa o sistema respiratório, cardiovascular e bem-estar das crianças e idosos que moram nos bairros Jardim Conceiçãozinha e Boa Esperança, em Vicente de Carvalho. São Vicente explicou que, devido ao tempo seco e ao forte calor, está orientando os moradores, nas unidades de saúde, que redobrem a hidratação, principalmente em crianças e idosos. Mongaguá afirmou que estuda as ações que podem ser implementadas para mitigar os impactos da baixa qualidade do ar e promover a conscientização a respeito da questão. Itanhaém divulgou que permanece em atenção fazendo mapeamento desses casos respiratórios devido à atual situação climática. As demais cidades da Baixada Santista não retornaram com informações sobre as ações adotadas neste cenário.