Segundo especialistas, o El Niño muito forte pode elevar as temperaturas na Baixada Santista nos próximos meses, com períodos de sensação térmica elevada, especialmente durante a primavera e o verão (Matheus Tagé/ Arquivo AT) O fenômeno conhecido popularmente como "Super El Niño" continua ganhando força e pode atingir seu pico entre outubro e dezembro deste ano, segundo projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Caso as previsões se confirmem, este poderá ser o evento mais intenso desde o início dos registros do El Niño, em 1950, com aquecimento superior a 3°C nas águas do Oceano Pacífico. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na Baixada Santista, litoral de São Paulo, porém, os reflexos não devem ser exatamente os mesmos observados em outras regiões do Estado. Embora o fenômeno influencie o clima em escala global, especialistas destacam que outros fatores também interferem nas condições meteorológicas do litoral paulista. Segundo o meteorologista Márcio Bueno, da Tempo OK, não existe uma relação direta entre o El Niño e todas as variações climáticas observadas no Sudeste, mas alguns impactos já são esperados para cidades como Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Bertioga, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe. "O principal efeito deverá ser o aumento dos dias quentes. Durante a primavera ainda devemos ter episódios de chuva mais volumosa, alternados com períodos de calor intenso. Já no verão, a tendência é de menos chuva e predominância de temperaturas elevadas", explica. Primavera deve alternar calor e temporais De acordo com o especialista, a primavera na Baixada Santista deverá ser marcada pela passagem frequente de sistemas meteorológicos, favorecendo períodos de chuva, mas também dias abafados, com sensação térmica elevada por causa da alta umidade típica da região. As previsões de longo prazo indicam que setembro poderá concentrar o maior risco de temporais e alagamentos, justamente pelo aumento da atuação desses sistemas sobre o Sudeste. Apesar disso, a expectativa muda no verão. "Nessa estação, os sistemas meteorológicos tendem a ficar mais concentrados sobre a Região Sul, deixando o litoral de São Paulo com menos chuva e temperaturas acima da média", afirma. Ressacas, erosão costeira e alagamentos Segundo Márcio Bueno, o risco de ressacas marítimas continua maior durante o outono e o inverno, não havendo indicação de aumento significativo provocado pelo El Niño. Já a erosão costeira e os alagamentos, problemas recorrentes em alguns municípios da região, podem até ocorrer durante o verão, mas a tendência atual aponta para um período com chuva abaixo da média, o que reduz a probabilidade desses eventos. "Isso não significa que eles estejam descartados. O verão continua sendo naturalmente uma estação chuvosa e eventos isolados podem acontecer", ressalta. Em compensação, o aumento das temperaturas pode trazer outras preocupações. O especialista alerta para a possibilidade de maior consumo de energia elétrica, especialmente nos períodos de calor intenso, aumentando a pressão sobre o sistema de abastecimento. Porto de Santos pode sofrer impactos Os efeitos também podem chegar às atividades econômicas da Baixada Santista. Segundo Márcio Bueno, o El Niño favorece a formação de sistemas meteorológicos capazes de gerar ventos fortes e reduzir a visibilidade no litoral de São Paulo. No Porto de Santos, isso pode resultar na suspensão temporária da praticagem — serviço responsável por conduzir navios até os berços de atracação —, atrasando operações portuárias e a movimentação de cargas. Com isso, a navegação e o setor pesqueiro também podem enfrentar dificuldades. "O mar mais agitado compromete a segurança das embarcações, pode interromper saídas para pesca e gerar prejuízos para a atividade pesqueira", explica. Efeitos já podem ser sentidos antes do pico Embora o auge do Super El Niño esteja previsto para ocorrer entre outubro e dezembro, os impactos não ficam restritos a esse período. Segundo o meteorologista, temperaturas acima da média e maior instabilidade atmosférica já podem ocorrer antes mesmo do pico. Ele lembra, porém, que o El Niño não atua isoladamente. "O aquecimento do Oceano Atlântico e outros fenômenos atmosféricos também influenciam as condições do tempo. Por isso, os efeitos podem variar ao longo dos próximos meses". População deve acompanhar alertas Para os moradores da Baixada Santista, a principal recomendação é acompanhar constantemente as previsões meteorológicas e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais. Márcio Bueno destaca que trabalhadores expostos ao sol, idosos, crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade devem ter atenção especial aos períodos de calor extremo. Já para as prefeituras, o especialista recomenda manter o monitoramento das condições meteorológicas, identificar áreas mais suscetíveis a alagamentos e fortalecer os sistemas de alerta e prevenção junto às defesas civis municipais.