Calor intenso e chuvas fortes serão os principais efeitos do El Niño na Baixada Santista e pelo Brasil (Divulgação / Prefeitura de Santos) Com presença marcante nos últimos meses, o El Niño voltou ao centro das atenções e trouxe preocupação à população da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, e pelo Brasil. De acordo com o meteorologista José Marengo, ainda é difícil estimar o impacto exato do aquecimento decorrente do fenômeno, mas a previsão é que, no verão, os termômetros passem dos 35°C em alguns dias. A intensidade do calor preocupa especialistas, já que pode causar desidratação e complicações à saúde. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Marengo é coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e participou de debate sobre os impactos do El Niño na Associação Comercial de Santos (ACS) nesta quarta-feira (21). O especialista afirma que o pico de temperatura acontecerá no verão de 2027, mas a tendência é que ainda na primavera haja aumento de temperatura, com calor intenso, e chuvas. O pesquisador explica que as áreas do Brasil mais afetadas pelo El Niño geralmente estão na Região Sul do país. Em alguns casos, o evento climático provoca chuvas intensas e de curta duração na região, que podem gerar desastres. Por outro lado, áreas perto de Manaus (AM) vêm sofrendo com secas, calor e alto risco de incêndios, que já acontecem na região. O meteorologista destaca que a Região Nordeste também enfrenta situações de seca que afetam a segurança alimentar, hídrica e energética da população. No Centro-Oeste e no Sudeste, os sinais de chuva não são muito claros, mas a expectativa é de altas temperaturas e calor intenso. Litoral de São Paulo O especialista destaca que a combinação de mar, umidade e áreas de encosta, presentes na Baixada Santista e no resto do litoral de São Paulo, induz a formação de chuvas intensas e eleva o risco de desastres na região. Dessa forma, há um aumento da vulnerabilidade e da exposição da população dessas áreas, "o que constitui um desastre climático". Essa sequência de chuvas intensas pode gerar deslizamentos de terra, enxurradas, alagamentos e temporais na Baixada Santista. Além disso, a região também pode sofrer com inundações costeiras, que acontecem quando ressacas intensas levam ondas para dentro da cidade. "Em termos de infraestrutura urbana, inundações e deslizamentos de terra podem destruir pontes, estradas e calçadas. Enfim, realmente é uma combinação perigosa, porque a infraestrutura tem que ser protegida pelos governos para evitar perdas", alerta Marengo. O especialista também aponta que o fenômeno do El Niño pode ampliar o risco de desabastecimento de água, com reservatórios esvaziando de forma mais rápida, o que afeta a segurança hídrica e energética. Atenção especial Marengo alerta que os grupos de população que devem estar mais atentos a períodos de calor são pessoas de qualquer idade que possuem comorbidades renais, doenças coronárias e respiratórias. Mas enfatiza que os grupos etários mais vulneráveis são os idosos e as crianças. "Sempre se recomenda não sair de casa entre 10h e 16h quando tem muito calor. Se as pessoas precisam sair, coloquem filtro solar, sobretudo aquelas que têm pele mais clara. Sempre levem água para se hidratar, e se possível, não saiam sem chapéu ou guarda-chuvas. Mas os guarda-chuvas seriam mais para o sol do que para a chuva", comenta Marengo. "Têm que se proteger, porque esses são os grupos mais vulneráveis. Se você vê as notícias das ondas de calor na Europa, estão morrendo mais idosos, porque são mais vulneráveis", alerta. Medidas de prevenção O coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden frisa que a população sempre deve estar atenta às previsões meteorológicas, inclusive as que alertam sobre risco de desastres, geralmente anunciadas pela internet, rádio e televisão. "A população tem que se preparar. Sempre tem que ter um kit de emergência em casa como pilhas e lanternas. Porque pode faltar energia ou a gente pode perder o celular durante o desastre. Então, (é importante) sempre estar atento ao que as prefeituras e a Defesa Civil estão informando". O meteorologista acrescenta que os órgãos públicos têm papel importante para alertar a população, mas estes também devem estar preparados para situações de urgência.