O inverno ainda está longe de terminar, mas os termômetros em várias regiões do Brasil mostram temperaturas que lembram o auge do verão. Neste mês de agosto, algumas áreas podem se aproximar ou até ultrapassar os 40°C, com máximas que podem chegar aos 42°C. Mas é normal fazer tanto calor nesta época do ano? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar de chamar atenção, períodos de temperaturas elevadas podem ocorrer durante o inverno. O episódio atual é associado a um veranico, período de vários dias de tempo seco e temperaturas acima do esperado para a estação. O fenômeno deve manter o calor intenso em diferentes regiões brasileiras nos próximos dias, principalmente no Centro-Oeste e em áreas do Norte, Nordeste e Sudeste. O que é um veranico? O veranico é caracterizado por uma sequência de dias mais quentes e secos durante uma estação normalmente mais fria. Uma das características é justamente a grande diferença entre as temperaturas ao longo do dia. As tardes podem ser muito quentes e secas, enquanto as madrugadas permanecem relativamente frescas. Isso acontece porque a baixa umidade e a pouca quantidade de nuvens favorecem tanto o rápido aquecimento durante o dia quanto a perda de calor durante a noite. No atual episódio, as temperaturas máximas podem ficar vários graus acima dos valores normalmente registrados nesta época do ano. Veranico e onda de calor são a mesma coisa? Não. Embora os dois fenômenos sejam marcados por temperaturas elevadas, existem diferenças importantes. O veranico está relacionado a períodos de calor e tempo seco fora do padrão durante meses mais frios, especialmente no outono e no inverno. Já uma onda de calor é caracterizada pela persistência de temperaturas excepcionalmente altas em relação ao padrão climático de determinada região e época do ano. Além disso, ondas de calor podem acontecer em diferentes estações e costumam apresentar calor persistente, que pode também manter as noites bastante quentes. Por isso, não basta o termômetro marcar 35°C, 38°C ou até 40°C para que um episódio seja automaticamente considerado uma onda de calor. É preciso analisar por quanto tempo o calor permanece e quanto as temperaturas estão acima da média histórica de cada local. Por que está fazendo tanto calor em agosto? A explicação está principalmente na circulação atmosférica sobre a América do Sul. Um sistema de alta pressão atmosférica atua sobre parte do interior do Brasil, favorecendo o tempo seco e dificultando a formação de nuvens. Com céu mais aberto, há maior incidência de radiação solar durante o dia. Ao mesmo tempo, a configuração atmosférica dificulta o avanço de massas de ar frio de origem polar para áreas mais ao norte do País. As frentes frias conseguem avançar principalmente pelo extremo Sul e depois seguem em direção ao oceano. Na costa do Sudeste, esses sistemas podem passar de maneira mais oceânica e com menor capacidade de espalhar o ar frio pelo interior. O resultado é uma combinação de muitas horas de sol, baixa umidade, pouca nebulosidade e ausência de massas de ar frio, cenário favorável para uma rápida elevação das temperaturas. Onde pode fazer mais de 40°C? O calor mais intenso deve atingir principalmente áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em pontos de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí, as máximas podem alcançar valores próximos dos 40°C e, pontualmente, chegar aos 42°C. O calor também alcança áreas do Sudeste, incluindo o interior de São Paulo, além do Triângulo Mineiro e do oeste da Bahia. Capitais como Cuiabá, Goiânia, Campo Grande, Brasília, Palmas, Porto Velho e Teresina também podem registrar temperaturas bastante elevadas durante o período. Mas calor no inverno é normal? Dias quentes durante o inverno brasileiro não são necessariamente anormais. Em boa parte do Centro-Oeste e do interior do Sudeste, por exemplo, a estação costuma apresentar períodos prolongados de tempo seco, grande amplitude térmica e tardes quentes. O que chama atenção é quando as temperaturas ficam muito acima do padrão esperado durante vários dias consecutivos ou alcançam marcas extremas. Por isso, mesmo em pleno inverno, não é impossível encontrar cidades brasileiras com temperaturas próximas ou superiores aos 40°C. A intensidade, a duração e a abrangência geográfica do episódio é que determinam o quanto o evento foge do comportamento climático habitual.