Cabeleireiro corta de graça cabelo de pessoas necessitadas na Baixada Santista

Severino Ramos realiza trabalho voluntário há 15 anos. Ele conta que já chegou a cortar 60 cabelos em poucas horas

Em um mundo cada vez mais individualista, um homem dedica parte de seu tempo para ajudar ao próximo e vem chamando atenção na região. Severino dos Ramos Santos e Silva, 49 anos, mais conhecido como Ramos, é um cabeleireiro que todas as manhãs, e sem cobrar um centavo, presta serviço a pessoas em situação de rua na Baixada Santista.

De segunda a sábado, das 7h às 12h, ele sai de sua casa, no bairro Santa Clara, em Vicente de Carvalho, Guarujá, com seu banquinho, tesouras e máquinas para ir a diferentes cidades realizar boas ações. Aos domingos, Ramos costuma ajudar moradores de comunidades carentes com cortes de cabelo, das 8h às 18h. 

Na terça-feira da semana passada (26), por exemplo, o sol tinha acabado de nascer e Ramos já estava posicionado na entrada da estação de travessias de catraias, na Vila Nova, em Santos, fazendo seus cortes. E assim permaneceu toda a manhã.

“Em uma outra ocasião aqui [na Vila Nova], cortei 60 cabelos em poucas horas. Depois, irei um dia para Pitangueiras [Guarujá], outro para São Vicente e em um terceiro, meu destino será Bertioga. Rodo cidade por cidade à procura de moradores de rua”, diz Ramos, que é cabeleireiro há mais de 30 anos.

A única coisa que o faz parar é a bateria das máquinas. “Como ela é elétrica, a hora que descarregar, paro de cortar”. 

Exemplo 

Seu trabalho voluntário comove os atendidos. Paulo Henrique Cordeiro, de 36 anos, aproveitou a oportunidade de olho em uma chance no mercado de trabalho. “Estou desempregado e vivo de bico. Quem sabe com um visual melhor consigo um emprego”. 

E tem mais! Barba, cabelo e bigode não são as únicas coisas que o cabeleireiro corta. Luzimar Sari, de 50 anos, por exemplo, fez a sobrancelha. “Fico feliz com o trabalho dele. O Ramos ajuda muito a gente e não cobra nada. É um profissional de Deus”. 

Ramos diz que começou o trabalho voluntário há 15 anos. Acredita que, se todos fizessem ações parecidas, o mundo estaria melhor. “Só procuro uma maneira de ajudar os menos favorecidos. É um trabalho de amor ao próximo. Vou ajudar ao próximo até o final da minha vida”.

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