[[legacy_image_71163]] A Baixada Santista é repleta de rios e praias. Quem passa uma tarde num desses locais, consome um lanche e descarta os resíduos no lixo tem a falsa impressão do dever cumprido. Mas o copo descartável, o canudo da água de coco ou o plástico que protegia o sanduíche vão para o destino errado: o aterro sanitário. O descarte inadequado em 95% dos casos fez do Brasil o 4º no mundo que mais produz e menos recicla plástico. Na região, em seis cidades, a produção enviada às cooperativas é de 146,1 toneladas ao mês. Outro fator que preocupa ambientalistas é que, se levado pelo vento, esses plásticos podem ir para o mar, juntando-se a toneladas de resíduos arremessados das janelas de palafitas – e pouco visto pelas pessoas, já que as praias são limpas todos os dias. Na Baixada Santista, só duas, das nove cidades – Bertioga e Mongaguá – dizem que ao menos tentam destinar corretamente o lixo recolhido das areias. O trabalho não inclui ambulantes. Apenas Santos visitou pela primeira vez, mês passado, os 309 permissionários das areias. Pediu a separação de recicláveis em cada carrinho. Não há dados do que foi recolhido ou de novas políticas de como recolher o material separado. Não é 100% Em Cubatão, anualmente, se atinge a marca de 600 toneladas de recicláveis recolhidos. Parece muito, mas representa só 2,4% dos resíduos domiciliares coletados por ano no Município. E nem mesmo o material recolhido para reciclagem é aproveitado em sua totalidade. Na triagem, tudo é separado, prensado, enfardado e revendido pelas cooperativas, que não conseguem aproveitar tudo o que chega, por sujeira ou mistura de materiais. Já Peruíbe, por exemplo, sequer tem coleta seletiva. Diz que está em andamento a contratação da cooperativa que fará reciclagem. Assim, a região contribui para os números nacionais de um dos menores índices de reciclagem do planeta: 1,28%. A média é de 9% – preocupação da ONG internacional WWF (sigla em inglês de World Wide Fund for Nature, ou Fundo Mundial para a Natureza, na tradução livre), que traz os dados. Outro problema é que o brasileiro produz, em média, um quilo de lixo plástico por semana, uma das maiores quantidades, se comparada a outros cidadãos no mundo. Parece inofensiva Com cada inofensiva garrafinha, aproximadamente 10 milhões de toneladas de plásticos chegam no oceano a cada ano no Brasil – o que levará o planeta a ter 300 milhões de toneladas de plástico nos mares até 2030. Serão 26 mil garrafinhas de 500 ml a cada quilômetro quadrado de mar. Para a coordenadora do programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil, Anna Carolina Lobo, a solução passa por políticas públicas e conscientização. “Não adianta só aprovar leis contra o canudo plástico. É preciso diálogo, negociação com o setor privado, fiscalização pelo poder público e as pessoas entenderem o custo ambiental para a natureza. A gente precisa a aprender a olhar o consumo com senso de responsabilidade e ter um protagonismo maior. Enquanto as pessoas comprarem, não reutilizarem, a indústria vai atender”, diz. A Tribuna perguntou às prefeituras da região se há algum programa relacionado ao reúso do plástico recolhido. Não houve nenhuma resposta positiva.