Dom Joaquim Mol assinou carta com outros bispos sobre o segundo turno (Alexsander Ferraz/ AT) O bispo diocesano da Igreja Católica Romana em Santos, no litoral de São Paulo, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, é um dos 61 bispos que, até as 16h10 desta sexta-feira (23), assinaram a "Carta de Bispos Católicos sobre (o) 2º Turno das Eleições Gerais 2026" aos fiéis. A carta foi lançada na quinta (22) e aceitará adesões de líderes religiosos de todo o País até este sábado (24). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No texto, é dito que "o cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI (Doutrina Social da Igreja), a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum". Trata-se de uma crítica, por vezes direta, ao candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, "filho do presidente (Jair Bolsonaro) que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e (que) segue suas ideias". Conforme o documento, Flávio "fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF), criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do País à sua ideologia. Com base em orientações constantes em documentos da Igreja Católica redigidos pelos papas Leão 13, João Paulo 2º, Francisco e Leão 14, menciona-se, por exemplo, que "a candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6x1 e propunha pagar o salário por hora trabalhada não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema". Submissão do Brasil aos EUA Outro ponto apontado pelos bispos consiste em que "um dos candidatos promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA), fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA". Ainda se mencionaram discursos segundo os quais o "partido de um dos candidatos sempre foi publicamente contrário aos programas sociais e de combate à pobreza, por desconhecerem as causas da miséria no Brasil" e que um dos concorrentes "defende a liberação do acesso amplo a armas, como fez o seu pai em seu Governo", e "não reconhece a crise climática". O texto também se refere, sem citá-lo nominalmente, ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como uma candidatura "que, embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição". "Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o País nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja", sublinham os bispos. 'Não podemos nos manter neutros' Na parte final do documento, é declarado que "não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro. Quem se calou diante das ameaças totalitárias que se concretizaram na Europa do século 20 deixou uma herança vergonhosa para as gerações seguintes". "Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja", reiteram os bispos que assinam a carta. "Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, ilumine a mente de cada um e cada uma de nós".