Ao se deparar com esse tipo de situação na praia, o biólogo orienta que a primeira atitude deve ser ter atenção por onde pisa (Reprodução / @asheylanapraiagrande) Um vídeo compartilhado inúmeras vezes nas redes sociais na última semana chamou a atenção ao mostrar várias conchas e algas espalhadas pela faixa de areia na orla de Praia Grande, no litoral de São Paulo. Poucos dias antes, outra gravação também ganhou destaque ao mostrar o recuo do mar na região. Segundo o biólogo marinho Eric Comin, estamos passando por uma transição lunar chamada maré de sizígia, que já apresenta interferência gravitacional, provocando variações no nível do mar e fazendo com que a maré suba e desça com mais intensidade. Nesta época do ano, as marés baixas tendem a ser mais intensas, o que pode provocar uma maior exposição do leito marinho, tornando as conchas mais visíveis e acessíveis. “A hora que ela desceu, esse material aí de conchas, os caranguejinhos, ficam depositados na parte no fundo. E como a maré desceu bastante, eles acabaram ficando expostos. As algas também se desprendem dos costões rochosos, de algumas pedras do fundo. Algumas rochas acabam vindo junto com a maré e ficam depositadas na praia”, explica. A circunstância é considerada normal, embora não ocorra com frequência, como explica o biólogo Ricardo Samelo. Segundo ele, o mais provável é que alguma correnteza mais forte tenha arrastado esses organismos para a praia. “Pode ter ocorrido alguma movimentação forte em alto mar, uma tempestade talvez e as correntes trouxeram esses elementos para praia”. Quais são as recomendações? Ao se deparar com esse tipo de situação na praia, Comin orienta que a primeira atitude deve ser de ter atenção por onde pisa, já que a maioria dos banhistas está descalça. Outra recomendação importante é evitar a coleta desses organismos, pois muitas das conchas ainda estão vivas, e isso faz parte da ciclagem do carbonato de cálcio. “Há animais que dependem dessas conchas para sobreviver”, diz. A ciclagem do carbonato de cálcio A ciclagem do carbonato de cálcio, presente nas conchas marinhas, desempenha um papel crucial no ciclo do carbono e na saúde dos ecossistemas marinhos e terrestres, como esclarece Comin. As conchas, compostas principalmente por carbonato de cálcio, são formadas a partir do carbono dissolvido nos oceanos, ajudando a regular o carbono atmosférico e o clima global. “Quando os organismos marinhos morrem, suas conchas se depositam no fundo do mar, onde podem ser transformadas em rochas sedimentares, armazenando carbono por longos períodos”. A retirada das conchas compromete a ciclagem natural, que desempenha um papel importante no ciclo do carbono e na saúde dos ecossistemas marinhos. Além disso, as conchas também servem de abrigo e proteção para diversas espécies de crustáceos, como o caranguejo-eremita, finaliza.