[[legacy_image_123839]] Após uma criança de 11 anos ser ferida por um tubarão em uma praia de Ilha Comprida, no litoral de SP, A Tribuna ouviu biólogos para entender o que pode ter motivado a mordida. Os especialistas afirmam que os animais não procuram ativamente por carne humana para se alimentar. Porém, acreditam que as águas turvas do litoral podem ter "atrapalhado" a visão do cação - nome popular para os tubarões. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Eles não atacam gratuitamente. Como temos muita gente na praia durante os feriados e finais de semana, incidentes como podem ocorrer. Às vezes, um filhote do cardume pode confundir o banhista com uma presa", explica o biólogo marinho, Edris Queirós. Além do menino de 11 anos, um turista francês também foi mordido por um cação em Ubatuba - caso registrado no começo do mês. Ele conta que há mais de 400 espécies de tubarões circulando por toda costa brasileira. O litoral de São Paulo possui cerca de 40. Geralmente, as que costumam provocar problemas aos humanos são o tubarão-tigre, que é comum na costa, o tubarão cabeça-de-cesto e o tubarão-branco. Ainda não se sabe qual a espécie que causou o ferimento no menino de 11 anos, nesta segunda-feira (15), na Praia do Boqueirão, em Ilha Comprida. Segundo a Prefeitura de Ilha Comprida, a vítima teve ferimentos na coxa e no joelho. O menino precisou levar alguns pontos, mas passa bem. Segundo o biólogo, regiões em que rios desembocam no mar podem ter a presença mais frequente destes animais, porque oferecem mais espécies de peixes para os tubarões comerem. Educador ambiental e biólogo marinho, Nauther Andres explica que os tubarões não enxergam bem. "Águas de cor escura como as de Ilha Comprida podem atrapalhar a visão desses animais. O instinto é morder, para saber o que ele encontrou". Ele acredita que o cardume que passou pelo litoral de São Paulo provavelmente perseguia uma presa, quando encontrou a criança e acabou a mordendo. "A mordida pode acontecer, mas é um incidente. É um exemplo muito raro de acontecer. Ilha Comprida é uma região com pescadores e é recorrente esses animais aparecerem", explica Andres. DesequilíbrioO biólogo diz, ainda, que, o ser humano pode provocar desequilíbrio ambiental, se encarar os tubarões como vilões. "A gente pesca e mata mais de cem mil tubarões por ano. Por outro lado, os incidentes com humanos chegam a 50 indivíduos mordidos e 10 mortes no mesmo período, em todo mundo". Os dois biólogos ouvidos pela Reportagem sugerem que os seres humanos diminuam o consumo da carne de tubarão. Andres lembra que a composição da carne tem composição grande de mercúrio, que é cancerígeno. "Não é um alimento que a gente deva comer em grande quantidade", recomenda. Queirós explica que, além do mercúrio, a carne dos cações podem conter outros metais pesados, incluindo arsênico. "São substâncias altamente prejudiciais para o ser humano", lembra. "Eles controlam o lixo no oceano, ajudam a equilibrar a cadeia alimentar", completa. [[legacy_image_123840]]