Beto Mansur: "Hoje, se tem um Congresso com muita dificuldade de lideranças" (Alexsander Ferraz/AT) Prefeito de Santos por dois mandatos consecutivos, vereador pela Cidade em uma ocasião e cinco vezes deputado federal, Beto Mansur considera encerrada sua vida pública. Apesar disso, em entrevista para A Tribuna, ele afirma que continua gostando de política e a acompanhando em todas as esferas. Mansur também falou da queda que sofreu há quase dois anos, em agosto de 2023, e de seu dia a dia profissional. Como está a vida do senhor atualmente? Voltei para as empresas. Estou trabalhando na TV e nas emissoras de rádio, além de ter propriedade rural no norte de Goiás, com o que também estou trabalhando. Tenho dois filhos e cada um está cuidando de uma coisa, mas de maneira geral estou trabalhando com eles, todos ligados à área empresarial. Diria que estou, de alguma forma, mantendo aquilo que eu construí ao longo de minha vida privada e não só da minha carreira política. A perda de seu irmão (Gilberto Mansur), no final de janeiro, foi um baque muito grande... Tinha muita relação com o meu irmão. Ele foi embora muito cedo. Ele estava com 71 anos, mas com uma doença muito grave (câncer no estômago) e sofrendo demais. É algo que me deixa sempre muito triste, mas existem as coisas que ele tinha e o local onde ele sempre trabalhou (era diretor-presidente da VTV e da Mix FM). E sempre foi do meu lado. Há quase dois anos, em agosto de 2023, o senhor sofreu uma queda. Como está hoje? Sofri uma queda no banheiro, quando me levantei de madrugada. E tive um sangramento. Depois, conversei com o médico, perguntando a ele se eu tinha tido um AVC. Não tive sequelas, mas foi algo que me preocupou. Ele me respondeu que, teoricamente, tive um AVC porque houve perda de sangue, mas nada fora do comum. Poucos dias após o acidente, que foi em 15 de agosto, fiz uma cirurgia do lado esquerdo da cabeça, para poder estancar o sangue. Em dezembro, fiz outra do lado direito da cabeça. Não mexeu no cérebro, pelo que falou o médico que me operou. Não tive nenhum problema motor. Lógico que, eventualmente, a gente esquece as coisas e o nome de algumas pessoas, mas isso, para mim, é algo normal. Tenho 74 anos (completará essa idade em 7 de julho), mas estou muito bem, graças a Deus. E a carreira política? O senhor considera encerrada ou o ‘bichinho’ continua presente e, de repente, o senhor volta? Encerrei a minha vida pública. Lógico que gosto muito de política. Acompanho com muita atenção as questões que envolvem a Cidade, o Estado, o País e o mundo, mas não tenho interesse em voltar a ter mandato eletivo. Fugiu da minha cabeça essa vontade. O senhor continua filiado ao MDB? Segue atuando, de certa forma, nos bastidores ou nem isso? Continuo e mantenho sempre uma boa relação com (o ex-presidente) Michel Temer e com as pessoas que são ligadas ao partido. A gente vai ter logo eleição para presidente (em 2026), e vou estar, de alguma forma, acompanhando muito atentamente tudo isso. Como o senhor tem avaliado o cenário político em Santos? Temos o segundo mandato do Rogério (Santos). Espero que ele faça tudo aquilo que ele se propôs a fazer. A Cidade de Santos tem um orçamento grande. Para você ter ideia, quando eu fui prefeito, tinha um orçamento dez vezes menor do que o de hoje. Há recursos e, logicamente, a gente precisa que eles se revertam em investimento na própria Cidade. É algo que eu espero que aconteça para que possamos ter um resultado positivo. Lógico que tem muita gente que reclama da situação da Cidade, mas eu fui prefeito e sei que não é fácil resolver todos os problemas. Espero que faça o máximo possível. E em termos de Brasil? Há um presidente que foi eleito pela terceira vez e que tem um mandato para cumprir. Mas não sou Lula. Conheço bem o Lula há muito tempo, mas não sou nem ele nem Bolsonaro. No segundo turno (em 2022), acabei votando no Bolsonaro, mas respeito a população que deu voto ao Lula. Ele vai, na minha visão, fazer o seu mandato e espero que a gente possa ter um novo candidato no Brasil, já no próximo pleito, que defenda os interesses do País. Respeito o presidente, que está fazendo o seu trabalho, mas sinto que há uma dificuldade muito grande nesta administração do Lula. A polarização entre essas duas correntes atrasou o País ou não? Acho que atrasa porque você tem hoje um Congresso Nacional, na minha visão, com muita dificuldade de lideranças. Se fizer comparação com a minha época, no período em que entrei como deputado, convivi com lideranças — e a maioria já se foi — como Mário Covas, Delfim Netto, Roberto Cardoso Alves e outras tantas figuras nas quais eu procurei me espelhar e trabalhar. Infelizmente, acabamos não criando novas lideranças, principalmente no Congresso. Isso é ruim? Diria que não é bom, mas esperamos que as pessoas possam trabalhar e, efetivamente, ter presença mais forte dentro do Congresso, liderando os projetos necessários para o Brasil.