Conhecido como “Anjo da Morte”, o médico nazista morreu escondido em Bertioga, em 1979 (Reprodução e Diego Bachiéga/ Prefeitura de Bertioga) A decisão da Suíça de divulgar documentos secretos sobre Josef Mengele, um dos criminosos nazistas mais procurados do século 20, voltou a colocar o Brasil (e especialmente o litoral de São Paulo) no centro de uma das histórias mais sombrias após a Segunda Guerra Mundial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conhecido como “Anjo da Morte”, o médico nazista morreu escondido em Bertioga, na Baixada Santista, em 1979, décadas após fugir da Europa sem nunca responder judicialmente pelos crimes cometidos durante o Holocausto. Os arquivos, mantidos em sigilo por décadas, devem trazer novas informações sobre a rota de fuga utilizada por Mengele após a Segunda Guerra Mundial e possíveis conexões que ajudaram o ex-oficial nazista a escapar da perseguição internacional. De Auschwitz à Baixada Santista Josef Mengele ficou conhecido mundialmente pelos experimentos desumanos realizados em prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, principalmente em crianças e gêmeos. Os testes incluíam mutilações, procedimentos sem anestesia e pesquisas genéticas conduzidas de forma cruel durante o regime nazista. Após a derrota da Alemanha, em 1945, Mengele conseguiu fugir da Europa utilizando documentos falsos. Ele passou por países como Argentina e Paraguai antes de chegar ao Brasil, onde viveu escondido durante anos sob identidades falsas. Foi na Baixada Santista, litoral de São Paulo, que Mengele passou os últimos anos da vida. Morte em Bertioga Mengele morreu afogado em 7 de fevereiro de 1979, na praia de Bertioga, enquanto estava no mar durante um passeio. Na época, ele utilizava outro nome e sua verdadeira identidade não era conhecida oficialmente pelas autoridades brasileiras. O ex-médico nazista foi enterrado com o nome de Wolfgang Gerhard, identidade falsa usada por ele enquanto vivia escondido no país. Apenas anos depois, investigações internacionais e exames periciais confirmaram que o corpo era realmente de Josef Mengele. O caso transformou Bertioga em um dos locais ligados à trajetória final de um dos maiores criminosos do nazismo. O que pode aparecer nos documentos Segundo autoridades suíças, os arquivos secretos devem revelar detalhes sobre a circulação de Mengele pela Europa após a guerra, além de possíveis apoios financeiros e logísticos recebidos ao longo dos anos de fuga. Pesquisadores acreditam que o material também pode ajudar a esclarecer como redes clandestinas auxiliaram antigos integrantes do regime nazista a deixar a Europa e permanecer escondidos na América do Sul por décadas. Debate histórico A abertura dos documentos reacende discussões sobre memória histórica, responsabilização e transparência internacional em relação ao período pós-guerra. Mesmo após décadas de sua morte em Bertioga, Josef Mengele continua sendo símbolo das atrocidades cometidas durante o Holocausto e da dificuldade enfrentada por autoridades internacionais para localizar e julgar criminosos nazistas refugiados fora da Europa.