Grupo de quatis foi encontrado por veterinário em Bertioga (Reprodução) O médico veterinário e influenciador digital Raphael Gomes, de 24 anos, chamou a atenção nas redes sociais ao encontrar um grupo de quatis em Bertioga, litoral de São Paulo. Morador da Capital, ele percebeu a presença dos animais na vista da Serra do Mar. Segundo ele, o que mais chamou atenção no encontro foi a quantidade de animais presentes, os quais ele afirma ter visto pela primeira vez. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! "Havia várias famílias — fêmeas, machos, filhotes — e todos interagindo com os seres humanos sem nenhum medo ou receio", conta Gomes, que publicou, no Instagram, um vídeo mostrando os quatis. Nas imagens, é possível ver mais de dez animais próximos do influenciador, que possui mais de 300 mil seguidores na rede social. -Video quatis serra do mar (1.451402) O biólogo Ricardo Samelo explica que os quatis são comuns na Mata Atlântica. "Esse bioma é o principal habitat dos quatis da espécie nasua nasua no Brasil". Onívoros, eles se alimentam principalmente de frutos, invertebrados como aranhas, caramujos e minhocas, além de pequenos vertebrados como lagartos, cobras, rãs, pererecas, filhotes de aves e ovos quando predam ninhos. Ricardo Samelo também explica que um dos fatores que leva os quatis a procurarem áreas urbanas é o desmatamento, que causa escassez de recursos. "A expansão das cidades em direção às áreas naturais nos aproxima cada vez mais desses animais, e os impactos são sempre negativos para a fauna. Alguns animais acabam desaparecendo mais rapidamente, mas os quatis são resilientes e vão procurar se adaptar ao novo ambiente, aparecendo com mais frequência", ressalta. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) considera o status de conservação do quati “menos preocupante”, mas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aponta que a espécie é "vulnerável" no Brasil, devido à perda contínua de habitat. A aparição dos quatis em áreas urbanas se deve, segundo Ricardo Samelo, ao fato de serem "animais generalistas e oportunistas". Eles percorrem grandes distâncias pela mata em busca de alimento, e, na falta de áreas preservadas, acabam se aproximando da urbanização. "São sociáveis e inteligentes", afirma o biólogo, acrescentando que eles formam bandos grandes, onde se sentem seguros e associam "a presença de pessoas à oportunidade de comida fácil". "As pessoas costumam interagir com esses animais, geralmente fornecendo alimento, prática que não é recomendada por diversos motivos." Ambos os profissionais orientam que, ao alimentar esses animais, as pessoas incentivam sua aproximação das áreas urbanizadas, "o que não é bom para os animais nem para a população, pois os quatis podem ser vítimas de atropelamentos, maus-tratos por pessoas que não simpatizam com eles, ou ataques de cães e gatos", alerta Samelo. "Além disso, os animais silvestres podem transmitir doenças para nossos animais de estimação e para nós também", revela o biólogo. Saúde Entre as doenças, a raiva, causada por um vírus, pode estar presente nos quatis de cauda anelada. O médico veterinário Raphael Gomes destaca que "existe uma vacina contra a raiva, mas nem todos podem tomá-la, apenas os profissionais que trabalham diretamente com animais silvestres". Ele afirma que, como médico veterinário, está com as vacinas atualizadas e por isso está "mais tranquilo". Por outro lado, Gomes alerta que "se as pessoas se aproximarem desses animais silvestres, o risco de contrair raiva é grande, porque nunca se sabe se o animal está tentando se defender". A raiva pode ser transmitida pela mordida e pela saliva. Raphael Gomes acredita que a população em geral deve parar de alimentar os animais silvestres. "Essa prática já é considerada crime ambiental, mas a maioria das pessoas não sabe disso". O veterinário também sugere que a Administração Municipal ajude na conscientização. "A Prefeitura poderia instalar placas informando que alimentar os quatis é crime e até interditar a vista da Serra do Mar para que os visitantes não ofereçam mais alimentos aos animais. Acho que essa é a única forma de interromper essa prática." Recomendação O veterinário ressalta que "o mais importante é nunca tocar ou alimentar os animais silvestres. A gente não sabe a origem desses animais ou as doenças que podem transmitir. Muitos parecem fofinhos, mas podem atacar, principalmente se os filhotes estiverem por perto". Essa interação pode causar desequilíbrios ecológicos, tornando os animais dependentes dos seres humanos para alimentação, além de expô-los a doenças causadas por alimentos inadequados. "Muitos acham que estão ajudando, mas, na verdade, podem estar prejudicando a saúde dos próprios animais", conclui. Em caso de encontrar um animal como esse em área urbana, o biólogo Ricardo Samelo orienta que o ideal é ligar para a Polícia Militar Ambiental ou para o Corpo de Bombeiros, que, por vezes, realizam o resgate e a soltura em áreas naturais. "Mas devemos lembrar que, entre as cidades da região, Bertioga é a que possui a maior área preservada. Se o animal estiver próximo à mata, o melhor é deixá-lo seguir o seu caminho", orienta.