[[legacy_image_331835]] Uma colônia de caravelas-portuguesas foi flagrada por um fotógrafo de vida selvagem na tarde da última segunda-feira (29), na praia de Itaguaré, em Bertioga, Litoral de São Paulo. O cnidário, conhecido pelas queimaduras com toxinas, é comum na região nesta época do ano. (Veja em vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O belo registro de Rafael Mesquita, de 38 anos, mostra toda a estrutura da colônia vista do lado de dentro e de fora do mar. Além disso, também expõe alguns peixes que lhe acompanham debaixo d’água. O fotógrafo afirma que todo verão vê caravelas-portuguesas aqui na região, porém, na data, foi o dia em que mais viu o animal em conjunto. “Eram grandes as caravelas e, dessa vez, me chamou bastante atenção por causa disso. Não tinha nem como contar a quantidade, era uma mancha muito grande em uma corrente marítima. Esse vídeo fiz de cima da minha embarcação, uma moto aquática, e coloquei a minha câmera de ação com um bastão”, diz. Mesquita demonstra admiração pelo animal e as cores contrastando com o mar. Por conta disso, sempre que pode, registra a passagem dos animais pelo oceano. O biólogo Ricardo Samelo explica que a caravela, de nome científico Physalia physalis, também conhecida como caravela-portuguesa, compreende uma associação de espécimes do filo Cnidaria, com vários organismos conectados, o que representa uma associação ecológica denominada colônia. “Os cnidários são conhecidos por possuírem células chamadas de cnidócitos, responsáveis pela defesa do animal e captura de presas. Em contato com a pele, essas células ‘urticantes’ que possuem toxinas causam injúrias que se assemelham a queimaduras, causando edema, dor, queimação e vermelhidão”, explica. Samelo informa que o verão é a época de reprodução destes animais e o regime de ventos desta estação traz a proximidade das caravelas com as praias. “Aquilo que vemos fora da água, é uma pequena porção deste organismo, os tentáculos que ficam submersos são os responsáveis pelos acidentes e podem ser bem longos, possuindo em média 10 metros”. “Muitas vezes, ao avistar a porção que flutua deste animal, o banhista se aproxima por curiosidade e acaba encostando nos tentáculos que se espalham por baixo da água. Geralmente os acidentes não são graves, mas causam dor e incômodo, o ideal é procurar assistência médica após o ocorrido”. Caso tenha contato com o animal, o especialista recomenda que, para aliviar os sintomas, é indicado lavar bem com água do mar ou solução fisiológica. Acido acético (como o vinagre) também ajuda, juntamente com compressas geladas. “Mas nunca se deve lavar o local com água doce e nem utilizá-la nas compressas, pois a água doce pode agravar o envenenamento”. PeixesO biólogo também ressalta que um fato curioso do vídeo é a presença de peixes ao redor da caravela. “Alguns peixes podem acompanhar estas colônias para aproveitar restos de comida provenientes da alimentação das caravelas, que são ‘carnivoras’, além do fato que próximos a elas estes peixes podem encontrar proteção, pois predadores evitariam se aproximar dos tentáculos”.