[[legacy_image_39805]] Destino tradicionalmente procurado apenas em finais de semana, feriados e temporadas de verão, a Riviera de São Lourenço, em Bertioga, vê sua população fixa crescer durante a pandemia a patamares nunca registrados antes. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! De abril de 2020 para cá, a população fixa saltou de 7 mil para 22 mil habitantes, segundo dados atualizados na última semana pela associação que administra o condomínio de luxo, um aumento superior a 200%. A maior parte desses novos moradores vem da Capital, da Grande São Paulo e, em menor número, do ABC Paulista. O fenômeno segue tendência verificada em cidades do Litoral Paulista. Segundo dados divulgados em fevereiro pela plataforma Apto, que acompanha o movimento do mercado imobiliário, enquanto as buscas por imóveis na Grande São Paulo cresceram 18,9% nos últimos seis meses, no litoral paulista elas subiram 21,6%. Na Riviera, porém, os números ultrapassam a média verificada nos demais polos de imóveis de veraneio. Luiz Augusto Pereira de Almeida, diretor da Sobloco Construtora, responsável pela Riviera de São Lourenço, explica que a população fixa oscila conforme a abertura ou fechamento das escolas. “Notamos que muitas famílias foram pra Riviera porque as escolas também fecharam e o trabalho remoto dos pais pode ser executado de qualquer ponto. Mas quando as escolas começam a abrir, algumas famílias retornam”. O diretor pondera que o perfil médio do público que frequenta o condomínio é formado por empresários, executivos e profissionais liberais, atividades que podem ser desenvolvidas remotamente. Segundo ele, a proximidade com a Capital (pouco mais de uma hora de carro), a busca por locais mais ligados à natureza e com infraestrutura adequada são algumas das razões que têm atraído as famílias durante a pandemia. Novas demandas A Associação dos Amigos da Riviera, responsável pela manutenção em geral do condomínio, também teve que aumentar seu quadro de funcionários em cerca de 10%. Houve a contratação de 50 pessoas para completar as equipes de gestão de resíduos, saneamento, segurança, manutenção de praças, ruas, praia e áreas verdes. Somente na central de triagem de resíduos, o número de funcionários saltou de oito para 20 no pico da pandemia. Outro reflexo do aumento da população fixa no condomínio é o movimento de entregadores e prestadores de serviços: delivery de alimentos e atividades como manutenção de ar-condicionado, eletrodomésticos, pintura, TV a cabo, internet e outros. “Sentimos esse movimento no dia a dia. A Riviera gera uma rede de prestadores de serviços e produtos que acaba crescendo conforme aumenta a população. São novos empregos e oportunidades para quem vive em Bertioga e nas cidades vizinhas”, diz Luiz Augusto. Dentro do condomínio, os espaços comerciais são disputados e já não há imóvel para locação. “Da pessoa que precisa de algo da papelaria até aquele que demanda compras no supermercado, a demanda cresceu bastante e isso fortalece o comércio e a economia”. O diretor destaca, porém, que nas fases de restrição imposta pelo Plano São Paulo também os comércios da Riviera ficaram fechados. Boom é oportunidade para novos negócios Para o economista e professor universitário Celso Antônio de Lima Fernandez, o crescimento da população fixa em condomínios de luxo é, também, uma oportunidade para que serviços de qualidade sejam instalados. “Quem busca um condomínio de luxo para morar demanda serviços de qualidade, como escola, hospital e restaurante”, diz Fernandez. Ele acredita que, a se manter essa tendência mesmo depois da pandemia, a cidade de Bertioga e mesmo Guarujá podem se beneficiar com essa nova demanda. “As cidades da região devem estar atentas a essa tendência, fazer pesquisas de mercado e identificar quais são esses novos nichos”. Mudança de endereço Um dos novos moradores da Riviera de São Lourenço é Germano Germiniani, executivo de uma empresa de infraestrutura para torres de celulares. Ele se mudou com a esposa e as duas filhas em abril do ano passado. De tanto que se adaptou ao novo endereço, acabou comprando um imóvel maior em setembro, para acomodar melhor o home office dele e da esposa e as atividades remotas das duas filhas. Germano ainda não sabe quanto tempo permanecerá na nova casa, mas admite retornar para São Paulo se a escolas das filhas voltar a 100% presencial. Sua queixa vai na linha do professor Fernandez: “Sentimos falta de escolas melhores, rede hospitalar de ponta e mais oferta de hipermercados”.