Alternativas acessíveis e sustentáveis, os bazares beneficentes são boas opções para quem deseja unir consumo consciente e solidariedade. Há espaços em Santos que reúnem grande variedade de itens, entre roupas, móveis, livros e brinquedos, a preços simbólicos. Oferecem-se boas opções a quem busca presentear amigos e parentes e ajudar causas sociais. “Praticar boas ações é algo necessário, porque, sempre que a gente ajuda alguém, essa ação volta. É um retorno do bem”, afirma a pedagoga Cristiane Sbaite, 53 anos. Cliente do Bazar Ismênia de Jesus, Cristiane destaca a importância das doações neste período do ano e reforça que ser solidário pode fazer a diferença na vida de outra pessoa. “Às vezes, aquele livro que você usou no tempo da escola pode ajudar alguém que está precisando e talvez não encontre ou não tenha condições de pagar. E você pode ajudar doando aos bazares”, diz. Para ela, é preciso dar fim ao conceito de que bazares só oferecem itens antigos ou sem valor. Leitora assídua, a pedagoga também menciona a variedade de livros e os preços, ressaltando o papel do bazar na democratização do acesso ao conhecimento. Cristiane afirma ter encontrado a coleção inteira dos livros da saga Harry Potter por R\$ 35,00 no sebo do bazar. “Hoje, infelizmente, investir em cultura está saindo muito caro”, lamenta. “Por meio de um bazar, você consegue ter acesso à literatura pagando barato”, afirma. Cristiane também exalta o papel sustentável do espaço, localizado no número 397 da Avenida Conselheiro Nébias, na Vila Mathias. “O bazar de roupas é algo que faz circular vários itens, e isso é ótimo para o meio ambiente”. Além de livros e roupas, o bazar do Centro Espírita Ismênia de Jesus tem móveis, roupas e brinquedos o ano inteiro. Abre em dias úteis, das 9 às 11 horas e das 12h15 às 18 horas. Também recebe doações, que passam por avaliação e limpeza para serem postas no bazar. Conforme a encarregada do setor de móveis do bazar, Alexandra Miranda, de 50 anos, a renda sustenta a casa e a creche e paga os funcionários e os programas de auxílio da entidade, como a ajuda a pessoas em situação de rua. Variedade é atrativo “Os bazares estão em alta”, afirma Silvana Karina França, de 45 anos, auxiliar do bazar do Lar das Moças Cegas. Para ela, isso decorre da busca por itens de qualidade por preço menor. Para a aposentada Arcilene da Paz Couto, de 77 anos e que há mais de 20 frequenta o bazar, outro objetivo “é ajudar as pessoas com deficiência visual. A gente faz o mínimo, porque a necessidade no Brasil é muito grande”. Localizado na Rua Carvalho de Mendonça, 233, na Vila Belmiro, o bazar abre de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h30, com itens como móveis, colchões, armários, roupas e calçados. O valor arrecadado ajuda a manter o lar, que oferece transporte, alimentação e atividades educacionais gratuitas. Para ser voluntário, é necessário agendar visitas monitoradas, por enquanto suspensas. Este é o link. Qualidade e preço baixo são características dos bazares beneficentes (Divulgação) Em um dos espaços, solidariedade “Recebemos muitas doações de lenços e perucas, tanto sintéticas quanto de cabelo natural”, conta comunicadora social Rubia Uliana, de 58 anos, do Centro integrado de Assistência a Pessoas com Câncer (Cenin). Ali, se oferecem perucas, lenços e próteses mamárias para mulheres que perdem cabelo e têm alterações físicas devido ao tratamento. No bazar, encontram-se itens como móveis, roupas, calçados, eletrodomésticos, brinquedos, entre outros. O local fica aberto o ano inteiro e funciona de segunda a sexta, das 8h até às 17h. A entidade aceita doação de itens como roupas, calçados, perucas, alimentos, eletrônicos, móveis e materiais hospitalares. Rubia conta que, embora o foco do Cenin seja em atender pessoas em situação de vulnerabilidade, o instituto também acolhe pacientes que, mesmo com melhores condições financeiras, buscam apoio emocional e social nas terapias e confraternizações no espaço. “Há pacientes que não precisam do medicamento ou do alimento. A maneira de se sentirem bem é estar aqui com o pessoal”, diz. *REPORTAGEM FEITA COMO PARTE DO PROJETO LABORATÓRIO DE NOTÍCIAS A TRIBUNA - UNISANTOS SOB SUPERVISÃO DA PROFESSORA LIDIANE DINIZ E DO DIRETOR DE CONTEÚDO DO GRUPO TRIBUNA, ALEXANDRE LOPES