Dentro de uma caixa plástica, criaturas de corpo alongado e coloração castanho-escuro se movem lentamente, exibindo seu exoesqueleto robusto. Com longas antenas, elas captam cada detalhe do ambiente. Embora causem arrepios a muitos, as baratas-de-madagascar são consideradas animais de estimação por amantes de bichos exóticos. Um deles é a bióloga Paula Monteiro, de 27 anos, moradora de Santos. Fascinada por insetos, ela, que mora no Boqueirão, cuida há três anos de baratas com atenção, explorando o comportamento desse espécime — e das baratas comuns, que muitos tentam evitar. As baratas-de-madagascar, além de maiores que as comuns, são conhecidas por seu comportamento calmo e pela simplicidade no cuidado: alimentam-se de frutas e vegetais frescos. Segundo a bióloga, seu primeiro contato com as baratas-de-madagascar ocorreu em uma feira de Biologia na faculdade em que estudava. “Foi uma experiência única, em que eu pude interagir com elas pela primeira vez. Havia expositores mostrando e ensinando sobre esses insetos. Fiquei encantada com a chance de entender melhor um inseto que muita gente evita.” A experiência a marcou a ponto de decidir adotar essas baratas como animais domésticos, unindo seu amor por insetos à vontade de explorar o comportamento de criaturas tão pouco valorizadas. “Muita gente sente repulsa, mas eu vejo nelas algo fascinante”, diz. Paula utiliza suas redes sociais para compartilhar sua rotina com as baratas, tirar dúvidas e saciar a curiosidade do público. CUIDADOS Em casa, as baratas vivem em uma caixa plástica equipada com substrato e caixas de ovos, que usam para se esconder, criando um ambiente ideal para seu bem-estar. “Elas são muito mais simples de cuidar do que muitas pessoas imaginam. Ao contrário de outros animais de estimação, não exigem atenção diária e são bem calmas. Só precisam de um ambiente adequado e alimentação regular”. Paula destaca que o manejo é simples. “Acho interessante o quanto elas são autossuficientes. Você coloca o que precisam, e se adaptam, vivem bem.” Ela adquiriu as baratas com criadores especializados, que geralmente as vendem como alimento para répteis e aves. Mas, para Paula, elas têm um papel especial e diferente. “Muitas vezes, as pessoas veem esses animais apenas como alimento para outros, mas elas são muito mais que isso.” Cada detalhe da criação importa, segundo a bióloga. Observar seu comportamento, compreender como interagem com o ambiente e ver como se adaptam ao espaço que Paula preparou para elas é uma experiência única. “Elas me mostram que a curiosidade e o respeito pelo que é diferente são essenciais para entender o mundo ao nosso redor. Mesmo nas formas mais inesperadas, elas têm algo valioso a nos ensinar.” *Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - Unisantos sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.